É impossível ficar indiferente ás palavras sentidas deste poeta urbano de 16 anos que tive o privilégio de conhecer numa tertúlia em Caneças.
domingo, dezembro 13, 2009
segunda-feira, novembro 30, 2009
Diz (uma oração no silêncio)

Foto de João Pedro Sousa
Escuta, já é só silêncio
E está frio aqui.
Escuta, há um espaço imenso
Onde antes estavas tu
E eu nem notava o quanto ele ocupava.
Escuta, está cada vez mais frio
Aqui, onde o silêncio invade
Tudo e o preenche de nada.
Agora fala, diz uma palavra
Para que eu entenda.
Para que acredite.
Para que aprenda.
Rasga de uma vez este muro
frio, esta pedra que nos separa
de forma tão crua
quanto definitiva.
Faz do silêncio a esperança
que a realidade me nega
e diz que tudo tem sentido.
Diz, diz tu, que eu não consigo!
Alexandre
quinta-feira, novembro 26, 2009
Mumúrios
"Whisper" by Maria Hathaway Spencer
Primeiro a consciência plena de mim,
O primeiro passo é sempre
O começo do fim.
Depois o silêncio, a calma profunda,
O esquecer a vida.
E, então, rasgando a vontade
Como uma ave que mergulha no azul do mar,
O desejo que, inexoravelmente, se deixa afogar.
Saltam da memória texturas, aromas,
Santinhas pintadas de azul,
Desfiar de credos e orações.
Depois, ganham ritmo obscenidades,
Insultos, palavrões…
Vagas imensas, penedos rijos,
Espumas frementes.
Línguas, lábios, dedos,
Cabelos mordidos,
Esmagados nos dentes.
E depois Hiroxima, Nagasaki,
Balões de S. João pela noite a voar,
Fogo de artificio no parque,
Sétimo céu, o sétimo sou eu:
E já nada te impede de gritar!
Uma pausa, e o titã adormecido,
Jaz na praia estendido,
Incapaz de articular,
E seus olhos, são prata, são ouro, mercúrio,
E o silêncio se gasta,
No inteligir dum murmúrio.
Alexandre
segunda-feira, novembro 16, 2009
O Silêncio
Por mais que me digam
Que é Natural,
Que faz parte da vida,
A verdade é que,
Quando alguém parte,
Fica um silêncio medonho.
Que é Natural,
Que faz parte da vida,
A verdade é que,
Quando alguém parte,
Fica um silêncio medonho.
quinta-feira, outubro 29, 2009
Muros - As palavras são pontes.

Imagem retirada daqui
As palavras são pontes por cima dos muros.
São navios sulcando o mar
São sonhos, são desejos, são segredos,
São criatividade, são amizade, são confiança,
São sensações novas.
E as palavras escrevem livros,
Idealizam filmes
Criam canções
Pintam quadros
As palavras nascem de todo o lado
Brotam de um texto,
De uma imagem,
De um som,
E saiem dos meus dedos,
Dos meus lábios
E dos meus olhos,
Para que as vejas,
Para que te beijem
Para que te toquem
E te acariciem.
Para te fazer sentir,
Para te fazer adivinhar
mais do que dizem,
o todo imenso que fica por dizer.
domingo, outubro 25, 2009
Muros - Chão, bancos, cadeiras e poltronas.

Foto de Paulo Pimenta in Blographo
O trono do rei gordo,
por maior que seja,
é cheio até ao bordo,
o espaço não sobeja.
O senhor marquês,
na sua poltrona,
vai alternando a vez
com a sua matrona.
Até as bancadas,
lá do parlamento,
têm almofadas
em cima do assento.
E o Zé Ninguém,
que é gente vulgar,
tem uma cadeira
para se sentar.
Há quem use os bancos
de um modo especial,
eu sento-me e peço
um prego e uma imperial.
Depois ainda há gente,
de mais baixa condição,
que dispensa a cadeira
e senta-se no chão.
Se não há diferença
no homem todo nu,
porquê dar importância
a onde ele põe o cu?
quinta-feira, outubro 15, 2009
Muros - Não me deixei vencer

Pic: http://www.claybennett.com/images/archivetoons2/us_border.jpg
Naquele dia chegaste sem alegria no rosto
e o olhar vazio de quem já não está.
Fizeste um traço no chão
e eu fiquei do lado de cá.
Tinhas tábuas compridas
Novinhas, polidas, em pinho tratado.
Cavaste um fosso
por cima do risco que tinhas traçado.
Num saco trazias martelos, gazuas,
e um berbequim.
Arrancaste a relva,
furaste a terra, estragaste o jardim.
Saltavam aparas, tábuas pequenas,
e pregos partidos.
E em pouco tempo ficámos divididos.
Deixei de te ver, escondida que estavas
pela paliçada.
Não me deixei vencer,
E com os restos caídos eu fiz uma escada!
"Muros" é um projecto Homens Felizes
segunda-feira, outubro 05, 2009
Muros - Fronteira

Post original aqui.
Desenhei um traço no chão
De um lado um irmão
Do outro, outro irmão.
De um lado ficaram os altos
Os loiros, os magros
Os de olhos claros,
Os de cabelo liso!
Do outro, ficaram os baixos
Morenos, entroncados
De olhos escuros
Cabelos encaracolados.
Proibi palavras e gestos
Cantigas sabidas de cor,
Proibi os olhares ternos
Os desejos e o Amor.
De um lado havia dinheiro
Roupas e o que comer
Do outro era tudo um jogo
Ter de vencer ou morrer.
Dividi países, cidades, ruas,
Construí muros, cavei valas,
E na terra de ninguém
Semeei minas e chovi balas.
Por fim dividi-me a mim,
Pelo meio do coração,
Descobri que a fronteira,
Não é um traço no chão!
quarta-feira, setembro 09, 2009
Enquanto os balões voarem
Enquanto o céu for azul,
E a brisa soprar no meu rosto.
Enquanto a música me encher o coração,
e o calor do sol trouxer rubor às tuas faces.
Enquanto as palavras que semeei dentro de mim
derem fruto.
Enquanto o meu coração tiver olhos,
o meu desejo tiver mãos e pele e corpo,
e o meu sentir tiver boca.
Por mais que a realidade me sufoque.
as notícias me angustiem,
E a morte me persiga.
Enquanto os balões coloridos se levantarem no ar,
há sempre razão para sorrir.

Fot0: USA HotAir
terça-feira, setembro 08, 2009
Petição para isenção de direitos de autor em Teatro não profissional
Teatro não Profissional isento de Direitos de Autor
É uma questão pertinente, temos de pagar para poder mostrar as peças, esta ideia é boa.
É uma questão pertinente, temos de pagar para poder mostrar as peças, esta ideia é boa.
sexta-feira, setembro 04, 2009
Sou Eu
Estava aqui preocupado nos meus pensamentos. Os lapsos de memória que nos últimos meses me têm atormentado estão cada vez piores e ,depois de ler tanto desde ontem sobre o Jornal Nacional da TVI com toda a gente a negar responsabilidade na decisão de acabar com o dito telejornal, cheguei à única conclusão possível: o responsável pelo fim do JN-sexta da Manuela Moura Guedes, não é Sócrates, não é o Governo, não é a Oposição, não é a Prisa e não é a Mediacapital... SOU EU
sexta-feira, agosto 28, 2009
Jovens da Ramada recebem medalha de honra.
Na passada terça-feira, 25 de Agosto, a Associação Sócio Cultural Jovens da Ramada (ASCJR) recebeu a Medalha de Honra da Junta de Freguesia da Ramada durante a sessão solene da celebração do 20º aniversário da freguesia. Foi com imensa alegria que vi reconhecido o trabalho, o que muito raramente acontece, das centenas de jovens que ao longo de vários anos têm abraçado o Projecto Jovens da Ramada.

O Presidente da ASCJR, João Pedro Sousa, recebendo a medalha das mãos da Vogal da Juventude e Multiculturalidade, Ana Monteiro . Com tanta fotografia que publicou com a notícia o Jornal de Odivelas não publicou nenhuma deste momento, se precisarem podem sempre copiar daqui.
Pertencer a este projecto é, sobretudo, acreditar que os sonhos são possíveis. É um espaço de descoberta e partilha onde vivências diferentes se encontram e trabalham em conjunto para um mesmo fim. É, também, um espaço de auto descoberta, várias são as histórias de gente que se aproximou para fazer teatro e a acabou a tocar e a cantar, ou que queriam aprender a tocar e às tantas já estavam envolvidos em projectos de teatro, organização de eventos, tertúlias e até em Marchas Populares.
Os segredos da sobrevivência deste projecto são simples:
- Ter objectivo, quanto mais difícil melhor.
- Ter uma identidade cristã, humana, atenta baseada na multiplicidade dos jovens que se reúnem para conquistar novos desafios.
- Aceitar que a diferença valoriza o grupo.
Depois há ainda o tempero de vontade e capacidade de trabalho. Ao contrário de muitos outros grupos não somos um grupo de amigos que se reúne e daí se gera trabalho, somos um grupo de trabalho de onde nasce amizade.
A ASCJR é apenas a face mais visível de um projecto de dinamização cultural que já deu origem ao Rancho Folclórico da Ramada, ao Grupo de Teatro Alquimia do Sonho, ao Grupo de Intervenção Urbana Homens Felizes e a vários projectos musicais como os Trovas Urbanas, ENTE – Estranhos Numa Terra Estranha, Banda da Feliz Idade e Milkshake Leftovers.
Infelizmente a Câmara Municipal de Odivelas e a Municipália, EM insistem em ignorar o potencial desta associação (a única do concelho para além das associações de estudantes e dos escuteiros) e mais uma vez se esqueceu de convidar o Grupo de Teatro Alquimia do Sonho para a mostra de teatro amador que vai decorrer em Outubro na Malaposta. Felizmente há outras Câmaras Municipais que, para além de estimularem o associativismo juvenil local, ainda abrem as portas dos seus espaços a grupos como o nosso. Deixo aqui o meu agradecimento aos Municípios do Sardoal, Loures, Sertã, Sintra, Cascais, Oeiras e Sobral de Montagraço pelo carinho com que nos recebem. E à Junta de Freguesia da Ramada mais do que pela medalha, por todo o carinho e apoio que nos tem dado ao longo de toda a nossa existência.
Por muito que me nos façam, não nos podemos esquecer que somos felizes!

O Presidente da ASCJR, João Pedro Sousa, recebendo a medalha das mãos da Vogal da Juventude e Multiculturalidade, Ana Monteiro . Com tanta fotografia que publicou com a notícia o Jornal de Odivelas não publicou nenhuma deste momento, se precisarem podem sempre copiar daqui.
Pertencer a este projecto é, sobretudo, acreditar que os sonhos são possíveis. É um espaço de descoberta e partilha onde vivências diferentes se encontram e trabalham em conjunto para um mesmo fim. É, também, um espaço de auto descoberta, várias são as histórias de gente que se aproximou para fazer teatro e a acabou a tocar e a cantar, ou que queriam aprender a tocar e às tantas já estavam envolvidos em projectos de teatro, organização de eventos, tertúlias e até em Marchas Populares.
Os segredos da sobrevivência deste projecto são simples:
- Ter objectivo, quanto mais difícil melhor.
- Ter uma identidade cristã, humana, atenta baseada na multiplicidade dos jovens que se reúnem para conquistar novos desafios.
- Aceitar que a diferença valoriza o grupo.
Depois há ainda o tempero de vontade e capacidade de trabalho. Ao contrário de muitos outros grupos não somos um grupo de amigos que se reúne e daí se gera trabalho, somos um grupo de trabalho de onde nasce amizade.
A ASCJR é apenas a face mais visível de um projecto de dinamização cultural que já deu origem ao Rancho Folclórico da Ramada, ao Grupo de Teatro Alquimia do Sonho, ao Grupo de Intervenção Urbana Homens Felizes e a vários projectos musicais como os Trovas Urbanas, ENTE – Estranhos Numa Terra Estranha, Banda da Feliz Idade e Milkshake Leftovers.
Infelizmente a Câmara Municipal de Odivelas e a Municipália, EM insistem em ignorar o potencial desta associação (a única do concelho para além das associações de estudantes e dos escuteiros) e mais uma vez se esqueceu de convidar o Grupo de Teatro Alquimia do Sonho para a mostra de teatro amador que vai decorrer em Outubro na Malaposta. Felizmente há outras Câmaras Municipais que, para além de estimularem o associativismo juvenil local, ainda abrem as portas dos seus espaços a grupos como o nosso. Deixo aqui o meu agradecimento aos Municípios do Sardoal, Loures, Sertã, Sintra, Cascais, Oeiras e Sobral de Montagraço pelo carinho com que nos recebem. E à Junta de Freguesia da Ramada mais do que pela medalha, por todo o carinho e apoio que nos tem dado ao longo de toda a nossa existência.
Por muito que me nos façam, não nos podemos esquecer que somos felizes!
domingo, agosto 02, 2009
Our secret life
Sou eu... lembras-te?
E poderia eu esquecer a tua voz?
Estou diferente...
Estamos diferentes!
Posso?
Podes sempre...
Agora?
Agora não, mais tarde.
Fiz a peça, mas tu não vieste!
Não me disseste.
Tu fugiste, lembras-te?
Tinha de ser,
não aguentava a pressão,
a incerteza, a mentira...
Tens ido a Sintra?
Há sítios mais mágicos...
Quais?
Praias de areia fininha onde és sempre menina...
Cala-te.
Falo de mais?
Falas sempre de mais!
Porque tu não me ouves...
Parvo!
Queria perceber... Explicas-me?
Talk to the hand...
Já sei: ... 'cause the face isn't listening!
Aprendeste algumas coisas comigo...
É, eu gosto muito de aprender, nem sempre gosto é de ser ensinado!
Estúpido!
Há coisas que não mudam...
Muda tudo...
Eu não mudo...
Talvez seja isso que tens de pior em ti...
A imutabilidade?
A falta de consciência!
Sentes culpa?
Sinto sempre...
Vais desligar?
Vou...
Voltamos a falar?
Um dia... who knows?
Lua Cheia

Lua amiga e companheira
Que iluminas o breu secular
Da noite longa e derradeira
Em que serena respiro
E nas estrelas aspiro
A ânsia de te amar.
Redonda, grande e branca
Clara, amiga e franca
Ó lua cheia eterna
Que na tua beleza serena
Encontro o sentido de amar
E a vontade de sonhar
Luar brilhante obscuro
Em que profundamente procuro
O sentido da minha vida
Que por ironia do destino
Pensava para sempre perdida
No ser de outrora sem tino.
L. Santos
quinta-feira, julho 09, 2009
Isólito - 1
Este ano foi me dado
um privilégio especial
corrigir provas do sexto
a um nível nacional.
Recebi duas escolas
cinquenta provas no total
Vou-vos aqui falar
da que achei sensacional
Na décima terceira questão
Sugeria o enunciado:
com o material solicitado
desenhe uma circunferência
O aluno com imaginação
E com todo o seu cuidado
Desenhou-me um quadrado
com toda a eficiência...

Nota: O quadrado está bem desenhado e tem
exactamente os 8,0 cm pedidos no enunciado.
um privilégio especial
corrigir provas do sexto
a um nível nacional.
Recebi duas escolas
cinquenta provas no total
Vou-vos aqui falar
da que achei sensacional
Na décima terceira questão
Sugeria o enunciado:
com o material solicitado
desenhe uma circunferência
O aluno com imaginação
E com todo o seu cuidado
Desenhou-me um quadrado
com toda a eficiência...

Nota: O quadrado está bem desenhado e tem
exactamente os 8,0 cm pedidos no enunciado.
quarta-feira, julho 08, 2009
Sinto
Sinto a tua falta, há mais de dois anos que te não vejo. Tenho-te, no entanto, presente em cada pormenor: o som da tua voz, a luz do teu sorriso, a acutilância do teu olhar. Ainda te vejo saltitando descalça a caminho da casa-de-banho, e quando me apanhavas a rir desculpavas-te que não sabias andar sem saltos altos. Era leve então o teu riso, o teu perfume enchia o ar como a tua presença enchia o meu mundo. E eu, sem saber, era feliz. Sinto falta de ir às compras contigo, de escolhermos as especiarias, os ingredientes secretos, de inventarmos pratos novos. Sinto falta de uma boa refeição, de comer. E de repente ocorre-me tudo o que era nosso, as nossas músicas, os nossos filmes, as expressões de que nos apropriámos. E agora é tudo recordações, nada mais. Sinto falta de ti, sinto falta de tudo. Tento virar-me mas não consigo. Não me habituo à exiguidade deste pequeno quarto, à constante escuridão e a este cheiro adocicado a terra húmida.
sábado, junho 27, 2009
Poetry Slam - 3
Foi giro, foi sobretudo uma oportunidade para aprender.
Estou, por exemplo, a tentar aprender a ver o lado espirituoso dos versos da Brisa:

Foto em http://bibliotecariodebabel.com
Mas está difícil.
Estou, por exemplo, a tentar aprender a ver o lado espirituoso dos versos da Brisa:

Foto em http://bibliotecariodebabel.com
Mas está difícil.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


