segunda-feira, junho 25, 2018

Teus pés



Teus pés são gotas cristalinas
chuva de Verão
penetram suavemente
a terra quente
como quem voa
como quem dança
na ausência
do corpo
tudo é gesto e elegância
no sentir que me despertas
és a minha companhia
nas horas mais desertas
nas secretas fantasias
quero ser caminho
onde andes livremente
mas não pises os sentimentos
que deposito na tua frente
no teu altar sagrado
há uma pedra fendida
onde dançam encantados
os doces mistérios da vida.

Savinien (2018)





Foto: Olivia Bell (ThebellSisters.com)








terça-feira, março 27, 2018

Le Rouge... Beltrame!



Le Bleu
Le Blanc
Le Rouge

Le Rouge... Beltrame!

A bandeira francesa tem azul
como os uniformes dos polícias

Como Beltrame!

A bandeira francesa tem branco
como as mãos nuas de quem se entrega

Como as de Beltrame!

A bandeira francesa tem vermelho
como o sangue dos que morrem inocentes

Como Beltrame!

Naquela noite uma
mulher jantou com a sua família

Graças a Beltrame!

Mas a mulher de Beltrame
jantou sozinha

Morreu Beltrame!

Toda a vida que se dá por amor
permanece no amor para sempre

Até sempre, Beltrame! 

domingo, março 25, 2018

Manto de Estrelas




O espaço fecundo do teu ventre
gera palavras bonitas
numa ode inspirada
onde tu choras e gritas


Quero beber cada letra
no vinho tinto maduro
que serves de madrugada
Num quarto forrado de escuro

Quero descobrir-te
mulher, no teu corpo de lua
num gesto simples despir-te
e depois contemplar-te nua

Os dois no mesmo segredo
Nesta conversa sem fim
Onde impera o desejo
e cresce fora de mim

Deitado a teu lado,
teus aromas me revelas
vou roubar-te um beijo
Sob um manto de estrelas


Noite de mil poemas
e um texto corrido
embala-me neste meu sono,
que hoje eu sonho contigo

quinta-feira, fevereiro 22, 2018

Saudade





















O vazio, frio
sem palavras.

O silêncio e
o temor. 

Um sopro, 
que foi vida

Saudade,
a derradeira face do amor! 



domingo, fevereiro 11, 2018

Frio


Acolhe-me nesse abraço, meu amor
esse abraço que me nega o vazio,
esse abraço que me conforta
e enche de calor o meu frio.













Dança à minha volta, meu amor,
numa vertigem sem fim
trocamos os dois de corpo
sinto-te dentro de mim.

Olha-me nos olhos, meu amor
em silêncio de palavras
do deserto de onde vim
para o oásis onde estavas.

Deixa fluir, meu amor
tu és mar e eu sou rio
desaguando no teu ventre
tudo é sol, já não há frio.

E depois vem o descanso
de vagas na praia quente
somos ilha do amor
num oceano de gente.

Um poema que se escreve
em beijos, pele e saliva
na união do amor
da felicidade se faz vida!


terça-feira, janeiro 09, 2018

Não me deixes partir



Não me deixes partir
a horas certas,
a horas escritas,
determinadas.

Não me deixes partir,

nas horas incertas,
nunca previstas,
indeterminadas.

Abraça-me,

segura-me,
encosta-me a ti!

Diz-me,

sorri-me, 
faz-me acreditar.

Diz que o tempo

é um momento 
e que pode parar.

Diz-me 

que a alma
que vês nos meus olhos
vive eternamente.

E diz

que essa alma 
fica contigo, 
neste corpo... 

Para sempre!  






quarta-feira, junho 07, 2017

Nos teus olhos - (a Mafalda Gomes)
















Já vi menina nos teus olhos
Já vi filha
Já vi mãe


Já vi noiva
Apaixonada
Já vi
Mulher casada
Vi carinho
Vi revolta
E já vi ternura, também!

Já vi, nesses teus olhos,
Numa sala cheia de gente,
Aquela alegria única
Que só no palco se sente"

Já estive no palco da vida
Fiz papeis iguais ao teu
És das almas mais bonitas
Que o mundo conheceu

E tudo o que és
Não cabe numa canção
Mas cabe tudo aqui
Dentro do meu coração

És amiga verdadeira,
És vontade de viver
Na alegria companheira
Apoio no meu sofrer

Porque tu existes,
O mundo mais belo ficou
Celebra-se hoje o milagre
Do amor que te gerou!




Alexandre

sábado, fevereiro 04, 2017

Faz de conta...





















O silêncio antecede
o momento em que a luz
batendo-me nos olhos
me despe os últimos
farrapos de quem sou
para que me torne
em pleno
quem quero ser

As palavras saem da voz
que já não é minha
os gestos de um corpo
que já não é meu
é o nascer

Nasço sozinho
crescido, sem passado
nem futuro
debaixo de mim um palco
à minha frente o horizonte
infinito e escuro

E os olhos
sinto-os,
atentos,

E começa...

Palavra dita
Palavra sentida
com
sentido

fazer
ser

fazer
sentir

Nada mais intenso
nada mais efémero.

Conta
faz
de conta.

O aplauso...
E morro,
Ao cair do pano!  







domingo, janeiro 29, 2017

Sou-te

















Sou-te

Palavra em silêncio sussurrada.
Sou gato em teu telhado ao luar.
Sou lua na janela iluminada,
Sorriso que pousou no teu olhar.

Sou infusão de salva e cravinho,
anis, canela, arruda e aroeira.
Sou estrela que ilumina o teu caminho,
que fica ao teu lado a noite inteira.

Dentada na garganta do teu beijo,
Sou regaço suave em que te abrigo
E entre estes dois braços te protejo

Nesse abraço eu fundo-me contigo
Unidos corpo e alma no desejo...
E tu, o mundo todo aqui comigo! 

 

 






quinta-feira, julho 21, 2016

Si-Len-Si-Oh!


Sinto que chega
numa vaga escura
um vazio que tudo enche

Já as palavras agoniam
degoladas e sem sentido

Lá longe,
as teclas de um piano a arder.

Deixando silêncio
no que ficou por ser.

segunda-feira, julho 04, 2016

Malaposta - Um pólo de encontro dos agentes culturais.


Cresci a ver teatro, aprendi fazendo teatro, ensino a fazer teatro. Tive o privilégio de me ter sido apresentado o projecto do Centro Cultural da Malaposta (CCM) em 1988, numa reunião da Amascultura com os grupos de Teatro Amador dos concelhos de Loures a que pertencíamos, Amadora, Vila Franca de Xira e Sobral de Monte Agraço. 

O CCM nascia para lutar contra a alienação cultural que resultava da massiva distribuição de produtos de baixo conteúdo formal e ideológico. Fixando residência naquele espaço, o projecto envolvia as escolas secundárias dos quatro concelhos, bem como as associações culturais e os grupos de teatro amador e fomentava a ligação das populações locais a um espaço de criação e divulgação de cultura. 

Este espaço, com este objectivo, é hoje tão ou mais necessário que em 1988. A saúde, a educação e a cultura são o investimento público fundamental de uma sociedade e o seu retorno não é financeiro porque não tem preço! É o nosso património, é a génese da nossa identidade, é o que nos define e faz de nós quem somos! 

É com carinho e encanto que olho para aquele edifício onde inúmeras vezes entrei como espectador, mas onde também estive, como aluno, como professor, como actor e como encenador. Gostava que os meus filhos se identificassem com ele como eu me identifico! Não foi a população de Odivelas que voltou costas ao CCM, foi a Municipália que se esqueceu da razão de ser daquele centro e fechou as portas às associações, aos grupos de teatro amador e à população em geral. 

A cultura faz-se em todo o lado: na rua, nos bairros, nos cafés, nas escolas, nas associações, na SMO ou na Casa da Juventude, mas o CCM é o polo centralizador onde os agentes culturais do Município e da Área Metropolitana de Lisboa se encontram – e isso não se pode perder!


Alexandre de Oliveira

(ON - Odivelas Notícias, 30 de Junho de 2016) 

sexta-feira, abril 22, 2016

Tenho de ti uma saudade louca...

Escrevo-te, mesmo que não me leias

Hoje fizeste-me falta, como todos os dias. Mas hoje não foi só saudade, não foi só a vontade egoísta, não foi nenhuma dúvida sobre a água no refogado, nem daqueles cheiros que me devolvem ao teu colo. Hoje queria apenas partilhar contigo o bom dia que tive. As pessoas que vi, que ouvi, que falaram dos valores que me deste e da liberdade que me ensinaste a amar. A minha colega Elisabete, de história a tua disciplina favorita, organizou um painel de testemunhos sobre o 25 de abril. Terias gostado de estar lá, não só para falar como para ouvir Luísa Castel-Branco,  Samuel, Maria do Amparo ou os combatentes do ultramar. O tempo passou por eles, estão porém fortes, lúcidos e vivos!
Foi um privilégio que tive esta manhã. Gostava de  partilhar contigo, porque o que é bom não se deve desfrutar sozinho... foi também bom para os garotos!

Tenho de ti uma saudade louca!

segunda-feira, março 21, 2016

O sol que há em ti.




As tuas mãos são um verso
de um poema de amor
os teus olhos são lume
o teu seio fervor
o teu olhar infinito
o teu sorriso luminoso
a tua boca é um lago,
onde me sacio, gostoso.
Teu corpo todo inteiro
um livro de poesia
que guarda, bem lá no meio,
um sol cheio de alegria.

Debaixo da tua pele
num arrepio infinito
há um sabor a mel
que se liberta num grito
Depois abraçados
mal cobertos com o lençol
é o teu olhar que brilha
à luz desse teu sol!

Se sol é luz infinita
é também vida e calor
Se o desejo em ti me agita
meu sossego é o teu amor...

quinta-feira, março 03, 2016

A morte de Rodrigo Lapa

Foto da página do Facebook:
Até sempre Rodrigo Lapa 
Negra ave de passagem
num céu metalizado
Um alerta sobre o jovem 
que não foi localizado

Uma mãe nas noticias
sem muito ar de sofrer
Não sabe onde está o filho
Mas também não quer saber

Há alguém preocupado
que o procura sem cessar 
Uma foto na internet 
Há um rosto a divulgar

Rapaz jovem, como outros
Com uma mãe e com um pai
Que depois do almoço 
Para a sua escola vai

Só quem nunca teve 15
quem não foi adolescente
é que não sabe a energia 
que na altura invade a gente

Estamos sempre a descobrir
Coisas novas sobre nós
Às vezes queremos companhia
Outras queremos ficar sós

Somos gente a crescer
estamos em terra de ninguém 
Já não somos criancinhas 
E nem adultos também

Quando o rapaz vai crescendo
Vai a voz engrossando
Vai fazendo muita asneira
Uma vez de quando-em-quando

O amor e a paciência
Nunca faltam aos nossos pais
E àqueles que nos amam
Nós pedimos sempre mais

O amor é um valor 
Que distingue a humanidade
Quem o outro não amar 
Não é gente de verdade

Há pais de coração 
Que nos amam como filhos
Que nos ajudam a safar 
Quando estamos em sarilhos

Mas aqui não foi o caso
E isso custa a entender
Onde está o amor de mãe 
No coração desta mulher? 

Tem o filho já sem vida
A poucos metros de casa
Vai disfarçando a coisa
enquanto o amante baza? 

Foge o tipo pró Brasil 
Depois de morto o rapaz... 
Mulher, era o TEU FILHO
Como tu foste capaz? 

Acredito que nascemos 
todos para a felicidade 
Mas ao ouvir esta história
não sei se será verdade

Espero não estar a ser injusto
Com ela nem com ninguém
Mas uma mulher assim
Estraga a palavra Mãe! 









  

terça-feira, março 01, 2016

Sal (a Cristina Abreu)

















Na boca nos olhos na pele
O mar frio e salgado
Corais intensos desafios
Abismos não explorados

Areia que o Sol afaga
Ardente como um beijo
Molha-se em cada vaga
Num vai-vém de desejo

São esses olhos teus
Num sorriso sensacional
Forte intenso, feito vida
Temperado com esse Sal

Há um segredo escondido
P'ra quem quer saber (a)mar
Já diz o mestre antigo
Nele tens de mergullhar

O amor em cada dia
Cria felicidade e paz
Nos momentos de alegria
A cada abraço que dás! 



1 de Março 2016


Alexandre




 





terça-feira, fevereiro 02, 2016

A pedra



Havia no largo da aldeia uma pedra onde o meu avô se sentava
Havia, no mesmo largo,um bebedouro onde a bestas bebiam
Havia mais acima um chafariz, de água férrea e fresca.

A água do chafariz era guardada no corredor escuro
Numa talha de barro, da qual nos servíamos num púcaro de alumínio
Em pequenas mas saborosas doses.

As cabras que passavam no largo da aldeia não podiam beber no chafariz das bestas
As cabras bebiam na ribeira durante a pastagem

Mal eu sabia a lição que estava a aprender:

Alguns contentam-se com a pouca água que conseguem
Os que querem ou precisam de beber mais têm de ir para longe
Porque o grande bebedouro está reservado e só as bestas de lá podem beber

E o meu avô, sentado na pedra, já tinha visto isto tudo! 


sexta-feira, novembro 27, 2015

São bonitas as palavras













São bonitas as palavras
São como as mais belas flores
Poesia e fantasia
São como um jardim de amores

São bonitas as palavras
São singelas, saborosas
Duras como diamante
São suaves como rosas

São bonitas as palavras
acredita meu amor
são expressão dos ideais
não tem preço o seu valor

São bonitas as palavras
que mais te posso dizer?
Que saciam a vontade
a quem as sabe comer.

São bonitas as palavras
acredita no que digo,
as mais belas que conheço
são as que eu troco contigo!

Savinien - 2015




quinta-feira, novembro 26, 2015

Magia



Ainda me lembro, princesa
da manta que colocaste no ginjal
naquela noite de Lua Cheia

Lembro-me dos teus pés nus
dançando...
dançavas contigo
dançavas para mim
dançavas comigo

Eterno abraço
Eterno beijo
Estranha magia
O desejo
Que cresce quando se cumpre
Que não se sacia
Eu, tu, silenciosa melodia
Nos teus olhos
A noite brilha
mais que o dia

E era só noite
Eras só tu
E tudo era... magia!


terça-feira, novembro 17, 2015

Tatuagem

Nas minhas mãos acolho o teu sorriso
Torna-se  tatuagem no meu peito
num traço tão suave como preciso 
ilustro o envolvimento mais perfeito

Da boca cai apaixonado beijo 
tombando no teu ombro de mansinho
pelas costas vai descendo o meu desejo
confesso ao teu ouvido bem baixinho

Não escondas por medo teu pensamento 
Não prendas no silêncio o teu sentir 
Que tudo se constrói num só momento 

Num mesmo coração  se estão a unir 
Comungando num mesmo sentimento 
Corpos que na paixão se vão fundir. 


Alexandre de Oliveira