terça-feira, julho 07, 2015

Era feliz e não sabia

Belíssima foto do meu primo João Caetano. Ao olhá-la regresso num momento a um passado sempre presente na zona do pinho da Beira Baixa. Essa terra maravilhosa de azeite e rezina, de gente de trabalho, de sacrifício, mas também de alegria e fraternidade. Cheira-me na pele os caminhos, o pó e o xisto, as uvas morangueiras brancas a saber a fumo-do-comboio, cheira-me a azeite em cru no caldo verde de batata migada e o peixe de rio bem frito em molho de cebolada a saber a picante.
Lembro-me de, em pequeno, jantar à luz do petromax que impregnava a ceia de aromas diferentes e de ir dormir aconchegado pela minha mãe que soprava o pavio do candeeiro a petróleo.
Lembro-me das azeitonas pretas das oliveiras, e das caganitas de cabra que - para menino da cidade - eram muito parecidas.
Lembro-me de ouvir a minha avó Maria a chamar as cabras: Moucha, Chibaneca e Marmeleda... E o meu avô Artur, sisudo, trazendo um regador carregado de figos...
Belos tempos de menino no Casal da Ribeira em que, como diz Drummond de Andrade, eu era feliz e não sabia!

quinta-feira, junho 04, 2015

No lugar em que nos amávamos havia uma árvore

No lugar em que nos amávamos
e só a Lua conhecia
no ar havia o cheiro
de flores e maresia

Havia nos nossos lábios
silêncios e segredos
nos nossos beijos trocados
findavam os nossos medos

Havia um pássaro louco
com uma asa partida
havia um ninho de cuco
e uma rocha fendida

Havia dedos e línguas
havia pele na pele
e da zona fendida
jorrava o leite e o mel

Havia naquele sítio
fora do tempo e do espaço
a linguagem secreta
que se aprende com um abraço

Era tudo efémero
como a vida da gente
que se torna infinita
no amor que se sente

E havia,
No lugar em que nos amávamos,

Uma árvore...




quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Sou Portugal a Cantar




Eu sou povo marinheiro
Sou sorriso de criança
Sou sangue na bandeira
Sou verde e sou esperança
Sou desejo sem vontade
Sou vontade sem desejo
Sou poeta sem defesa
Sou amante sou um beijo

Sou Luísa na calçada
Sou Monstrengo a voar
Sou Agostinho na lota
Sou um pescador no mar
Sou Pessoa, sou Ary
Catarina na terra dura
Sei que não vou por aí
Sou facho a arder na noite escura

Sou memória, sou história
Sou mesa que não tem pão
Sou mais uma mãe que chora
Sou um fado canção
Sou revolta em braço armado
Sou cravo no cano negro
Sou ceifeira e operário
Sou fila de desemprego.

Mas sou palavra
Em peito aberto
Sou um mundo todo inteiro
Sou livre
Não alimento
Os Vampiros do dinheiro
Sou luta
Sou futuro
Sou um corpo que avança
Sou o sonho colorido
Nos olhos de uma criança

Sou Horta, sou cantoneiro
Sou versos de uma canção
Sou um grito verdadeiro
Sou bater do coração
Sou professor
Sou varina
Sou emigrante de além-mar
Trago na voz os poetas
Sou Portugal a cantar!

quinta-feira, setembro 04, 2014

Não faz sentido semear a flor para a cobrir de terra!

Estas flores que a vida semeia nos nossos corações,
estes anjos que nos ensinam a amar depressa,
amar sempre, a cada instante, amar o momento e a vida,
a não fazer planos... e a amar o futuro.
Ah... partiu-se dentro de mim o cristal puro que definia criança
Ah... nasceu em mim a revolta a inconformidade sem esperança
Não faz sentido semear a flor para a cobrir de terra!
Por mais que acredite, por mais que tente... não faz sentido.
Ah... mas a magia das fadas, pega nestes sorrisos, nesta força,
nestes exemplos de vida... faz estrelas novas no firmamento.
É nesta certeza que o amor é eterno que vos sinto brilhar como estrelas,
no segredo da noite no meu coração...
E durante o dia, mesmo sem as ver, sei que estão sempre aqui!

Uma flor regada com lágrimas
é uma estrela que brilha para sempre
dentro do nosso coração!

quinta-feira, julho 31, 2014

Sobre a solidão!




"
eu nunca estou só, estou sempre comigo !!" (Dina Santos)

A inquietação que esta frase de Dina Santos causou em mim obrigou-me a escrever. Para mim a solidão é das mais terríveis das doenças, causa a pior das mortes - o esquecimento - e traz-nos o inferno em vida.  
Acredito que existem três tipos de solidão: o sozinho no meu quarto, o sozinho na praia e o sozinho na multidão. Apesar de eu estar sempre lá, nos três casos, estamos realmente sem companhia.
O sozinho no meu quarto é terrível, significa que o meu lar está ocupado apenas por mim quando desejava os precisava de companhia.
O sozinho à beira mar é excelente, escolhi fugir de tudo e de todos para estar comigo no silêncio profundo da meditação.
O sozinho entre a multidão é o só de António Nobre, a mais inútil forma de viver, é o estar com toda a gente e não sentir irmandade com ninguém.
Esta frase, Dina Santos, fala de um só voluntário, consciente e meditativo.
Fundamental para a nossa felicidade é aceitar a nossa própria presença com amor e respeito. Os que valerem a pena quererão partilhar a nossa companhia.Buscar companhia não é o caminho. Como diz o meu velho mestre, Savinien, citando a filosofia ZEN: "Não caces borboletas, cuida bem do teu jardim"!

domingo, julho 20, 2014

A Loja do Sr. Fausto

A Loja do Sr. Fauso (in Público)
E de repente, assim sem contar, recordo o cheiro do café moído de fresco da loja do Sr. Fausto. Eu era miúdo e levado pela mão da minha mãe íamos lá comprar a mistura de café. Eu, em silêncio, esperava aquele pacotinho azul de abas dobradas para dentro onde vinham 100g de línguas de gato - era dia de festa quando as comprava.
Passei-lhe à porta - que ficava a meio caminho entre a minha casa e a Escola Primária nº 44 - duas vezes por dia de segunda a Sábado, durante quatro anos. Ele continua na mesma: alto, cabelo puxado para trás, mas bem mais branco... usa óculos que não tinha... e assim como quem não quer a coisa faço umas contas rápidas: devo ter entrado naquela casa, pela última vez há cerca de 36 anos, mas ainda lhe sinto o cheiro.
Tenho a lágrima ao canto do olho, um aperto de saudade no coração, mas estou feliz... porque permanece em mim esse tempo de menino com mãe... e a saudade é um sentimento lindo: será a derradeira forma de te amar!

sexta-feira, julho 11, 2014

Concerto sem intervalo (a Margarida Moser)


















(Picture from here)


Há melodia que invade
no movimento contínuo
de um arco
que sobre as cordas passeia
subindo e descendo
da esquerda para a direita.
Há música na pele, no papel
no metal, na madeira,
na crina de cavalo.
Há música, poema, melodia
toda inteira,
num concerto sem intervalo.
Há uma mulher que vibra
corda de mil arpejos
Há uma mulher que ensina
constrói sonhos e desejos.
E na melodia tocada,
quase em jeito de oração,
fica a memória gravada,
num instante para sempre
no nosso coração!

sexta-feira, julho 04, 2014

Estrelícia (a Vera de Sousa)

 

Estrela, luz, firmamento,
universo de sonhos cheio,
biologia, zoologia,
botânica, Estudo do Meio.
Uma frase, uma rima,
dois versos e um poema,
uma língua que se ensina,
numa redação com tema.
Contas do dia a dia:
o trabalho dividido,
o amor multiplicado,
o tempo subtraído,
o conhecimento somado.
Matemática, Português,
um dia de saber cheio,
repetir tudo outra vez,
e depois: brincar no recreio!

"Sê poeta, criativo,
sê um escritor, um artista,
copiar não faz sentido,
não queiras ser um copista!"

Muitos alunos te ouviram,
e de tudo o que aprenderam,
fizeram-se gente valorosa
e nunca de ti se esqueceram.

Doce flor da Madeira,
Ave do paraíso,
Professora a vida inteira,
Entre o choro e o riso.

Vera de Verdade
És parte de todos nós
Numa vaga de saudade,
partiste...
ficámos sós.

Há no entanto a força,
que sempre mostraste ter,
Mulher, luta, intensa,
resiste até poder.
Há uma lágrima caída
Na folha que estou a escrever,
Há mais uma estrela no céu,
que eu nunca vou esquecer.
Colega, mestre, amiga,
Pedagoga de eleição,
A tua história de vida
é derradeira lição.
Uma flor da Madeira,
de beleza singular,
uma vida toda inteira,
a aprender e a ensinar.
Os filhos que tu tiveste
guiaste-os pela tua mão
pelo caminho mais curto
que vai direito ao coração.

Celebremos a magia,
da mulher que não se esquece,
com um sorriso de alegria
em cada estrelícia
que floresce!

Alexandre de Oliveira (3 Jul 2014)

quinta-feira, março 27, 2014

sábado, março 08, 2014

Dia da Mulher - 2014

O Dia Internacional da Mulher recorda a luta das mulheres por uma vida digna, socialmente reconhecida e com os seus direitos fundamentais devidamente respeitados. Recorda o dia em que, no ano de 1857, cento e trinta operárias morreram queimadas numa fábrica durante um protesto por melhores condições de trabalho. Era exigido às mulheres um horário diário de 16 horas e era-lhes pago cerca de um terço do que era pago aos homens pelo mesmo trabalho. Elas pediam a redução para 10 horas diárias. Para que esse dia e essa luta não sejam esquecidos continuamos a celebrar nesta data a condição feminina e os direitos conquistados pelas mulheres. Hoje, mais que nunca, é importante que não nos esqueçamos de como era e do que foi conquistado para que o passado não nos seja de novo imposto como querem os senhores das grandes finanças.

Recordo o belo poema "Mulher" de André Carvalho:

Mulher

Mulher é um substantivo
que resiste às tempestades
que é feminino e altivo
e tão dado a liberdades
como ao amor mais cativo;
É uma linha num esboço
que curva no pescoço,
que se debruça nos seios
a mirar olhos alheios
e depois desenha o torso
perdido em devaneios
e novos rotundos enleios.
Mulher é água no deserto
que deixa os rapazes cheios
de sedes e de anseios;
é um lugar longe mas perto
onde uma cabeça pode
descansar sem receios.
Mulher é sextina, é ode
é quadra popular, é soneto
é uma canção tocada
por um jovem no coreto.
Mulher rainha por um dia
por toda a vida coroada:
quem a vê e quem a via
é cantada, celebrada
é pouco menos que nada
e um pouco mais que tudo,
é um vislumbre desnudo
num robe de seda pura.
Mulher é o querer, é o vício
é a resposta, é a cura,
é um momento propício
à beira dum precipício.
Mulher é uma aventura
uma guerreira e uma mãe
é um gesto de ternura,
é o porquê e o quem
e ao cair a noite escura
é uma mulher também.

                         André Carvalho



domingo, fevereiro 02, 2014

Um conto sobre sacrifício individual por amor aos outros.



Conta uma antiga lenda Maori, da Nova Zelândia, que certo dia o pai de todas as árvores “Tane ma huta” começou a ficar preocupado com as suas filhas, pois estavam a definhar e morrer, pois os vermes da terra atacavam-lhe as raízes.

Preocupado, foi falar com o seu irmão “Tane hoka hoka” o pai de todas as aves e explicou que se não se resolvesse o problema em breve as árvores morreriam todas, e no solo despido as aves do céu com as suas coloridas asas e o seu espírito alegre e livre, também não teriam condições de sobreviver. Era, portanto preciso que alguma ave ajudasse a resolver o problema.

O pai de todas as aves falou. Explicou a situação e perguntou:
- Pássaro Tui, aceitas a tarefa de comer os vermes da terra, abdicando do céu para que todas as árvores e todos pássaros possam sobrevier?

O Pássaro Tui olhou para o fundo da floresta, onde os raios de sol mal penetravam e viu o chão húmido e frio onde teria de viver para sempre, e tremeu. Não respondeu e foi-se esconder!

Perguntou então à Garça Pukeko :
- Aceitas tu ir viver para o chão da floresta?
- Não quero molhar os pés! – Respondeu a garça.

Virou-se então para, Pipi whar auroa, o Cuco, mas estes respondeu:

- Agora não posso, vou fazer um ninho para mim e para a minha família na árvore mais bonita da floresta.

O Pai de todas as aves, ficou triste, pois sabia que em breve não sobraria nenhuma árvore onde os seus filhos pudessem fazer ninhos.

O Pássaro Kiwi, disse:

- Eu vou!

O Pai de todos os pássaros disse-lhe:
- Kiwi, tu o pássaro mais alegre, com as penas mais bonitas e o voo mais encantador? Percebes que se fores vais perder as asas, ganhar pernas toscas e robustas para revolver os troncos mortos. Perder esse bico maravilhoso que te faz cantar tão bem e em troca ficar com um bico forte e grosso para perfurar as cascas das árvores para ir buscar as larvas e os vermes, e no escuro da floresta perderás todas as tuas cores, e nunca mais voarás ou verás mais do sol que alguns raios que atravessem os ramos das árvores?

O Kiwi olhou em volta, despediu-se do céu aberto, da brisa que vinha do mar, e da luz do sol e disse:

- Eu vou.
O pai de todos os pássaros ficou muito feliz por resolver o problema, mas triste por perder a ave mais bonita dos céus. E num acto de raiva castigou o Tui que fugiu, e desde aí o Tui vive escondido da vista de todos. Castigou a garça, que não queria molhar os pés a alimentar-se nos pântanos. E castigou o cuco, que ia fazer o ninho, de modo a que nunca mais nenhum cuco fez ninho, e ainda hoje andam a por os ovos nos ninhos dos outros.

E para que o gesto do kiwi nunca mais fosse esquecido, contou esta história aos homens para que a contassem aos filhos e netos. É por isso que ainda hoje na nova Zelândia o Kiwi é amado por todos, e o seu gesto de abnegação por amor a todos ainda é recordado aos mais novos!

quarta-feira, janeiro 15, 2014

Era uma vez.. o mar.

Conta-se que, há muito tempo, um homem que tinha muitas piscinas nunca tinha visto o mar. Um dia passeou o homem até uma praia e fascinou-se com a imensidão do oceano. Mergulhou nas suas águas, sentiu na pele o sal, embalou-se nas suas ondas, divertiu-se com os seus peixes. Gostou tanto do que experimentou que decidiu que havia de o ter para si, fez uma grande piscina onde colocou a água do mar, mas sem peixes, sem algas e sem sal.


quinta-feira, outubro 03, 2013

Quinta-feira


Hoje é quinta-feira
Mais uma das quintas-feiras
Que deviam ficar por amanhecer

Cheira-me a despedida
Cheira-me a coragem
A tempo frio
A terra molhada

E há uma mãe que chora
Uma mulher que chora
E chora sozinha

Porque mulher é chão
Porque mãe é certeza,
Firmeza e segurança

E, acolhendo ao peito os dois filhos
Num abraço a três


São quatro a desejar
Que esta quinta-feira,
Simplesmente,
Não tivesse amanhecido!





domingo, setembro 29, 2013

Dói-me a chuva

A cada gota
condensada e cristalina
que tomba na terra fria
dói-me

Como se nu
sem ti
morresse a cada pinga

Memória
Eterna
Esperança que nada espera.

A chuva não me cai na pele
mas dói-me cada gota
que penetra a terra.

sábado, março 23, 2013

Lama da saudade



Na terra fêmea de vida
na água que molha e perfuma
na copa da alta pinheira
 na sombra da caruma

Nas mãos se faz escultura
nas gargantas e ravinas
nas mais sentidas caricias
nas costas envoltas em brumas

No silêncio por moldar
no cheiro a solo molhado
no tempo de desejar
no tempo chora passado

És mulher mãe menina
És lama de vida pura
És no silêncio a mina
És todo o mel da ternura

E eu mirando de longe
E eu a ver-te fugir
E eu só no horizonte

E a saudade que estou a sentir!

segunda-feira, março 18, 2013

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Que...

Não há mais longe que o que fica entre a vontade de fazer e o não poder! Não há maior silêncio que a indiferença perante o grito de quem sofre! Não há maior roubo que o da liberdade! Não há maior desperdício que amar sozinho! Não há maior dor que desistir de ser feliz!

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Semeámos hoje um poeta



Semeámos hoje um poeta
Podíamos tê-lo lançado ao vento
Para que as palavras voassem
E enchessem os cantos dos pássaros
Daquelas poesias ao desafio
Que soltava fluente na Serra Algarvia

Semeámos  hoje um poeta
Semeámo-lo na terra
A terra que lhe esculpiu as mãos
A terra que lhe deu de comer
A terra que conquistou e amou
Semeámo-lo hoje na terra
Porque os poetas não se enterram
Semeiam-se
Para que de novo brotem, cresçam
Para que as suas palavras
Voltem a dar sempre novo fruto.

Semeámos hoje um poeta
O adeus não lhe dizemos
Calamos no peito e sorrimos
Porque prevalece a memória
Da poesia, do homem e da história
Que fecha um capítulo
Mas fica ainda muito para contar!


Alexandre de Oliveira
 




sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Sabes, Lua?




Sabes, Lua?
Há quem te veja uma rocha fria
No céu estrelado.
O pálido reflexo do astro rei.
Planeta anão subjugado
Preso em gravidade de tal lei.

Há quem te veja como
A mãe dos bichos
A quem à noite choram os animais
Lacrimejantes olhares em ti fixos
Ignorando que tu, Lua, és muito mais.

Tens no ventre uma brasa imensa
O branco não é mais que liquefeito
néctar de amor que cai no peito
Do amante que soltou vontade intensa
Corpo Lua que ama e não pensa.

Como és fiel amante minha
Todas as noites visitas o meu céu,
Egoísta sou se pensar que tinha
Todo o teu amor devoto ao meu.

Não és de ninguém, formosa Lua
És mulher amante em fogo cru
Sem pudor no céu passeias nua
Visitando em sonhos meu corpo nu.


Tal como o peito de mulher
Frio ao olhar, ao toque quente
Quem um dia ousar te tocar
Nos dedos sentirá como és ardente.
E os poetas que sabem como és
Desejam descobrir esse calor
Colocam humildemente a teus pés
As mais belas palavras de amor!



domingo, janeiro 27, 2013

Let me fly to the moon!



Tenho à janela a luz da Lua
Intensa, branca, pura

Tenho à janela a luz da Lua
feminina, cheia e bela

E, se não me seguram, 
vou abrir os braços
e voar ao encontro dela!