Se vens à minha procura,
eu aqui estou. Toma-me, noite,
sem sombra de amargura,
consciente do que dou.
Nimba-te de mim e de luar.
Disperso em ti serei mais teu.
E deixa-me derramado no olhar
de quem já me esqueceu.
in As Mãos e os Frutos (XII)
Eugénio de Andrade
Os poetas não morrem, libertam-se da condição limitativa do corpo físico para se dispersarem por todos nós que o lemos e recordamos!
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segunda-feira, junho 13, 2005
terça-feira, março 01, 2005
Começo
Março. Começa agora o novo ano. No dia 21 deste mês ocorre o Equinócio da Primavera. Façamos a festa da vida. Hoje alguém me disse: quem ama a vida tem um coração enorme. E de facto assim é, para amar, aceitar e viver a vida em pleno temos de o fazer com muito, muito AMOR. Mas não esse amor de cartões de Valentim, ou sms pré-pagos e bem pagos, mas um amor permanente, duro e verdadeiro. Aquele que nos questiona, magoa e no entanto nos faz aperciar a vida. Que se celebre a Primavera com esta festa da Luz, e que agora que os dias vão começar a crescer, que se espalhe por toda a Terra e pelas nossas vidas este novo começar. Pois a vida é um momento, cada dia que nasce é um novo começo!
quarta-feira, fevereiro 16, 2005
Afinal não acabou, mana...
Tocou o telefone, do outro lado da linha ela sorrindo dizia, parece que afinal não acabou...
E era verdade, não acabou mesmo. De uma maneira estranha, isto deixava-me triste! Com o meu fatalismo português, este fado que nos faz abrir garrafas de vinho tinto e comer broa de milho encharcada em gordura de sardinha assada e azeite, acreditava piamente que ela o veria. Talvez eu não, mas ela sim o veria. Mais uma vez ponho em causa a imortalidade. Já não bastara há uns anos, essa supresa que me deixou atónito, falecera Fernado Pessa! O jornalista que relatara durante a segunda guerra mundial os bombardeios a Londres como se fossem jogos de futebol, e que eu julgara ser eterno. Pensei que seria ele a entrevistar todos os meus amigos no centenário da minha morte, mas afinal também ele morreu, nem o pedalar na bicicleta todas as amanhãs o manteve eterno... Mas agora fiquei surpreso... ela esperava que eu atendesse o telefone. Mas estes momentos de absoluta consciencia da insustentavel leveza de se ser... são para ser vividos sozinho... quando por fim o telefone se calou, tomei uma vez mais consciencia que estava vivo, que as noticias ainda decorriam e que lá fora a noite, apesar de ventosa continuava, tranquila. Abandonando-me nos braços de morfeu ainda me apeteceu confirmar-lhe: Afinal não acabou, mana...
E era verdade, não acabou mesmo. De uma maneira estranha, isto deixava-me triste! Com o meu fatalismo português, este fado que nos faz abrir garrafas de vinho tinto e comer broa de milho encharcada em gordura de sardinha assada e azeite, acreditava piamente que ela o veria. Talvez eu não, mas ela sim o veria. Mais uma vez ponho em causa a imortalidade. Já não bastara há uns anos, essa supresa que me deixou atónito, falecera Fernado Pessa! O jornalista que relatara durante a segunda guerra mundial os bombardeios a Londres como se fossem jogos de futebol, e que eu julgara ser eterno. Pensei que seria ele a entrevistar todos os meus amigos no centenário da minha morte, mas afinal também ele morreu, nem o pedalar na bicicleta todas as amanhãs o manteve eterno... Mas agora fiquei surpreso... ela esperava que eu atendesse o telefone. Mas estes momentos de absoluta consciencia da insustentavel leveza de se ser... são para ser vividos sozinho... quando por fim o telefone se calou, tomei uma vez mais consciencia que estava vivo, que as noticias ainda decorriam e que lá fora a noite, apesar de ventosa continuava, tranquila. Abandonando-me nos braços de morfeu ainda me apeteceu confirmar-lhe: Afinal não acabou, mana...
quarta-feira, novembro 10, 2004
Escolher é terrivel
"Um velho, na altura de morrer, chama os seus três filhos e diz-lhes:
- Não posso dividir por três o que possuo. Isso deixaria muito pouco a cada um de vós. Decidi dar tudo em herança ao que se mostrar o mais hábil e o mais inteligente. Ou seja: ao meu melhor filho. Pousei em cima da mesa uma moeda para cada um de vós. Pegai nelas. Aquele que, com a sua moeda, comprar com que encher o telheiro terá tudo.
Partiram, o primeiro filho comprou palha, mas só conseguiu encher o telheiro até meia altura. O segundo filho comprou sacos de penas, mas também não conseguiu encher o telheiro. O terceiro comprou apenas um pequeno objecto. Era uma vela. Aguardou a noite, acendeu a vela e encheu o telheiro de luz."
História Etíope

Terrivel é o momento em que temos de fazer escolhas, terrivel mesmo. O problema das escolhas é nunca terem só um lado. Por melhor que seja a razão de uma escolha perdemos sempre. Escolher não é só dizer que sim ao escolhido, é também dizer que não ao rejeitado. Pudesse eu ter a lucidez do terceiro filho, e fazer uma escolha simples que pudesse encher de luz todo o mundo!
- Não posso dividir por três o que possuo. Isso deixaria muito pouco a cada um de vós. Decidi dar tudo em herança ao que se mostrar o mais hábil e o mais inteligente. Ou seja: ao meu melhor filho. Pousei em cima da mesa uma moeda para cada um de vós. Pegai nelas. Aquele que, com a sua moeda, comprar com que encher o telheiro terá tudo.
Partiram, o primeiro filho comprou palha, mas só conseguiu encher o telheiro até meia altura. O segundo filho comprou sacos de penas, mas também não conseguiu encher o telheiro. O terceiro comprou apenas um pequeno objecto. Era uma vela. Aguardou a noite, acendeu a vela e encheu o telheiro de luz."
História Etíope

Terrivel é o momento em que temos de fazer escolhas, terrivel mesmo. O problema das escolhas é nunca terem só um lado. Por melhor que seja a razão de uma escolha perdemos sempre. Escolher não é só dizer que sim ao escolhido, é também dizer que não ao rejeitado. Pudesse eu ter a lucidez do terceiro filho, e fazer uma escolha simples que pudesse encher de luz todo o mundo!
segunda-feira, outubro 25, 2004
O Silêncio
Algures na Arábia, um mestre e o seu discípulo caminhavam em passo lento por um terraço, a meio da noite.
De súbito, o discípulo diz a meia voz:
- Que silêncio...
- Não digas: «Que silêncio» - aconselhou o mestre - Diz: «Não oiço nada».
(História Árabe)
Dedico esta história ao Pedro, e aos seus 16 anos de curiosidade cientifica. Estive este sábado à noite meditando com ele sobre o silêncio, e sobre as pessoas estarem preparadas ou não para o silêncio. Este tema perturba-me sempre, pois como sou um fanático da comunicação, tirando o recolhimento individual, o silêncio em conjunto parece-me sempre um desperdício da oportunidade sublime de comunicar. Como diz Jacinto Lucas Pires na sua peça "Universos e Frigoríficos": o silêncio só é onde há ruído, senão nem silêncio pode ser!
Havia um poeta popular que gritava: se eu depois de morto vou em silêncio, então que fale agora enquanto a vida mo permite!
É assim que eu vejo o mundo ao meu redor, um mundo que não está em silêncio, mas dele não oiço nada!
De súbito, o discípulo diz a meia voz:
- Que silêncio...
- Não digas: «Que silêncio» - aconselhou o mestre - Diz: «Não oiço nada».
(História Árabe)
Dedico esta história ao Pedro, e aos seus 16 anos de curiosidade cientifica. Estive este sábado à noite meditando com ele sobre o silêncio, e sobre as pessoas estarem preparadas ou não para o silêncio. Este tema perturba-me sempre, pois como sou um fanático da comunicação, tirando o recolhimento individual, o silêncio em conjunto parece-me sempre um desperdício da oportunidade sublime de comunicar. Como diz Jacinto Lucas Pires na sua peça "Universos e Frigoríficos": o silêncio só é onde há ruído, senão nem silêncio pode ser!
Havia um poeta popular que gritava: se eu depois de morto vou em silêncio, então que fale agora enquanto a vida mo permite!
É assim que eu vejo o mundo ao meu redor, um mundo que não está em silêncio, mas dele não oiço nada!
quinta-feira, setembro 30, 2004
Código da Vinci
De tempos a tempos aparece um livro que se torna fenómeno de vendas, o que imediatamente provoca dois efeitos:
- Primeiro, alguém vai ganhar muito dinheiro.
- Segundo, alguém que nunca leu uma obra completa vai fazê-lo pela primeira vez.
Pessoalmente invisto uma boa parte do meu dinheiro em livros. Tenho esta paixão desmedida pela leitura desde pequeno, e fico contente por saber que os livros ainda despertam novas paixões.
Nesta época em que o Harry Potter é o livro mais vendido do mundo - ou melhor, os livros - pois cada novo livro parece ser um sucesso igualando ou superando o seu precessor - só me posso sentir contente por tal facto.
Este verão ninguém conseguiu passar ao lado do livro de Dan Brown: O CÓDIGO DA VINCI. O sucesso da obra foi tal que imediatamente as editoras encheram o mercado de livros complementares, suplementares e auxiliares à obra. Mas que verdades nos revela o livro? De que maneira muda ele a nossa perspectiva da arte, da sociedade, da religião, a imagem de Leonardo - para mim o único génio completo desde Arquimedes - dá-nos respostas ou acrescenta-nos mais interrogações?
Será que a obra atinge todos da mesma maneira? Levanta a todos as mesmas problemáticas? Será mera ficção, ou esconderá um trabalho cientifico sério e bem documentado?
- Primeiro, alguém vai ganhar muito dinheiro.
- Segundo, alguém que nunca leu uma obra completa vai fazê-lo pela primeira vez.
Pessoalmente invisto uma boa parte do meu dinheiro em livros. Tenho esta paixão desmedida pela leitura desde pequeno, e fico contente por saber que os livros ainda despertam novas paixões.
Nesta época em que o Harry Potter é o livro mais vendido do mundo - ou melhor, os livros - pois cada novo livro parece ser um sucesso igualando ou superando o seu precessor - só me posso sentir contente por tal facto.
Este verão ninguém conseguiu passar ao lado do livro de Dan Brown: O CÓDIGO DA VINCI. O sucesso da obra foi tal que imediatamente as editoras encheram o mercado de livros complementares, suplementares e auxiliares à obra. Mas que verdades nos revela o livro? De que maneira muda ele a nossa perspectiva da arte, da sociedade, da religião, a imagem de Leonardo - para mim o único génio completo desde Arquimedes - dá-nos respostas ou acrescenta-nos mais interrogações?
Será que a obra atinge todos da mesma maneira? Levanta a todos as mesmas problemáticas? Será mera ficção, ou esconderá um trabalho cientifico sério e bem documentado?
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