quarta-feira, outubro 26, 2011

O Romance do Farol



Não passa desapercebido
A imagem do farol
é como um dedo estendido
Que a terra aponta ao sol

Nesta língua de areia
Entre o céu e o mar
Vislumbro a brincadeira
De dois seres a namorar

Brilha a luz na noite incerta
Vigilante olhando o mar
O farol o céu penetra
Intensa lição de amar

Uma brisa sibilante
agitando a onda em espuma
Tudo pára num instante
À espera que o amor se assuma!
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Na linha da costa

Na areia da praia
Onde nada nascia

Plantámos sorrisos
Colhemos alegria

Na areia da praia
Floriram esperanças
O cinzento do crescido
O colorido das crianças!

 
Na linha da costa

terça-feira, outubro 11, 2011

Espalhei os meus sonhos aos vossos pés.



HAD I the heavens’ embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.


W.B. Yeats (1865–1939)
"He Wishes For the Cloths of Heaven"
from the Collected Works of W.B. Yeats






É belíssimo este poema de Yeats e deixou-me a pensar. Porque eu também, pobre que sou, só tenho sonhos e espalhei-os aos vossos pés. Quando os pisarem façam-no com cuidado pois são os meus sonhos que pisam. 
 
 

domingo, outubro 09, 2011

Até ao fim














Até ao fim

Quantas vezes em meus braços
Te deixaste adormecer
Tantas vezes em silêncio nos amámos
Até o dia amanhecer

Entre gestos de ternura
Vimos o dia nascer
Encontrámos mais do que procurámos
Fomos além do prazer

                Eu vivo a vida pela alegria
                De te ter ao pé de mim.
                Serei capaz de ficar contigo
                E de te amar até ao fim

Vivo para ti cada segundo
Cada bater do coração
Como um tambor
Um tambor que dá à vida
O ritmo de uma canção. 

Motivação Humana

segunda-feira, julho 11, 2011

Violoncelo (a Margarida Moser)





















Cintura bem marcada
Curvas generosas
Melodias claras
Harmonias deliciosas
E dos  dedos ligeiros
Sons de risos e de dor
Sons fortes, prazenteiros,
Melodias de amor

E os miúdos…
Esses pequenos que te abraçam
Que te chamam quando passas
E tudo em si faz sentido;
Em Si, em Sol, em Dó e até em Fá sustenido!

Enquanto a música fluir
Nesses olhos a brilhar,
Nunca deixes de sorrir,
Ninguém te vai magoar!
E todo o mundo se embala
Num Verão de oiro amarelo
É o teu coração que fala
Pelo arco do Violoncelo!

domingo, julho 03, 2011

A Magnólia

Árvore de imensa beleza
de flores carnudas
perfumadas
Não dão fruto,
não deixam de merecer
ser cultivadas.
A natureza se veste
do que de mais belo tem,
entender o seu porquê
não compete a ninguém.
Nem o porquê do céu azul,
do campo verde ou do sol amarelo,
compete-nos admirar, sentir
e saborear
como tudo isto é belo!

quarta-feira, junho 08, 2011

Dentinho






















O sorriso de menina, que vive muito contente
enche-me de alegria, faz-me o viver diferente.
Faz-me sorrir contigo, faz-me correr atrás de ti
só tu me lembras os anos a mais que eu já vivi.
Já não tenho pernas que cheguem para a tua pedalada
tu ignoras-me as queixas e não ficas sossegada.

Salta um braço na rampa, a bacia se desloca,
irrequieta criança, tropeça e cai de boca.
E o anjo da guarda proteja a loucura do teu caminho,
e o pior que assim seja: lá partiste o dentinho.

Mas o sorriso é tão teu, nessa infância tão louca,
que até faz sentido, aí na frente da boca.
Sorri, menina bonita, é mais belo que o beicinho,
e sorrindo comenta: "Eu estou com tão sem dentinho!"

A terra.

...

























Aprende, filho, que é a terra
mãe generosa de toda a vida
que nos recebe e alimenta
e é por nós tão esquecida.

Na Primavera salta colorida
mergulha na praia no Verão
no outono é mulher despida
no inverno é fogo ao serão.

Põe de ti na terra, experimenta,
planta trigo pra fazer o pão,
Planta verduras e alimentos
e colhe-os com a tua mão.

Da terra viemos um dia todos
à mesma terra vamos regressar,
A vida é uma passagem efémera
Aproveitemos enquanto durar!

A terra não é lição, é livro aberto
que se lê com todo o sentimento,
Se nosso futuro é sempre incerto,
ser feliz é viver o momento!

quarta-feira, maio 25, 2011

O que me mais incomoda

















O que mais me incomoda não é estar num país à deriva
com uma classe de políticos corruptos na primeira linha
e de oportunistas aspirantes a ser ainda mais corruptos na segunda linha.

O que mais me incomoda não é andar na mesma rua
em que adolescentes praticam violência impunemente
em que o instigador de tal acto, que é criminoso recorrente e violento
e rouba constantemente, quando detido pela polícia
só tem de dizer como se chama e dar uma morada qualquer.

O que mais me incomoda não é a propaganda e a visibilidade
nem o circo que se faz da notícia para montanha parir um rato.

O que mais me incomoda é eu não fazer nada!

Já me sonhei

Já me sonhei vida em ti
e tinha mãos e olhos e boca
e sorria ao mundo de braços abertos!

Já me sonhei vida em ti
num desejo arrebatador
de carícias intensas e cheiros
um sonhar mágico de olhos abertos!

segunda-feira, maio 23, 2011

Há apenas um momento (e nesse momento estás tu)




















Há apenas um momento
em que os corpos não se acanham
em que os toques não se estranham
em que o sentir é tudo


Há apenas um momento
em que as mãos dançam nuas
em que os meus seios crescem
e as tuas costas falam de ti


Há apenas um momento
em que me sinto diferente
que estou vivo e estou contente
e falo como tu ouves



Há apenas um momento
em que não há passado nem futuro
não há fora nem dentro

e nesse momento estás tu



Há apenas um momento
em que me fundo contigo
num espelho por inventar
de almas do mesmo ser


Há apenas um momento
Em que solto no sentimento
tu me ensinas o que é viver!

quarta-feira, abril 20, 2011

A Parábola dos Porquinhos Mealheiros

Era uma vez um pai que tinha dois filhos. O mais velho havia nascido dois anos antes do irmão. Nesse tempo recebeu um porquinho mealheiro e quando a família ofertava moedinhas o petiz colocava-as no mealheiro. Também o pai, que lhe dedicava toda a sua atenção, oferecia moedas que eram de imediato colocadas no porquinho. Quando o irmão nasceu também recebeu um porquinho mealheiro. Mas as pessoas deixaram de dar moedas e o pai, que já não tinha tanto tempo, também deixou de dar moedas. O tempo passou e quando chegou um certo dia o pai sugeriu que os filhos abrissem os mealheiros. O mais velho tinha amealhado uma boa maquia e o pai, muito contente, teceu-lhe fortes elogios. O mealheiro do segundo filho estava vazio e o pai, muito irritado, insultou-o e repreendeu-o pelos maus resultados.


sexta-feira, abril 08, 2011

Como se dá um beijo?

E como se dá um beijo?
Com palavras sossegadas, ditas devagarinho?
Com olhares envergonhados de tímido carinho?
Com dedos compridos e leves com um saber atrevido?
Com lábios de um doce nervoso e um atalhar do caminho?
Talvez o beijo seja tudo, ou talvez não seja nada,
mas será sempre o futuro que num presente se guarda!

sexta-feira, abril 01, 2011

Ser mulher

Não há ruga a mais no corpo da mulher

como as curvas, as linhas,

os montes os vales,

os secretos, os incertos, os engraçados,

os pelos discretos, os enrolados,

os cabelos compridos,

o ventre largo,

o sorriso alegre mesmo com um olhar amargo

a mão amiga, a mão amigo, amam comigo...

o estar sempre presente

o estar com o outro, o estar consigo

Cantar como um pássaro

Voar como um pássaro

Amar livre como um pássaro!



Ser mulher, é permanecer sempre dentro


enquanto tudo muda lá fora!

quinta-feira, março 24, 2011

A Dança

A Dança é a resposta emocional do nosso corpo à música
é o harmonizar o que se sente com o sentir
A Dança é a maneira magica de sorrir com o corpo todo
gritar com o corpo todo, chorar e amar com o corpo todo.
A Dança é o grito no silêncio, é o grito no grito
é também o grito para além do grito.
A Dança é voar como um cisne, é ser rio
é ser mar, ser paz, correr pelas pelas paredes,
cair no teto, é ver o mundo ao contrário,
é estar no mundo ao contrário.
A Dança é a vida a bater forte com os pés
é a paixão desmedida que nos agita as mãos
é o encantamento que nos cativa o olhar,
muito para além do desejo,
é uma forma simples de amar!

sexta-feira, março 18, 2011

Treme

Não me deixes aqui sozinho
enquanto a terra treme
enquanto o tempo incerto
deixa a fome pelo chão
e a tecnologia
que é moderna e propicia
conforto e animação
não salvou aquela ilha
deixou sofrer o Japão.