quarta-feira, junho 07, 2017

Nos teus olhos - (a Mafalda Gomes)
















Já vi menina nos teus olhos
Já vi filha
Já vi mãe


Já vi noiva
Apaixonada
Já vi
Mulher casada
Vi carinho
Vi revolta
E já vi ternura, também!

Já vi, nesses teus olhos,
Numa sala cheia de gente,
Aquela alegria única
Que só no palco se sente"

Já estive no palco da vida
Fiz papeis iguais ao teu
És das almas mais bonitas
Que o mundo conheceu

E tudo o que és
Não cabe numa canção
Mas cabe tudo aqui
Dentro do meu coração

És amiga verdadeira,
És vontade de viver
Na alegria companheira
Apoio no meu sofrer

Porque tu existes,
O mundo mais belo ficou
Celebra-se hoje o milagre
Do amor que te gerou!




Alexandre

sábado, fevereiro 04, 2017

Faz de conta...





















O silêncio antecede
o momento em que a luz
batendo-me nos olhos
me despe os últimos
farrapos de quem sou
para que me torne
em pleno
quem quero ser

As palavras saem da voz
que já não é minha
os gestos de um corpo
que já não é meu
é o nascer

Nasço sozinho
crescido, sem passado
nem futuro
debaixo de mim um palco
à minha frente o horizonte
infinito e escuro

E os olhos
sinto-os,
atentos,

E começa...

Palavra dita
Palavra sentida
com
sentido

fazer
ser

fazer
sentir

Nada mais intenso
nada mais efémero.

Conta
faz
de conta.

O aplauso...
E morro,
Ao cair do pano!  







domingo, janeiro 29, 2017

Sou-te

















Sou-te

Palavra em silêncio sussurrada.
Sou gato em teu telhado ao luar.
Sou lua na janela iluminada,
Sorriso que pousou no teu olhar.

Sou infusão de salva e cravinho,
anis, canela, arruda e aroeira.
Sou estrela que ilumina o teu caminho,
que fica ao teu lado a noite inteira.

Dentada na garganta do teu beijo,
Sou regaço suave em que te abrigo
E entre estes dois braços te protejo

Nesse abraço eu fundo-me contigo
Unidos corpo e alma no desejo...
E tu, o mundo todo aqui comigo! 

 

 






quinta-feira, julho 21, 2016

Si-Len-Si-Oh!


Sinto que chega
numa vaga escura
um vazio que tudo enche

Já as palavras agoniam
degoladas e sem sentido

Lá longe,
as teclas de um piano a arder.

Deixando silêncio
no que ficou por ser.

segunda-feira, julho 04, 2016

Malaposta - Um pólo de encontro dos agentes culturais.


Cresci a ver teatro, aprendi fazendo teatro, ensino a fazer teatro. Tive o privilégio de me ter sido apresentado o projecto do Centro Cultural da Malaposta (CCM) em 1988, numa reunião da Amascultura com os grupos de Teatro Amador dos concelhos de Loures a que pertencíamos, Amadora, Vila Franca de Xira e Sobral de Monte Agraço. 

O CCM nascia para lutar contra a alienação cultural que resultava da massiva distribuição de produtos de baixo conteúdo formal e ideológico. Fixando residência naquele espaço, o projecto envolvia as escolas secundárias dos quatro concelhos, bem como as associações culturais e os grupos de teatro amador e fomentava a ligação das populações locais a um espaço de criação e divulgação de cultura. 

Este espaço, com este objectivo, é hoje tão ou mais necessário que em 1988. A saúde, a educação e a cultura são o investimento público fundamental de uma sociedade e o seu retorno não é financeiro porque não tem preço! É o nosso património, é a génese da nossa identidade, é o que nos define e faz de nós quem somos! 

É com carinho e encanto que olho para aquele edifício onde inúmeras vezes entrei como espectador, mas onde também estive, como aluno, como professor, como actor e como encenador. Gostava que os meus filhos se identificassem com ele como eu me identifico! Não foi a população de Odivelas que voltou costas ao CCM, foi a Municipália que se esqueceu da razão de ser daquele centro e fechou as portas às associações, aos grupos de teatro amador e à população em geral. 

A cultura faz-se em todo o lado: na rua, nos bairros, nos cafés, nas escolas, nas associações, na SMO ou na Casa da Juventude, mas o CCM é o polo centralizador onde os agentes culturais do Município e da Área Metropolitana de Lisboa se encontram – e isso não se pode perder!


Alexandre de Oliveira

(ON - Odivelas Notícias, 30 de Junho de 2016) 

sexta-feira, abril 22, 2016

Tenho de ti uma saudade louca...

Escrevo-te, mesmo que não me leias

Hoje fizeste-me falta, como todos os dias. Mas hoje não foi só saudade, não foi só a vontade egoísta, não foi nenhuma dúvida sobre a água no refogado, nem daqueles cheiros que me devolvem ao teu colo. Hoje queria apenas partilhar contigo o bom dia que tive. As pessoas que vi, que ouvi, que falaram dos valores que me deste e da liberdade que me ensinaste a amar. A minha colega Elisabete, de história a tua disciplina favorita, organizou um painel de testemunhos sobre o 25 de abril. Terias gostado de estar lá, não só para falar como para ouvir Luísa Castel-Branco,  Samuel, Maria do Amparo ou os combatentes do ultramar. O tempo passou por eles, estão porém fortes, lúcidos e vivos!
Foi um privilégio que tive esta manhã. Gostava de  partilhar contigo, porque o que é bom não se deve desfrutar sozinho... foi também bom para os garotos!

Tenho de ti uma saudade louca!

segunda-feira, março 21, 2016

O sol que há em ti.




As tuas mãos são um verso
de um poema de amor
os teus olhos são lume
o teu seio fervor
o teu olhar infinito
o teu sorriso luminoso
a tua boca é um lago,
onde me sacio, gostoso.
Teu corpo todo inteiro
um livro de poesia
que guarda, bem lá no meio,
um sol cheio de alegria.

Debaixo da tua pele
num arrepio infinito
há um sabor a mel
que se liberta num grito
Depois abraçados
mal cobertos com o lençol
é o teu olhar que brilha
à luz desse teu sol!

Se sol é luz infinita
é também vida e calor
Se o desejo em ti me agita
meu sossego é o teu amor...

quinta-feira, março 03, 2016

A morte de Rodrigo Lapa

Foto da página do Facebook:
Até sempre Rodrigo Lapa 
Negra ave de passagem
num céu metalizado
Um alerta sobre o jovem 
que não foi localizado

Uma mãe nas noticias
sem muito ar de sofrer
Não sabe onde está o filho
Mas também não quer saber

Há alguém preocupado
que o procura sem cessar 
Uma foto na internet 
Há um rosto a divulgar

Rapaz jovem, como outros
Com uma mãe e com um pai
Que depois do almoço 
Para a sua escola vai

Só quem nunca teve 15
quem não foi adolescente
é que não sabe a energia 
que na altura invade a gente

Estamos sempre a descobrir
Coisas novas sobre nós
Às vezes queremos companhia
Outras queremos ficar sós

Somos gente a crescer
estamos em terra de ninguém 
Já não somos criancinhas 
E nem adultos também

Quando o rapaz vai crescendo
Vai a voz engrossando
Vai fazendo muita asneira
Uma vez de quando-em-quando

O amor e a paciência
Nunca faltam aos nossos pais
E àqueles que nos amam
Nós pedimos sempre mais

O amor é um valor 
Que distingue a humanidade
Quem o outro não amar 
Não é gente de verdade

Há pais de coração 
Que nos amam como filhos
Que nos ajudam a safar 
Quando estamos em sarilhos

Mas aqui não foi o caso
E isso custa a entender
Onde está o amor de mãe 
No coração desta mulher? 

Tem o filho já sem vida
A poucos metros de casa
Vai disfarçando a coisa
enquanto o amante baza? 

Foge o tipo pró Brasil 
Depois de morto o rapaz... 
Mulher, era o TEU FILHO
Como tu foste capaz? 

Acredito que nascemos 
todos para a felicidade 
Mas ao ouvir esta história
não sei se será verdade

Espero não estar a ser injusto
Com ela nem com ninguém
Mas uma mulher assim
Estraga a palavra Mãe! 









  

terça-feira, março 01, 2016

Sal (a Cristina Abreu)

















Na boca nos olhos na pele
O mar frio e salgado
Corais intensos desafios
Abismos não explorados

Areia que o Sol afaga
Ardente como um beijo
Molha-se em cada vaga
Num vai-vém de desejo

São esses olhos teus
Num sorriso sensacional
Forte intenso, feito vida
Temperado com esse Sal

Há um segredo escondido
P'ra quem quer saber (a)mar
Já diz o mestre antigo
Nele tens de mergullhar

O amor em cada dia
Cria felicidade e paz
Nos momentos de alegria
A cada abraço que dás! 



1 de Março 2016


Alexandre




 





terça-feira, fevereiro 02, 2016

A pedra



Havia no largo da aldeia uma pedra onde o meu avô se sentava
Havia, no mesmo largo,um bebedouro onde a bestas bebiam
Havia mais acima um chafariz, de água férrea e fresca.

A água do chafariz era guardada no corredor escuro
Numa talha de barro, da qual nos servíamos num púcaro de alumínio
Em pequenas mas saborosas doses.

As cabras que passavam no largo da aldeia não podiam beber no chafariz das bestas
As cabras bebiam na ribeira durante a pastagem

Mal eu sabia a lição que estava a aprender:

Alguns contentam-se com a pouca água que conseguem
Os que querem ou precisam de beber mais têm de ir para longe
Porque o grande bebedouro está reservado e só as bestas de lá podem beber

E o meu avô, sentado na pedra, já tinha visto isto tudo! 


sexta-feira, novembro 27, 2015

São bonitas as palavras













São bonitas as palavras
São como as mais belas flores
Poesia e fantasia
São como um jardim de amores

São bonitas as palavras
São singelas, saborosas
Duras como diamante
São suaves como rosas

São bonitas as palavras
acredita meu amor
são expressão dos ideais
não tem preço o seu valor

São bonitas as palavras
que mais te posso dizer?
Que saciam a vontade
a quem as sabe comer.

São bonitas as palavras
acredita no que digo,
as mais belas que conheço
são as que eu troco contigo!

Savinien - 2015




quinta-feira, novembro 26, 2015

Magia



Ainda me lembro, princesa
da manta que colocaste no ginjal
naquela noite de Lua Cheia

Lembro-me dos teus pés nus
dançando...
dançavas contigo
dançavas para mim
dançavas comigo

Eterno abraço
Eterno beijo
Estranha magia
O desejo
Que cresce quando se cumpre
Que não se sacia
Eu, tu, silenciosa melodia
Nos teus olhos
A noite brilha
mais que o dia

E era só noite
Eras só tu
E tudo era... magia!


terça-feira, novembro 17, 2015

Tatuagem

Nas minhas mãos acolho o teu sorriso
Torna-se  tatuagem no meu peito
num traço tão suave como preciso 
ilustro o envolvimento mais perfeito

Da boca cai apaixonado beijo 
tombando no teu ombro de mansinho
pelas costas vai descendo o meu desejo
confesso ao teu ouvido bem baixinho

Não escondas por medo teu pensamento 
Não prendas no silêncio o teu sentir 
Que tudo se constrói num só momento 

Num mesmo coração  se estão a unir 
Comungando num mesmo sentimento 
Corpos que na paixão se vão fundir. 


Alexandre de Oliveira







sexta-feira, julho 10, 2015

O Príncipe do Mar Cantou (para Isabel Lopes)

Fiz um conto para me embalar

Fiz com as fadas uma aliança.
A deste conto nunca contar.
Mas como ainda sou criança
Quero a mim própria embalar.

Estavam na praia três donzelas
Como três laranjas num pomar.
Nenhuma sabia para qual delas
Cantava o príncipe do mar.

Rosas fatais, as três donzelas
A mão de espuma as desfolhou.
Nenhuma soube para qual delas
O príncipe do mar cantou.

                   Natália Correia

Não há tempo para quem ama
Não há amor menor
À amizade se chama
A mais pura forma de AMOR

Cresceste rosa bonita
De menina a mulher
Celebra em cada dia 
A Magia de viver

Mas como em pequenina
Conta histórias de embalar
Ouvindo o canto bonito
Do belo Príncipe do Mar

Tu, jovem donzela,
como laranja no pomar
És inspiração mais bela
ao príncipe no seu cantar

Um dia, sem que tu esperes, 
Num Verão ensolarado
Encontrarás aos teus pés
Um Príncipe Enamorado

E com esse teu sorriso
Que tudo faz iluminar 
Vais ouvir essa cantiga
Do teu Príncipe do Mar 



Feliz aniversário, Isabel! 

do teu sempre admirador e amigo, 

Alexandre 


terça-feira, julho 07, 2015

Era feliz e não sabia

Belíssima foto do meu primo João Caetano. Ao olhá-la regresso num momento a um passado sempre presente na zona do pinho da Beira Baixa. Essa terra maravilhosa de azeite e rezina, de gente de trabalho, de sacrifício, mas também de alegria e fraternidade. Cheira-me na pele os caminhos, o pó e o xisto, as uvas morangueiras brancas a saber a fumo-do-comboio, cheira-me a azeite em cru no caldo verde de batata migada e o peixe de rio bem frito em molho de cebolada a saber a picante.
Lembro-me de, em pequeno, jantar à luz do petromax que impregnava a ceia de aromas diferentes e de ir dormir aconchegado pela minha mãe que soprava o pavio do candeeiro a petróleo.
Lembro-me das azeitonas pretas das oliveiras, e das caganitas de cabra que - para menino da cidade - eram muito parecidas.
Lembro-me de ouvir a minha avó Maria a chamar as cabras: Moucha, Chibaneca e Marmeleda... E o meu avô Artur, sisudo, trazendo um regador carregado de figos...
Belos tempos de menino no Casal da Ribeira em que, como diz Drummond de Andrade, eu era feliz e não sabia!

quinta-feira, junho 04, 2015

No lugar em que nos amávamos havia uma árvore

No lugar em que nos amávamos
e só a Lua conhecia
no ar havia o cheiro
de flores e maresia

Havia nos nossos lábios
silêncios e segredos
nos nossos beijos trocados
findavam os nossos medos

Havia um pássaro louco
com uma asa partida
havia um ninho de cuco
e uma rocha fendida

Havia dedos e línguas
havia pele na pele
e da zona fendida
jorrava o leite e o mel

Havia naquele sítio
fora do tempo e do espaço
a linguagem secreta
que se aprende com um abraço

Era tudo efémero
como a vida da gente
que se torna infinita
no amor que se sente

E havia,
No lugar em que nos amávamos,

Uma árvore...




quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Sou Portugal a Cantar




Eu sou povo marinheiro
Sou sorriso de criança
Sou sangue na bandeira
Sou verde e sou esperança
Sou desejo sem vontade
Sou vontade sem desejo
Sou poeta sem defesa
Sou amante sou um beijo

Sou Luísa na calçada
Sou Monstrengo a voar
Sou Agostinho na lota
Sou um pescador no mar
Sou Pessoa, sou Ary
Catarina na terra dura
Sei que não vou por aí
Sou facho a arder na noite escura

Sou memória, sou história
Sou mesa que não tem pão
Sou mais uma mãe que chora
Sou um fado canção
Sou revolta em braço armado
Sou cravo no cano negro
Sou ceifeira e operário
Sou fila de desemprego.

Mas sou palavra
Em peito aberto
Sou um mundo todo inteiro
Sou livre
Não alimento
Os Vampiros do dinheiro
Sou luta
Sou futuro
Sou um corpo que avança
Sou o sonho colorido
Nos olhos de uma criança

Sou Horta, sou cantoneiro
Sou versos de uma canção
Sou um grito verdadeiro
Sou bater do coração
Sou professor
Sou varina
Sou emigrante de além-mar
Trago na voz os poetas
Sou Portugal a cantar!

quinta-feira, setembro 04, 2014

Não faz sentido semear a flor para a cobrir de terra!

Estas flores que a vida semeia nos nossos corações,
estes anjos que nos ensinam a amar depressa,
amar sempre, a cada instante, amar o momento e a vida,
a não fazer planos... e a amar o futuro.
Ah... partiu-se dentro de mim o cristal puro que definia criança
Ah... nasceu em mim a revolta a inconformidade sem esperança
Não faz sentido semear a flor para a cobrir de terra!
Por mais que acredite, por mais que tente... não faz sentido.
Ah... mas a magia das fadas, pega nestes sorrisos, nesta força,
nestes exemplos de vida... faz estrelas novas no firmamento.
É nesta certeza que o amor é eterno que vos sinto brilhar como estrelas,
no segredo da noite no meu coração...
E durante o dia, mesmo sem as ver, sei que estão sempre aqui!

Uma flor regada com lágrimas
é uma estrela que brilha para sempre
dentro do nosso coração!

quinta-feira, julho 31, 2014

Sobre a solidão!




"
eu nunca estou só, estou sempre comigo !!" (Dina Santos)

A inquietação que esta frase de Dina Santos causou em mim obrigou-me a escrever. Para mim a solidão é das mais terríveis das doenças, causa a pior das mortes - o esquecimento - e traz-nos o inferno em vida.  
Acredito que existem três tipos de solidão: o sozinho no meu quarto, o sozinho na praia e o sozinho na multidão. Apesar de eu estar sempre lá, nos três casos, estamos realmente sem companhia.
O sozinho no meu quarto é terrível, significa que o meu lar está ocupado apenas por mim quando desejava os precisava de companhia.
O sozinho à beira mar é excelente, escolhi fugir de tudo e de todos para estar comigo no silêncio profundo da meditação.
O sozinho entre a multidão é o só de António Nobre, a mais inútil forma de viver, é o estar com toda a gente e não sentir irmandade com ninguém.
Esta frase, Dina Santos, fala de um só voluntário, consciente e meditativo.
Fundamental para a nossa felicidade é aceitar a nossa própria presença com amor e respeito. Os que valerem a pena quererão partilhar a nossa companhia.Buscar companhia não é o caminho. Como diz o meu velho mestre, Savinien, citando a filosofia ZEN: "Não caces borboletas, cuida bem do teu jardim"!