O segredo dum beijo inventado
em cuidado preparado,
sonhado, imaginado,
antes de o pousar em ti.
Esse beijo tão simples e secreto,
tão fugaz e tão incerto
um oásis no deserto
eu quero beber em ti.
Um poema que escrevi com a minha boca
na planície do teu ventre que desejo
o sentir de uma loucura que emerge
ao semear em ti o secreto beijo!
domingo, março 04, 2012
domingo, janeiro 08, 2012
Sentir - a nossa razão de viver!
"Quero revelar-lhes um segredo..
Aproximem-se...
Não lemos e escrevemos poesia porque é giro.
Lemos e escrevemos poesia
porque fazemos parte da raça humana.
E a raça humana está impregnada de paixão.
Medicina, Direito,Gestão, Engenharia,
são actividades nobres, necessárias à vida.
Mas a poesia,a beleza, o romance, o amor,
são as coisas para que vale a pena viver."
In Clube dos Poetas Mortos
(Peter Weir, 1989)
Se comer e respirar são necessários à vida,
a paixão, o amor e a poesia são a nossa razão de viver.
Exprimir o que sentimos é que faz de nós humanos.
Sentir faz de nós humanos.
Quem rejeita, esquece ou castra a poesia
a criatividade, a liberdade, o amor...
comete um crime contra a humanidade.
Que me interessa que os meu filhos
Que me interessa que os meu filhos
saibam de cor a tabuada aos 7 anos
que resolvam radicais pelo algoritmo
que demonstrem teoremas de Cauchy e Bolzano
resolvam integrais e logaritmos
que especulem geometrias no espaço não-euclidiano
e falem de números que ninguém viu...
Se passarem ao lado duma vida
que sem sentir nunca existiu?
quarta-feira, janeiro 04, 2012
Momento final
Cansado, sem forças para gritar
deixou tombar o corpo no asfalto frio
naquela tarde de Janeiro
deixou tombar o corpo muito tempo depois
de ter já deixado tombar a alma.
Olhou com os olhos vagos o céu imenso
num cinzento intenso monótono e vazio
deixou escorrer as lágrimas como um rio
de um lado e do outro do rosto macilento
deixou-se morrer, porque até as vidas sem sentido,
num despedir desapegado,
precisam de um momento final.
deixou tombar o corpo no asfalto frio
naquela tarde de Janeiro
deixou tombar o corpo muito tempo depois
de ter já deixado tombar a alma.
Olhou com os olhos vagos o céu imenso
num cinzento intenso monótono e vazio
deixou escorrer as lágrimas como um rio
de um lado e do outro do rosto macilento
deixou-se morrer, porque até as vidas sem sentido,
num despedir desapegado,
precisam de um momento final.
terça-feira, novembro 22, 2011
Abaixo o Mistério da Poesia - António Gedeão
Enquanto houver um homem caído de bruços no passeio
E um sargento que lhe volta o corpo com a ponta do pé
Para ver quem é,
Enquanto o sangue gorgolejar das artérias abertas
E correr pelos interstícios das pedras, pressuroso e vivo como vermelhas minhocas
Despertas;
Enquanto as crianças de olhos lívidos e redondos como luas,
Órfãos de pais e mães,
Andarem acossados pelas ruas
Como matilhas de cães;
Enquanto as aves tiverem de interromper o seu canto
Com o coraçãozinho débil a saltar-lhes do peito fremente,
Num silêncio de espanto
Rasgado pelo grito da sereia estridente;
Enquanto o grande pássaro de fogo e alumínio
Cobrir o mundo com a sombra escaldante das suas asas
Amassando na mesma lama de extermínio
Os ossos dos homens e as traves das suas casas;
Enquanto tudo isso acontecer, e o mais que se não diz por ser verdade,
Enquanto for preciso lutar até ao desespero da agonia,
O poeta escreverá com alcatrão nos muros da cidade:
ABAIXO O MISTÉRIO DA POESIA
quarta-feira, novembro 16, 2011
O rouxinol e o poeta.
Certa noite, estando o poeta particularmente triste, ouviu cantar junto da sua janela o rouxinol que vivia numa árvore que ficava próxima. Emocionado e agradecido com tal gesto perguntou à ave:
- Com é possível que cantes à minha janela nas noites em que estou mais triste?
- Eu canto à tua janela todas as noites - respondeu o pássaro.
quarta-feira, outubro 26, 2011
O Romance do Farol
Não passa desapercebido
A imagem do farol
é como um dedo estendido
Que a terra aponta ao sol
Nesta língua de areia
Entre o céu e o mar
Vislumbro a brincadeira
De dois seres a namorar
Brilha a luz na noite incerta
Vigilante olhando o mar
O farol o céu penetra
Intensa lição de amar
Uma brisa sibilante
agitando a onda em espuma
Tudo pára num instante
À espera que o amor se assuma!
terça-feira, outubro 11, 2011
Espalhei os meus sonhos aos vossos pés.
HAD I the heavens’ embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.
W.B. Yeats (1865–1939)
"He Wishes For the Cloths of Heaven"
from the Collected Works of W.B. Yeats
"He Wishes For the Cloths of Heaven"
from the Collected Works of W.B. Yeats
É belíssimo este poema de Yeats e deixou-me a pensar. Porque eu também, pobre que sou, só tenho sonhos e espalhei-os aos vossos pés. Quando os pisarem façam-no com cuidado pois são os meus sonhos que pisam.
domingo, outubro 09, 2011
Até ao fim
Até ao fim
Quantas vezes em meus braços
Te deixaste adormecer
Tantas vezes em silêncio nos amámos
Até o dia amanhecer
Entre gestos de ternura
Vimos o dia nascer
Encontrámos mais do que procurámos
Fomos além do prazer
Eu vivo a vida pela alegria
De te ter ao pé de mim.
Serei capaz de ficar contigo
E de te amar até ao fim
Vivo para ti cada segundo
Cada bater do coração
Como um tambor
Um tambor que dá à vida
O ritmo de uma canção.
sexta-feira, setembro 16, 2011
quinta-feira, agosto 04, 2011
segunda-feira, julho 11, 2011
Violoncelo (a Margarida Moser)
Cintura bem marcada
Curvas generosas
Melodias claras
Harmonias deliciosas
E dos dedos ligeiros
Sons de risos e de dor
Sons fortes, prazenteiros,
Melodias de amor
E os miúdos…
Esses pequenos que te abraçam
Que te chamam quando passas
E tudo em si faz sentido;
Em Si, em Sol, em Dó e até em Fá sustenido!
Enquanto a música fluir
Nesses olhos a brilhar,
Nunca deixes de sorrir,
Ninguém te vai magoar!
E todo o mundo se embala
Num Verão de oiro amarelo
É o teu coração que fala
Pelo arco do Violoncelo!
domingo, julho 03, 2011
A Magnólia
Árvore de imensa beleza
de flores carnudas
perfumadas
Não dão fruto,
não deixam de merecer
ser cultivadas.
A natureza se veste
do que de mais belo tem,
entender o seu porquê
não compete a ninguém.
Nem o porquê do céu azul,
do campo verde ou do sol amarelo,
compete-nos admirar, sentir
e saborear
como tudo isto é belo!
de flores carnudas
perfumadas
Não dão fruto,
não deixam de merecer
ser cultivadas.
A natureza se veste
do que de mais belo tem,
entender o seu porquê
não compete a ninguém.
Nem o porquê do céu azul,
do campo verde ou do sol amarelo,
compete-nos admirar, sentir
e saborear
como tudo isto é belo!
quinta-feira, junho 30, 2011
quarta-feira, junho 08, 2011
Dentinho
O sorriso de menina, que vive muito contente
enche-me de alegria, faz-me o viver diferente.
Faz-me sorrir contigo, faz-me correr atrás de ti
só tu me lembras os anos a mais que eu já vivi.
Já não tenho pernas que cheguem para a tua pedalada
tu ignoras-me as queixas e não ficas sossegada.
Salta um braço na rampa, a bacia se desloca,
irrequieta criança, tropeça e cai de boca.
E o anjo da guarda proteja a loucura do teu caminho,
e o pior que assim seja: lá partiste o dentinho.
Mas o sorriso é tão teu, nessa infância tão louca,
que até faz sentido, aí na frente da boca.
Sorri, menina bonita, é mais belo que o beicinho,
e sorrindo comenta: "Eu estou com tão sem dentinho!"
A terra.
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| ... |
Aprende, filho, que é a terra
mãe generosa de toda a vida
que nos recebe e alimenta
e é por nós tão esquecida.
Na Primavera salta colorida
mergulha na praia no Verão
no outono é mulher despida
no inverno é fogo ao serão.
Põe de ti na terra, experimenta,
planta trigo pra fazer o pão,
Planta verduras e alimentos
e colhe-os com a tua mão.
Da terra viemos um dia todos
à mesma terra vamos regressar,
A vida é uma passagem efémera
Aproveitemos enquanto durar!
A terra não é lição, é livro aberto
que se lê com todo o sentimento,
Se nosso futuro é sempre incerto,
ser feliz é viver o momento!
quarta-feira, maio 25, 2011
O que me mais incomoda
O que mais me incomoda não é estar num país à deriva
com uma classe de políticos corruptos na primeira linha
e de oportunistas aspirantes a ser ainda mais corruptos na segunda linha.
O que mais me incomoda não é andar na mesma rua
em que adolescentes praticam violência impunemente
em que o instigador de tal acto, que é criminoso recorrente e violento
e rouba constantemente, quando detido pela polícia
só tem de dizer como se chama e dar uma morada qualquer.
O que mais me incomoda não é a propaganda e a visibilidade
nem o circo que se faz da notícia para montanha parir um rato.
O que mais me incomoda é eu não fazer nada!
Já me sonhei
Já me sonhei vida em ti
e tinha mãos e olhos e boca
e sorria ao mundo de braços abertos!
Já me sonhei vida em ti
num desejo arrebatador
de carícias intensas e cheiros
um sonhar mágico de olhos abertos!
e tinha mãos e olhos e boca
e sorria ao mundo de braços abertos!
Já me sonhei vida em ti
num desejo arrebatador
de carícias intensas e cheiros
um sonhar mágico de olhos abertos!
segunda-feira, maio 23, 2011
Há apenas um momento (e nesse momento estás tu)
Há apenas um momento
em que os corpos não se acanham
em que os toques não se estranham
em que o sentir é tudo
Há apenas um momento
em que as mãos dançam nuas
em que os meus seios crescem
e as tuas costas falam de ti
Há apenas um momento
em que me sinto diferente
que estou vivo e estou contente
e falo como tu ouves
Há apenas um momento
em que não há passado nem futuro
não há fora nem dentro
e nesse momento estás tu
Há apenas um momento
em que me fundo contigo
num espelho por inventar
de almas do mesmo ser
Há apenas um momento
Em que solto no sentimento
tu me ensinas o que é viver!
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