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sexta-feira, outubro 07, 2005

O dia em que a Terra parou

Estava tudo perdido mas ninguém se importava
Ninguém estava contente com a vida que levava
Mas houve uma altura em que tudo mudou
Foi num certo dia em que a Terra parou

Um político cumpriu tudo o que prometeu
Mesmo as velhas promessas que o povo esqueceu
E sentiu-se tão bem que o seu cargo deixou
Foi na manhã do dia em que a Terra parou

Um artista de circo escorregou e ao cair
Viu pela primeira vez o público a sorrir
Bateram-lhe palmas mas ele morto ficou
Foi na tarde do dia em que a Terra parou

E a mulher do padeiro que dormia de dia
Passou a faze-lo de noite como lhe competia
Recordo a alegria com que o padeiro ficou
Na noite do dia em que a Terra parou

Parecia que a vida ia toda mudar
Que todo mundo podia enfim festejar
Mas a Terra moveu-se e de novo rodou
E acabou o dia em que Terra parou.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Um passo mais

Segui na noite
Por entre os becos
Fugindo sempre
Dos mesmos medos

Lutar por ser
Querer viver
Meter na vida
A fantasia da alegria

Na beira do abismo
Um passo mais
Um passo a mais
Um passo de mais!

terça-feira, outubro 04, 2005

Ter loucura sem ser doida

Há quanto tempo foi?
Há quanto tempo foi que te deixaste ir na loucura sem ser doida?
Estava o Sol exactamente no mesmo sítio,
E no ar havia os risos de gente que já cá não está.
Há quanto tempo foi?
Há quanto tempo foi que a porta se fechou,
E tu de pé eras maior que o mundo todo?
E os tons de azul, o silêncio e os cheiros inundavam o ar,
E as bocas se aproximaram, muito devagarinho para se beijar?
Há quanto tempo foi?
Há quanto tempo foi que a janela se fechou,
E a cama testemunhou a loucura de estar ali,
Completamente,
Um do outro... como se nada mais existisse senão nós?
Não seria isso ter loucura sem ser doida?
Há quanto tempo foi?
Que os nossos corpos se tocaram, se sentiram, se amaram,
E no suave mumúrio da voz,
dissemos pela primeira vez, "nós"!
Há quanto tempo foi?
Há quanto tempo foi que vivemos sem leis fatais,
Que não quisemos entender, apenas amar e viver?
É bom ser inteligente e não entender!
É bom quando para nós o amar é viver,
É bom quando sentimos que a vida nos corre nas veias,
Quando sentimos que o coração quer rebentar,
Quando o desejo cresce, um no outro até aos momentos finais,
E no momento do prazer, toda a alma dizer: "Quero mais. quero mais"?
Há quanto tempo foi?
Há quanto tempo foi que celebramos a vida, a alegria e o amor?
Há quanto tempo foi que a porta se fechou pela última vez,
e o cheiro da pele molhada se dissipou no ar?
Não preciso de entender, vivi e sei que foi verdadeiro,
Recordo cada momento, cada sentimento, sem último e sem primeiro!
No momento em que nos amavamos mais ninguém podia amar,
Porque todo o amor do mundo, do mais discreto ao mais profundo,
Estava lá connosco, no ar.
Há quanto tempo foi?

segunda-feira, outubro 03, 2005

Corpos - No dia do Eclipse Solar

Meu corpo quente em que te encostas
Teu corpo frio em contraste com o coração
Teu interior feminino onde arde a paixão.

Deslizas suave sobre mim,
Numa dança que nos embala, atrasando o fim.
Uma entrega total,
Corpo sombra, corpo luz.
Nesse aroma intenso que nos invade e seduz.

Um movimento firme, uma boca que morde
Um abraço apertado, mão que agarra forte.

Com o grito surdo que só nós ouvimos
gritamos a magia que nos corpos sentimos
A pele larga a loucura, numa paz que acalma,
E numa magia contemplamos dentro dos olhos a alma.

Este é o momento supremo em que a vida faz sentido
Quando este corpo que tenho está fundido contigo!

terça-feira, setembro 27, 2005

Nada em ti

Há uma folha branca sobre a mesa de tábua
em que te desenho.
Em que ponho tudo o que de ti sei, vejo ou sinto.
Desenho simples, a preto...
Quero pôr no papel tudo o que um dia senti.
Guardar para mim as memórias todas.
Nada em ti!

domingo, agosto 21, 2005

(In)fertilidade

Seco,
frio, morto,
solo, sozinho, incerto,
desejo, imenso, louco,
fogo, calor, deserto.

Doce,
leite, mel,
surdo, mudo, quedo,
ciúme, amargo, fel,
vazio, estéril, medo.

Verdade,
palavra, sentir,
busca, felicidade,
flor, perfume, abrir,
terra, mãe, fertilidade!

terça-feira, julho 05, 2005

Canela

Descubro-te em segredo
no receio tenho medo
de não ser quem tu desejas

Vai-se embora a ansiedade
pois só quem ama de verdade
me beija como tu beijas

Olho-te nos olhos, mulher
Deus criou-te a mais bela
com o teu sabor tão doce
e o teu cheiro a canela!

segunda-feira, junho 13, 2005

Comunista até morrer

Pero,

portugués de la calle,

entre nosotros,

nadie nos escucha,

sabes

dónde

está Álvaro Cunhal?


Pablo Neruda in La Lámpara Marina





A Álvaro Cunhal...


Levas na mão a bandeira
vermelha do povo em luta,
na alma o fogo ardente
na voz o lamento da gente
que em silêncio te admira
e com atenção te escuta.

Rompe o céu de peito aberto
que o paraíso é certo
para quem morre a lutar.
Pobres Sachos pequeninos
Que dizem ser moinhos
Os gigantes a derrubar.

Hipocrisia política
destes verbos de encher!
Oh idealista nascido
derrotado mas não vencido,
Comunista até morrer.

Hoje deitei-me ao lado da minha solidão...

Se vens à minha procura,
eu aqui estou. Toma-me, noite,
sem sombra de amargura,
consciente do que dou.

Nimba-te de mim e de luar.
Disperso em ti serei mais teu.
E deixa-me derramado no olhar
de quem já me esqueceu.


in As Mãos e os Frutos (XII)
Eugénio de Andrade

Os poetas não morrem, libertam-se da condição limitativa do corpo físico para se dispersarem por todos nós que o lemos e recordamos!

quarta-feira, maio 11, 2005

O Canto dos Poetas (ao 8ºB)

É urgente amar a poesia
descobrir nas searas
nas pedras e nos rios
as manhãs claras
os lençois frios
E os leitos onde nada se demora
Abrir a porta, ir embora.

Ergue-se alto e pálido
Com a facha em riso aberta
Fugido por um só instante
Da cova escura deserta
Na procura das moças mil,
Esse varão ousado e vil.

Era enorme a sua loucura
Só em verso se fez feliz
Foi por falta de ternura
Que bebeu cícuta em Paris
Mas deixou o desejo
Para o último momento,
Palhaços,latas e acrobatas,
O caixão sobre um jumento!

Sem rodanas nem alavancas
Ele faz avançar o mundo
Com sonho mais profundo
Entre as mãos das crianças.
Tambem cantou caravelas,
Ouro, canela e infantes.
Onde nós vemos moinhos
O poeta dos caminhos,
não se rende - vê gigantes.

Olham-te, apontam e acusam,
porque não desistes de ser
Poeta e ser mulher
Ninguém te pôs na ordem
Pois a tua natureza,
É ser pássaro voando
Abrindo asas à beleza!
Ainda tentaste ensinar,
o que não é fácil de entender
todo o que tem fome do sonho
tem a poesia - pra comer!

quarta-feira, março 02, 2005

Fidelidade.. segundo Vinicius de Morais

SONETO DE FIDELIDADE (Vinicius de Morais)


De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa dizer do meu amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.



Terrivelmente verdadeiro este soneto de Vinicius. O primeiro encanto, esse momento mágico em que tudo á nossa volta se apaga e tudo o que existiu antes já não tem qualquer significado. Depois, mesmo sem saber, tomar consciência que o AMOR é TEMPO, o tempo que se oferece ao outro, as palavras trocadas, os carinhos, a atenção e o silêncio do olhar. O tempo em que cada momento É. Mais nada, simplesmente É. Porque ao contrario dos outros momentos todos, que não são, o momento de amar é vida. Entrego-me então sem limites, entrego-me então até ao fim... quando bebo as palavras, os olhares, quando me deixo inundar por novos gostos, novos cheiros, quando o silêncio geme um sentir em segredo único e irrepetivel. O momento em que nos entregamos um ao outro, o momento em que nos misturamos os dois num só, em que a vida tem sentido, em que os Deuses nos invejam por sermos nesse instante mais divinos que eles. Ah, energia louca, que se bebe lentamente dos cantos da tua boca. Ah, calor imenso, que paraliza no sentimento a razão com que normalmento penso. Ah, sensação de viver, que num momento só ultrapassa até o prazer. Ah, acelarado coração, que perde um batimento na doce loucura da paixão! Ah, mas porque é que tem de ser assim, viver tão intensamnente e depois morrer no fim?

Morre só quem amou. A solidão é o despojo esquecido, abandonado, e talvez merecido de quem viveu em paixão. A solidão é o fim de quem ama... Vingança de Deuses invejosos, bruxas desiludidas, a separação de tudo, dos sonhos, dos corpos e das vidas.

Resta a consolação maior, que só a posso ter porque me lembro: Que seja infinito enquanto dure.

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Perguntaste-me hoje...

Perguntaste-me hoje,
Com esse sorriso tímido que nunca esquecerei,
As mais complicadas perguntas que já ouvi.
Perguntaste-me hoje, do fundo de ti.

Como responder com a verdade que mereces?
A verdade é fria e faz a gente crescer,
E por em causa tudo aquilo que levámos anos a aprender.

Se eu te pudesse responder com a mesma verdade
com que a menina, defronte da tabacaria, come chocolates.

É tão sincera a tua dúvida e a tua curiosidade,
Que nada mais merece senão a verdade.

Mas eu sei que não tenho o direito de te estragar o sonho.
Eu não posso, nem quero, que deixes já de sonhar!

Mas perturba-me e peço ajuda a quem me possa ajudar,
Como se explica o que é "sedução" a uma menina,
Que tem, ainda, muito tempo para sonhar?

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Apressa-te, amor, que amanhã eu morro, e não te vejo!

Canção (Cecília Meireles)

Não te fies do tempo nem da eternidade,
que as nuvens me puxam pelos vestidos
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!

Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
o lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te escuto!

Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo...
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te digo...


Se a vida é curta, intensa e bela, mas irremediavelmente curta. Falhamos quando não a saboreamos plenamente em todo o momento. Amar, essa urgência natural do ser pensante, que é no fundo a única razão de se ser. Pois o amor é, nada mais que a propria vida. Nele se gera vida, sem ele não há vida.
Quando passamos um dia a fugir do amor, estamos a fugir da própria vida, do sabor do que é ESTAR VIVO.
Amar é a aventura de viver, o momento, o tempo. Quando magoamos quem amamos, quando sentimos e negamos, quando para justificar a razão de não amar inventamos e imaginamos, estamos à espera de um amanhã em que tudo será diferente... e talvez até seja. Mas perdemos o hoje, negamos o desejo e pode ser que amanhã eu morra e já te não vejo!

sexta-feira, dezembro 31, 2004

Instante

Calmo azul infinito
No areal branco e quente
Repouso merecido
Muitos chapéus muita gente

Azul de um mar profundo
Azul mais azul que o céu
Estava um dia tão lindo
Na manhã em que a terra tremeu

No quarto de hotel tremiam
Paredes soltavam-se sorrisos
Mas nem meia hora passada
Havia confusão e gritos

E assim se prova mais uma vez
como a Natureza é inconstante
Demora séculos a criar
E destroi tudo num instante.

segunda-feira, dezembro 13, 2004

Criar

Criar

Do nada que tens na mão
Uma folha branca de papel
Faz um mundo novo

Rasga-a com os dedos,
Com o teu olhar,
Ou com o teu coração

Rasga-a!

Abre-a, abre-te...
como a crisálida,
e cria.

É alma feita verso
a que chamamos poesia!



É um prazer ver nascer em vós a magia da criação. Que as vossas mãos sejam sempre capazes de criar novos mundos, a ver se um dia acertam com a fórmula e todos os sonhos do Mundo se libertam. Não sou eu que escolho o vosso caminho, são vocês que despertam! À minha turma do 8ºB, pela alegria que é lê-los criar poesia!

segunda-feira, setembro 20, 2004

Arlequim

Sai da tela o Arlequim
Sai do palco, e das cantigas
Sai dos poemas rebeldes
Dos beijos das raparigas

Leva a esperança contigo
Leva o sonho até ao fim
Poeta, actor, amigo
Mestre, artista... e Arlequim

Sair do Quadro para a Vida Posted by Hello

terça-feira, setembro 07, 2004

ArteLOUCURA

Vi, Sente

Quis fazer porque quis,
Como se a minha vida dependesse disso,
E nada tinha sentido,
Nem antes, nem depois de o fazer.
Mas a urgência de criar é tanta,
Que tudo fica toldado
Menos o cavalete em que descansa
O quadro, ainda fresco, pintado.