É urgente amar a poesia
descobrir nas searas
nas pedras e nos rios
as manhãs claras
os lençois frios
E os leitos onde nada se demora
Abrir a porta, ir embora.
Ergue-se alto e pálido
Com a facha em riso aberta
Fugido por um só instante
Da cova escura deserta
Na procura das moças mil,
Esse varão ousado e vil.
Era enorme a sua loucura
Só em verso se fez feliz
Foi por falta de ternura
Que bebeu cícuta em Paris
Mas deixou o desejo
Para o último momento,
Palhaços,latas e acrobatas,
O caixão sobre um jumento!
Sem rodanas nem alavancas
Ele faz avançar o mundo
Com sonho mais profundo
Entre as mãos das crianças.
Tambem cantou caravelas,
Ouro, canela e infantes.
Onde nós vemos moinhos
O poeta dos caminhos,
não se rende - vê gigantes.
Olham-te, apontam e acusam,
porque não desistes de ser
Poeta e ser mulher
Ninguém te pôs na ordem
Pois a tua natureza,
É ser pássaro voando
Abrindo asas à beleza!
Ainda tentaste ensinar,
o que não é fácil de entender
todo o que tem fome do sonho
tem a poesia - pra comer!
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quarta-feira, maio 11, 2005
terça-feira, março 01, 2005
Começo
Março. Começa agora o novo ano. No dia 21 deste mês ocorre o Equinócio da Primavera. Façamos a festa da vida. Hoje alguém me disse: quem ama a vida tem um coração enorme. E de facto assim é, para amar, aceitar e viver a vida em pleno temos de o fazer com muito, muito AMOR. Mas não esse amor de cartões de Valentim, ou sms pré-pagos e bem pagos, mas um amor permanente, duro e verdadeiro. Aquele que nos questiona, magoa e no entanto nos faz aperciar a vida. Que se celebre a Primavera com esta festa da Luz, e que agora que os dias vão começar a crescer, que se espalhe por toda a Terra e pelas nossas vidas este novo começar. Pois a vida é um momento, cada dia que nasce é um novo começo!
sexta-feira, fevereiro 04, 2005
Perguntaste-me hoje...
Perguntaste-me hoje,
Com esse sorriso tímido que nunca esquecerei,
As mais complicadas perguntas que já ouvi.
Perguntaste-me hoje, do fundo de ti.
Como responder com a verdade que mereces?
A verdade é fria e faz a gente crescer,
E por em causa tudo aquilo que levámos anos a aprender.
Se eu te pudesse responder com a mesma verdade
com que a menina, defronte da tabacaria, come chocolates.
É tão sincera a tua dúvida e a tua curiosidade,
Que nada mais merece senão a verdade.
Mas eu sei que não tenho o direito de te estragar o sonho.
Eu não posso, nem quero, que deixes já de sonhar!
Mas perturba-me e peço ajuda a quem me possa ajudar,
Como se explica o que é "sedução" a uma menina,
Que tem, ainda, muito tempo para sonhar?
Com esse sorriso tímido que nunca esquecerei,
As mais complicadas perguntas que já ouvi.
Perguntaste-me hoje, do fundo de ti.
Como responder com a verdade que mereces?
A verdade é fria e faz a gente crescer,
E por em causa tudo aquilo que levámos anos a aprender.
Se eu te pudesse responder com a mesma verdade
com que a menina, defronte da tabacaria, come chocolates.
É tão sincera a tua dúvida e a tua curiosidade,
Que nada mais merece senão a verdade.
Mas eu sei que não tenho o direito de te estragar o sonho.
Eu não posso, nem quero, que deixes já de sonhar!
Mas perturba-me e peço ajuda a quem me possa ajudar,
Como se explica o que é "sedução" a uma menina,
Que tem, ainda, muito tempo para sonhar?
segunda-feira, dezembro 13, 2004
Criar
Criar
Do nada que tens na mão
Uma folha branca de papel
Faz um mundo novo
Rasga-a com os dedos,
Com o teu olhar,
Ou com o teu coração
Rasga-a!
Abre-a, abre-te...
como a crisálida,
e cria.
É alma feita verso
a que chamamos poesia!
É um prazer ver nascer em vós a magia da criação. Que as vossas mãos sejam sempre capazes de criar novos mundos, a ver se um dia acertam com a fórmula e todos os sonhos do Mundo se libertam. Não sou eu que escolho o vosso caminho, são vocês que despertam! À minha turma do 8ºB, pela alegria que é lê-los criar poesia!
Do nada que tens na mão
Uma folha branca de papel
Faz um mundo novo
Rasga-a com os dedos,
Com o teu olhar,
Ou com o teu coração
Rasga-a!
Abre-a, abre-te...
como a crisálida,
e cria.
É alma feita verso
a que chamamos poesia!
É um prazer ver nascer em vós a magia da criação. Que as vossas mãos sejam sempre capazes de criar novos mundos, a ver se um dia acertam com a fórmula e todos os sonhos do Mundo se libertam. Não sou eu que escolho o vosso caminho, são vocês que despertam! À minha turma do 8ºB, pela alegria que é lê-los criar poesia!
segunda-feira, outubro 25, 2004
O Silêncio
Algures na Arábia, um mestre e o seu discípulo caminhavam em passo lento por um terraço, a meio da noite.
De súbito, o discípulo diz a meia voz:
- Que silêncio...
- Não digas: «Que silêncio» - aconselhou o mestre - Diz: «Não oiço nada».
(História Árabe)
Dedico esta história ao Pedro, e aos seus 16 anos de curiosidade cientifica. Estive este sábado à noite meditando com ele sobre o silêncio, e sobre as pessoas estarem preparadas ou não para o silêncio. Este tema perturba-me sempre, pois como sou um fanático da comunicação, tirando o recolhimento individual, o silêncio em conjunto parece-me sempre um desperdício da oportunidade sublime de comunicar. Como diz Jacinto Lucas Pires na sua peça "Universos e Frigoríficos": o silêncio só é onde há ruído, senão nem silêncio pode ser!
Havia um poeta popular que gritava: se eu depois de morto vou em silêncio, então que fale agora enquanto a vida mo permite!
É assim que eu vejo o mundo ao meu redor, um mundo que não está em silêncio, mas dele não oiço nada!
De súbito, o discípulo diz a meia voz:
- Que silêncio...
- Não digas: «Que silêncio» - aconselhou o mestre - Diz: «Não oiço nada».
(História Árabe)
Dedico esta história ao Pedro, e aos seus 16 anos de curiosidade cientifica. Estive este sábado à noite meditando com ele sobre o silêncio, e sobre as pessoas estarem preparadas ou não para o silêncio. Este tema perturba-me sempre, pois como sou um fanático da comunicação, tirando o recolhimento individual, o silêncio em conjunto parece-me sempre um desperdício da oportunidade sublime de comunicar. Como diz Jacinto Lucas Pires na sua peça "Universos e Frigoríficos": o silêncio só é onde há ruído, senão nem silêncio pode ser!
Havia um poeta popular que gritava: se eu depois de morto vou em silêncio, então que fale agora enquanto a vida mo permite!
É assim que eu vejo o mundo ao meu redor, um mundo que não está em silêncio, mas dele não oiço nada!
segunda-feira, setembro 20, 2004
Arlequim
Sai da tela o Arlequim
Sai do palco, e das cantigas
Sai dos poemas rebeldes
Dos beijos das raparigas
Leva a esperança contigo
Leva o sonho até ao fim
Poeta, actor, amigo
Mestre, artista... e Arlequim
Sai do palco, e das cantigas
Sai dos poemas rebeldes
Dos beijos das raparigas
Leva a esperança contigo
Leva o sonho até ao fim
Poeta, actor, amigo
Mestre, artista... e Arlequim
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