quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Chama - A Partir de uma fotografia de Luciana Fonseca


De Mrs. Lucciana • Albuns: Fotografias

Sinto o teu calor
e a luz intensa
no secreto arder
que me atormenta

Quero er pavio
que a tua chama
alimenta

Quero que me guardes
me protejas do frio.

Quero ser leite no teu mel,
ser fluxo no teu rio.

Por mais quente a chama,
conforta sem queimar
aquele que ama
aquele que a ousa amar!

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

SE...



Se o Sol gravasse no teu peito o meu nome
Se em labaredas acendesse o desejo
E a tua carne em vermelho fogo
Consumisse os meu dedos?

E sem mãos não pudesse mais escrever.

E se num louco beijo perdesse a língua
E num abraço os braços,
E os olhos cegassem ao ver-te.

Que seria eu?

Sem palavras escritas,
falada ou ditas
num olhar cúmplice
e silencioso .

É que o amor não se faz mudo,
E o poeta sem dizer
é um amante castrado
que não merece viver!

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Anjo perdido

Sou anjo sujeito ao demónio maroto que me atormenta.
Mostra o inferno de portas douradas que muito me tenta!
Fala de amor, de carne, prazer e de sedução.
E me deixa sonhar, me deixa perder, me turva a razão.

E tu me disseste, na calada da noite, que rezasse sozinho.
Que no escuro procurasse, até encontrar o mais certo caminho.

Ouvi tua voz, que falava baixinho, chamava por mim.

Sou anjo perdido e, eternamente, serei assim!



Francisco Goya - O Sono da Razão

domingo, janeiro 03, 2010

Paradigma tempo

É lenta a madrugada
mas o crepúsculo
cede breve ao escuro
à noite cerrada.

É estranho,
será só para mim?

Tão lento o começo,
tão fugaz o fim!

domingo, dezembro 13, 2009

Rafa Freitas - A força de um poema

É impossível ficar indiferente ás palavras sentidas deste poeta urbano de 16 anos que tive o privilégio de conhecer numa tertúlia em Caneças.

segunda-feira, novembro 30, 2009

Diz (uma oração no silêncio)


Foto de João Pedro Sousa


Escuta, já é só silêncio

E está frio aqui.

Escuta, há um espaço imenso

Onde antes estavas tu

E eu nem notava o quanto ele ocupava.

Escuta, está cada vez mais frio

Aqui, onde o silêncio invade

Tudo e o preenche de nada.

Agora fala, diz uma palavra

Para que eu entenda.

Para que acredite.

Para que aprenda.


Rasga de uma vez este muro

frio, esta pedra que nos separa

de forma tão crua

quanto definitiva.


Faz do silêncio a esperança

que a realidade me nega

e diz que tudo tem sentido.


Diz, diz tu, que eu não consigo!


Alexandre

quinta-feira, novembro 26, 2009

Mumúrios


"Whisper" by Maria Hathaway Spencer

Primeiro a consciência plena de mim,
O primeiro passo é sempre
O começo do fim.
Depois o silêncio, a calma profunda,
O esquecer a vida.
E, então, rasgando a vontade
Como uma ave que mergulha no azul do mar,
O desejo que, inexoravelmente, se deixa afogar.

Saltam da memória texturas, aromas,
Santinhas pintadas de azul,
Desfiar de credos e orações.
Depois, ganham ritmo obscenidades,
Insultos, palavrões…
Vagas imensas, penedos rijos,
Espumas frementes.
Línguas, lábios, dedos,
Cabelos mordidos,
Esmagados nos dentes.

E depois Hiroxima, Nagasaki,
Balões de S. João pela noite a voar,
Fogo de artificio no parque,
Sétimo céu, o sétimo sou eu:
E já nada te impede de gritar!

Uma pausa, e o titã adormecido,
Jaz na praia estendido,
Incapaz de articular,
E seus olhos, são prata, são ouro, mercúrio,
E o silêncio se gasta,
No inteligir dum murmúrio.

Alexandre

segunda-feira, novembro 16, 2009

O Silêncio

Por mais que me digam
Que é Natural,
Que faz parte da vida,

A verdade é que,
Quando alguém parte,
Fica um silêncio medonho.

quinta-feira, outubro 29, 2009

Muros - As palavras são pontes.



Imagem retirada daqui


As palavras são pontes por cima dos muros.
São navios sulcando o mar
São sonhos, são desejos, são segredos,
São criatividade, são amizade, são confiança,
São sensações novas.
E as palavras escrevem livros,
Idealizam filmes
Criam canções
Pintam quadros
As palavras nascem de todo o lado
Brotam de um texto,
De uma imagem,
De um som,
E saiem dos meus dedos,
Dos meus lábios
E dos meus olhos,
Para que as vejas,
Para que te beijem
Para que te toquem
E te acariciem.
Para te fazer sentir,
Para te fazer adivinhar
mais do que dizem,
o todo imenso que fica por dizer.

domingo, outubro 25, 2009

Muros - Chão, bancos, cadeiras e poltronas.


Foto de Paulo Pimenta in Blographo


O trono do rei gordo,
por maior que seja,
é cheio até ao bordo,
o espaço não sobeja.

O senhor marquês,
na sua poltrona,
vai alternando a vez
com a sua matrona.

Até as bancadas,
lá do parlamento,
têm almofadas
em cima do assento.

E o Zé Ninguém,
que é gente vulgar,
tem uma cadeira
para se sentar.

Há quem use os bancos
de um modo especial,
eu sento-me e peço
um prego e uma imperial.

Depois ainda há gente,
de mais baixa condição,
que dispensa a cadeira
e senta-se no chão.

Se não há diferença
no homem todo nu,
porquê dar importância
a onde ele põe o cu?

quinta-feira, outubro 15, 2009

Muros - Não me deixei vencer


Pic: http://www.claybennett.com/images/archivetoons2/us_border.jpg



Naquele dia chegaste sem alegria no rosto
e o olhar vazio de quem já não está.
Fizeste um traço no chão
e eu fiquei do lado de cá.
Tinhas tábuas compridas
Novinhas, polidas, em pinho tratado.
Cavaste um fosso
por cima do risco que tinhas traçado.
Num saco trazias martelos, gazuas,
e um berbequim.
Arrancaste a relva,
furaste a terra, estragaste o jardim.
Saltavam aparas, tábuas pequenas,
e pregos partidos.
E em pouco tempo ficámos divididos.
Deixei de te ver, escondida que estavas
pela paliçada.
Não me deixei vencer,
E com os restos caídos eu fiz uma escada!


"Muros" é um projecto Homens Felizes

segunda-feira, outubro 05, 2009

Muros - Fronteira


Post original aqui.


Desenhei um traço no chão
De um lado um irmão
Do outro, outro irmão.

De um lado ficaram os altos
Os loiros, os magros
Os de olhos claros,
Os de cabelo liso!
Do outro, ficaram os baixos
Morenos, entroncados
De olhos escuros
Cabelos encaracolados.

Proibi palavras e gestos
Cantigas sabidas de cor,
Proibi os olhares ternos
Os desejos e o Amor.
De um lado havia dinheiro
Roupas e o que comer
Do outro era tudo um jogo
Ter de vencer ou morrer.
Dividi países, cidades, ruas,
Construí muros, cavei valas,
E na terra de ninguém
Semeei minas e chovi balas.

Por fim dividi-me a mim,
Pelo meio do coração,
Descobri que a fronteira,
Não é um traço no chão!

quarta-feira, setembro 09, 2009

Enquanto os balões voarem

Enquanto o céu for azul,
E a brisa soprar no meu rosto.
Enquanto a música me encher o coração,
e o calor do sol trouxer rubor às tuas faces.

Enquanto as palavras que semeei dentro de mim
derem fruto.

Enquanto o meu coração tiver olhos,
o meu desejo tiver mãos e pele e corpo,
e o meu sentir tiver boca.

Por mais que a realidade me sufoque.
as notícias me angustiem,
E a morte me persiga.

Enquanto os balões coloridos se levantarem no ar,
há sempre razão para sorrir.




Fot0: USA HotAir

sexta-feira, setembro 04, 2009

Sou Eu

Estava aqui preocupado nos meus pensamentos. Os lapsos de memória que nos últimos meses me têm atormentado estão cada vez piores e ,depois de ler tanto desde ontem sobre o Jornal Nacional da TVI com toda a gente a negar responsabilidade na decisão de acabar com o dito telejornal, cheguei à única conclusão possível: o responsável pelo fim do JN-sexta da Manuela Moura Guedes, não é Sócrates, não é o Governo, não é a Oposição, não é a Prisa e não é a Mediacapital... SOU EU

sexta-feira, agosto 28, 2009

Jovens da Ramada recebem medalha de honra.

Na passada terça-feira, 25 de Agosto, a Associação Sócio Cultural Jovens da Ramada (ASCJR) recebeu a Medalha de Honra da Junta de Freguesia da Ramada durante a sessão solene da celebração do 20º aniversário da freguesia. Foi com imensa alegria que vi reconhecido o trabalho, o que muito raramente acontece, das centenas de jovens que ao longo de vários anos têm abraçado o Projecto Jovens da Ramada.


O Presidente da ASCJR, João Pedro Sousa, recebendo a medalha das mãos da Vogal da Juventude e Multiculturalidade, Ana Monteiro . Com tanta fotografia que publicou com a notícia o Jornal de Odivelas não publicou nenhuma deste momento, se precisarem podem sempre copiar daqui.

Pertencer a este projecto é, sobretudo, acreditar que os sonhos são possíveis. É um espaço de descoberta e partilha onde vivências diferentes se encontram e trabalham em conjunto para um mesmo fim. É, também, um espaço de auto descoberta, várias são as histórias de gente que se aproximou para fazer teatro e a acabou a tocar e a cantar, ou que queriam aprender a tocar e às tantas já estavam envolvidos em projectos de teatro, organização de eventos, tertúlias e até em Marchas Populares.
Os segredos da sobrevivência deste projecto são simples:

- Ter objectivo, quanto mais difícil melhor.
- Ter uma identidade cristã, humana, atenta baseada na multiplicidade dos jovens que se reúnem para conquistar novos desafios.
- Aceitar que a diferença valoriza o grupo.

Depois há ainda o tempero de vontade e capacidade de trabalho. Ao contrário de muitos outros grupos não somos um grupo de amigos que se reúne e daí se gera trabalho, somos um grupo de trabalho de onde nasce amizade.

A ASCJR é apenas a face mais visível de um projecto de dinamização cultural que já deu origem ao Rancho Folclórico da Ramada, ao Grupo de Teatro Alquimia do Sonho, ao Grupo de Intervenção Urbana Homens Felizes e a vários projectos musicais como os Trovas Urbanas, ENTE – Estranhos Numa Terra Estranha, Banda da Feliz Idade e Milkshake Leftovers.

Infelizmente a Câmara Municipal de Odivelas e a Municipália, EM insistem em ignorar o potencial desta associação (a única do concelho para além das associações de estudantes e dos escuteiros) e mais uma vez se esqueceu de convidar o Grupo de Teatro Alquimia do Sonho para a mostra de teatro amador que vai decorrer em Outubro na Malaposta. Felizmente há outras Câmaras Municipais que, para além de estimularem o associativismo juvenil local, ainda abrem as portas dos seus espaços a grupos como o nosso. Deixo aqui o meu agradecimento aos Municípios do Sardoal, Loures, Sertã, Sintra, Cascais, Oeiras e Sobral de Montagraço pelo carinho com que nos recebem. E à Junta de Freguesia da Ramada mais do que pela medalha, por todo o carinho e apoio que nos tem dado ao longo de toda a nossa existência.
Por muito que me nos façam, não nos podemos esquecer que somos felizes!

domingo, agosto 02, 2009

Our secret life




Sou eu... lembras-te?
E poderia eu esquecer a tua voz?
Estou diferente...
Estamos diferentes!

Posso?
Podes sempre...
Agora?
Agora não, mais tarde.

Fiz a peça, mas tu não vieste!
Não me disseste.
Tu fugiste, lembras-te?
Tinha de ser,
não aguentava a pressão,
a incerteza, a mentira...

Tens ido a Sintra?
Há sítios mais mágicos...
Quais?
Praias de areia fininha onde és sempre menina...
Cala-te.

Falo de mais?
Falas sempre de mais!
Porque tu não me ouves...
Parvo!
Queria perceber... Explicas-me?
Talk to the hand...

Já sei: ... 'cause the face isn't listening!
Aprendeste algumas coisas comigo...
É, eu gosto muito de aprender, nem sempre gosto é de ser ensinado!
Estúpido!

Há coisas que não mudam...
Muda tudo...
Eu não mudo...
Talvez seja isso que tens de pior em ti...
A imutabilidade?
A falta de consciência!

Sentes culpa?
Sinto sempre...

Vais desligar?
Vou...
Voltamos a falar?
Um dia... who knows?

Vejam bem... 80 anos.


Parabéns Zeca pelo teu 80º aniversário.

Prenderam-me as minhas mãos e os pés
Vendaram-me os olhos com a informação
Calam-me os gritos na garganta
Vampiros desta nação
Já não se escondem nos becos
Pavoneiam-se na televisão
E numa tertúlia tardia
Uma miúda engraçada
Que nunca te viu cantar
Solta o que tem na garganta
E a emoção é tanta
que oiço Portugal a cantar!



Lua Cheia



Lua amiga e companheira

Que iluminas o breu secular

Da noite longa e derradeira

Em que serena respiro

E nas estrelas aspiro

A ânsia de te amar.

Redonda, grande e branca

Clara, amiga e franca

Ó lua cheia eterna

Que na tua beleza serena

Encontro o sentido de amar

E a vontade de sonhar

Luar brilhante obscuro

Em que profundamente procuro

O sentido da minha vida

Que por ironia do destino

Pensava para sempre perdida

No ser de outrora sem tino.


L. Santos