Há quanto tempo foi?
Há quanto tempo foi que te deixaste ir na loucura sem ser doida?
Estava o Sol exactamente no mesmo sítio,
E no ar havia os risos de gente que já cá não está.
Há quanto tempo foi?
Há quanto tempo foi que a porta se fechou,
E tu de pé eras maior que o mundo todo?
E os tons de azul, o silêncio e os cheiros inundavam o ar,
E as bocas se aproximaram, muito devagarinho para se beijar?
Há quanto tempo foi?
Há quanto tempo foi que a janela se fechou,
E a cama testemunhou a loucura de estar ali,
Completamente,
Um do outro... como se nada mais existisse senão nós?
Não seria isso ter loucura sem ser doida?
Há quanto tempo foi?
Que os nossos corpos se tocaram, se sentiram, se amaram,
E no suave mumúrio da voz,
dissemos pela primeira vez, "nós"!
Há quanto tempo foi?
Há quanto tempo foi que vivemos sem leis fatais,
Que não quisemos entender, apenas amar e viver?
É bom ser inteligente e não entender!
É bom quando para nós o amar é viver,
É bom quando sentimos que a vida nos corre nas veias,
Quando sentimos que o coração quer rebentar,
Quando o desejo cresce, um no outro até aos momentos finais,
E no momento do prazer, toda a alma dizer: "Quero mais. quero mais"?
Há quanto tempo foi?
Há quanto tempo foi que celebramos a vida, a alegria e o amor?
Há quanto tempo foi que a porta se fechou pela última vez,
e o cheiro da pele molhada se dissipou no ar?
Não preciso de entender, vivi e sei que foi verdadeiro,
Recordo cada momento, cada sentimento, sem último e sem primeiro!
No momento em que nos amavamos mais ninguém podia amar,
Porque todo o amor do mundo, do mais discreto ao mais profundo,
Estava lá connosco, no ar.
Há quanto tempo foi?
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terça-feira, outubro 04, 2005
quarta-feira, março 02, 2005
Fidelidade.. segundo Vinicius de Morais
SONETO DE FIDELIDADE (Vinicius de Morais)
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa dizer do meu amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Terrivelmente verdadeiro este soneto de Vinicius. O primeiro encanto, esse momento mágico em que tudo á nossa volta se apaga e tudo o que existiu antes já não tem qualquer significado. Depois, mesmo sem saber, tomar consciência que o AMOR é TEMPO, o tempo que se oferece ao outro, as palavras trocadas, os carinhos, a atenção e o silêncio do olhar. O tempo em que cada momento É. Mais nada, simplesmente É. Porque ao contrario dos outros momentos todos, que não são, o momento de amar é vida. Entrego-me então sem limites, entrego-me então até ao fim... quando bebo as palavras, os olhares, quando me deixo inundar por novos gostos, novos cheiros, quando o silêncio geme um sentir em segredo único e irrepetivel. O momento em que nos entregamos um ao outro, o momento em que nos misturamos os dois num só, em que a vida tem sentido, em que os Deuses nos invejam por sermos nesse instante mais divinos que eles. Ah, energia louca, que se bebe lentamente dos cantos da tua boca. Ah, calor imenso, que paraliza no sentimento a razão com que normalmento penso. Ah, sensação de viver, que num momento só ultrapassa até o prazer. Ah, acelarado coração, que perde um batimento na doce loucura da paixão! Ah, mas porque é que tem de ser assim, viver tão intensamnente e depois morrer no fim?
Morre só quem amou. A solidão é o despojo esquecido, abandonado, e talvez merecido de quem viveu em paixão. A solidão é o fim de quem ama... Vingança de Deuses invejosos, bruxas desiludidas, a separação de tudo, dos sonhos, dos corpos e das vidas.
Resta a consolação maior, que só a posso ter porque me lembro: Que seja infinito enquanto dure.
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa dizer do meu amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Terrivelmente verdadeiro este soneto de Vinicius. O primeiro encanto, esse momento mágico em que tudo á nossa volta se apaga e tudo o que existiu antes já não tem qualquer significado. Depois, mesmo sem saber, tomar consciência que o AMOR é TEMPO, o tempo que se oferece ao outro, as palavras trocadas, os carinhos, a atenção e o silêncio do olhar. O tempo em que cada momento É. Mais nada, simplesmente É. Porque ao contrario dos outros momentos todos, que não são, o momento de amar é vida. Entrego-me então sem limites, entrego-me então até ao fim... quando bebo as palavras, os olhares, quando me deixo inundar por novos gostos, novos cheiros, quando o silêncio geme um sentir em segredo único e irrepetivel. O momento em que nos entregamos um ao outro, o momento em que nos misturamos os dois num só, em que a vida tem sentido, em que os Deuses nos invejam por sermos nesse instante mais divinos que eles. Ah, energia louca, que se bebe lentamente dos cantos da tua boca. Ah, calor imenso, que paraliza no sentimento a razão com que normalmento penso. Ah, sensação de viver, que num momento só ultrapassa até o prazer. Ah, acelarado coração, que perde um batimento na doce loucura da paixão! Ah, mas porque é que tem de ser assim, viver tão intensamnente e depois morrer no fim?
Morre só quem amou. A solidão é o despojo esquecido, abandonado, e talvez merecido de quem viveu em paixão. A solidão é o fim de quem ama... Vingança de Deuses invejosos, bruxas desiludidas, a separação de tudo, dos sonhos, dos corpos e das vidas.
Resta a consolação maior, que só a posso ter porque me lembro: Que seja infinito enquanto dure.
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