terça-feira, fevereiro 02, 2016
A pedra
Havia no largo da aldeia uma pedra onde o meu avô se sentava
Havia, no mesmo largo,um bebedouro onde a bestas bebiam
Havia mais acima um chafariz, de água férrea e fresca.
A água do chafariz era guardada no corredor escuro
Numa talha de barro, da qual nos servíamos num púcaro de alumínio
Em pequenas mas saborosas doses.
As cabras que passavam no largo da aldeia não podiam beber no chafariz das bestas
As cabras bebiam na ribeira durante a pastagem
Mal eu sabia a lição que estava a aprender:
Alguns contentam-se com a pouca água que conseguem
Os que querem ou precisam de beber mais têm de ir para longe
Porque o grande bebedouro está reservado e só as bestas de lá podem beber
E o meu avô, sentado na pedra, já tinha visto isto tudo!
sexta-feira, novembro 27, 2015
São bonitas as palavras

São bonitas as palavras
São como as mais belas flores
Poesia e fantasia
São como um jardim de amores
São bonitas as palavras
São singelas, saborosas
Duras como diamante
São suaves como rosas
São bonitas as palavras
acredita meu amor
são expressão dos ideais
não tem preço o seu valor
São bonitas as palavras
que mais te posso dizer?
Que saciam a vontade
a quem as sabe comer.
São bonitas as palavras
acredita no que digo,
as mais belas que conheço
são as que eu troco contigo!
Savinien - 2015
quinta-feira, novembro 26, 2015
Magia
Ainda me lembro, princesa
da manta que colocaste no ginjal
naquela noite de Lua Cheia
Lembro-me dos teus pés nus
dançando...
dançavas contigo
dançavas para mim
dançavas comigo
Eterno abraço
Eterno beijo
Estranha magia
O desejo
Que cresce quando se cumpre
Que não se sacia
Eu, tu, silenciosa melodia
Nos teus olhos
A noite brilha
mais que o dia
E era só noite
Eras só tu
E tudo era... magia!
terça-feira, novembro 17, 2015
Tatuagem
Nas minhas mãos acolho o teu sorrisoTorna-se tatuagem no meu peito
num traço tão suave como preciso
ilustro o envolvimento mais perfeito
Da boca cai apaixonado beijo
tombando no teu ombro de mansinho
pelas costas vai descendo o meu desejo
confesso ao teu ouvido bem baixinho
Não escondas por medo teu pensamento
Não prendas no silêncio o teu sentir
Que tudo se constrói num só momento
Num mesmo coração se estão a unir
Comungando num mesmo sentimento
Corpos que na paixão se vão fundir.
Alexandre de Oliveira
sexta-feira, julho 10, 2015
O Príncipe do Mar Cantou (para Isabel Lopes)
Fiz um conto para me embalar
Fiz com as fadas uma aliança.
A deste conto nunca contar.
Mas como ainda sou criança
Quero a mim própria embalar.
Estavam na praia três donzelas
Como três laranjas num pomar.
Nenhuma sabia para qual delas
Cantava o príncipe do mar.
Rosas fatais, as três donzelas
A mão de espuma as desfolhou.
Nenhuma soube para qual delas
O príncipe do mar cantou.
Natália Correia
Não há tempo para quem ama
Não há amor menor
À amizade se chama
A mais pura forma de AMOR
Cresceste rosa bonita
De menina a mulher
Celebra em cada dia
A Magia de viver
Mas como em pequenina
Conta histórias de embalar
Ouvindo o canto bonito
Do belo Príncipe do Mar
Tu, jovem donzela,
como laranja no pomar
És inspiração mais bela
ao príncipe no seu cantar
Um dia, sem que tu esperes,
Num Verão ensolarado
Encontrarás aos teus pés
Um Príncipe Enamorado
E com esse teu sorriso
Que tudo faz iluminar
Vais ouvir essa cantiga
Do teu Príncipe do Mar
Feliz aniversário, Isabel!
do teu sempre admirador e amigo,
Alexandre
terça-feira, julho 07, 2015
Era feliz e não sabia
Belíssima foto do meu primo João Caetano.
Ao olhá-la regresso num momento a um passado sempre presente na zona do
pinho da Beira Baixa. Essa terra maravilhosa de azeite e rezina, de
gente de trabalho, de sacrifício, mas também de alegria e fraternidade.
Cheira-me na pele os caminhos, o pó e o xisto, as uvas morangueiras
brancas a saber a fumo-do-comboio, cheira-me a azeite em cru no caldo
verde de batata migada e o peixe de rio bem frito em molho de cebolada a
saber a picante.
Lembro-me de, em pequeno, jantar à luz do petromax que impregnava a ceia de aromas diferentes e de ir dormir aconchegado pela minha mãe que soprava o pavio do candeeiro a petróleo.
Lembro-me das azeitonas pretas das oliveiras, e das caganitas de cabra que - para menino da cidade - eram muito parecidas.
Lembro-me de ouvir a minha avó Maria a chamar as cabras: Moucha, Chibaneca e Marmeleda... E o meu avô Artur, sisudo, trazendo um regador carregado de figos...
Belos tempos de menino no Casal da Ribeira em que, como diz Drummond de Andrade, eu era feliz e não sabia!
Lembro-me de, em pequeno, jantar à luz do petromax que impregnava a ceia de aromas diferentes e de ir dormir aconchegado pela minha mãe que soprava o pavio do candeeiro a petróleo.
Lembro-me das azeitonas pretas das oliveiras, e das caganitas de cabra que - para menino da cidade - eram muito parecidas.
Lembro-me de ouvir a minha avó Maria a chamar as cabras: Moucha, Chibaneca e Marmeleda... E o meu avô Artur, sisudo, trazendo um regador carregado de figos...
Belos tempos de menino no Casal da Ribeira em que, como diz Drummond de Andrade, eu era feliz e não sabia!
quinta-feira, junho 04, 2015
No lugar em que nos amávamos havia uma árvore
No lugar em que nos amávamos
e só a Lua conhecia
no ar havia o cheiro
de flores e maresia
Havia nos nossos lábios
silêncios e segredos
nos nossos beijos trocados
findavam os nossos medos
Havia um pássaro louco
com uma asa partida
havia um ninho de cuco
e uma rocha fendida
Havia dedos e línguas
havia pele na pele
e da zona fendida
jorrava o leite e o mel
Havia naquele sítio
fora do tempo e do espaço
a linguagem secreta
que se aprende com um abraço
Era tudo efémero
como a vida da gente
que se torna infinita
no amor que se sente
E havia,
No lugar em que nos amávamos,
Uma árvore...
e só a Lua conhecia
no ar havia o cheiro
de flores e maresia
Havia nos nossos lábios
silêncios e segredos
nos nossos beijos trocados
findavam os nossos medos
Havia um pássaro louco
com uma asa partida
havia um ninho de cuco
e uma rocha fendida
Havia dedos e línguas
havia pele na pele
e da zona fendida
jorrava o leite e o mel
Havia naquele sítio
fora do tempo e do espaço
a linguagem secreta
que se aprende com um abraço
Era tudo efémero
como a vida da gente
que se torna infinita
no amor que se sente
E havia,
No lugar em que nos amávamos,
Uma árvore...
quarta-feira, fevereiro 18, 2015
Sou Portugal a Cantar
Eu sou povo marinheiro
Sou sorriso de
criança
Sou sangue na
bandeira
Sou verde e sou
esperança
Sou desejo sem
vontade
Sou vontade sem
desejo
Sou poeta sem defesa
Sou amante sou um
beijo
Sou Luísa na calçada
Sou Monstrengo a
voar
Sou Agostinho na
lota
Sou um pescador no
mar
Sou Pessoa, sou Ary
Catarina na terra
dura
Sei que não vou por
aí
Sou facho a arder na
noite escura
Sou memória, sou
história
Sou mesa que não tem
pão
Sou mais uma mãe que
chora
Sou um fado canção
Sou revolta em braço
armado
Sou cravo no cano
negro
Sou ceifeira e
operário
Sou fila de
desemprego.
Mas sou palavra
Em peito aberto
Sou um mundo todo
inteiro
Sou livre
Não alimento
Os Vampiros do
dinheiro
Sou luta
Sou futuro
Sou um corpo que
avança
Sou o sonho colorido
Nos olhos de uma
criança
Sou Horta, sou
cantoneiro
Sou versos de uma
canção
Sou um grito
verdadeiro
Sou bater do coração
Sou professor
Sou varina
Sou emigrante de
além-mar
Trago na voz os
poetas
Sou Portugal a
cantar!
quinta-feira, setembro 04, 2014
Não faz sentido semear a flor para a cobrir de terra!
Estas flores que a vida semeia nos nossos corações,
estes anjos que nos ensinam a amar depressa,
amar sempre, a cada instante, amar o momento e a vida,
a não fazer planos... e a amar o futuro.
Ah... partiu-se dentro de mim o cristal puro que definia criança
Ah... nasceu em mim a revolta a inconformidade sem esperança
Não faz sentido semear a flor para a cobrir de terra!
Por mais que acredite, por mais que tente... não faz sentido.
Ah... mas a magia das fadas, pega nestes sorrisos, nesta força,
nestes exemplos de vida... faz estrelas novas no firmamento.
É nesta certeza que o amor é eterno que vos sinto brilhar como estrelas,
no segredo da noite no meu coração...
E durante o dia, mesmo sem as ver, sei que estão sempre aqui!
Uma flor regada com lágrimas
é uma estrela que brilha para sempre
dentro do nosso coração!
estes anjos que nos ensinam a amar depressa,
amar sempre, a cada instante, amar o momento e a vida,
a não fazer planos... e a amar o futuro.
Ah... partiu-se dentro de mim o cristal puro que definia criança
Ah... nasceu em mim a revolta a inconformidade sem esperança
Não faz sentido semear a flor para a cobrir de terra!
Por mais que acredite, por mais que tente... não faz sentido.
Ah... mas a magia das fadas, pega nestes sorrisos, nesta força,
nestes exemplos de vida... faz estrelas novas no firmamento.
É nesta certeza que o amor é eterno que vos sinto brilhar como estrelas,
no segredo da noite no meu coração...
E durante o dia, mesmo sem as ver, sei que estão sempre aqui!
Uma flor regada com lágrimas
é uma estrela que brilha para sempre
dentro do nosso coração!
quinta-feira, julho 31, 2014
Sobre a solidão!
"eu nunca estou só, estou sempre comigo !!" (Dina Santos)
A inquietação que esta frase de Dina Santos causou em mim obrigou-me a escrever. Para mim a solidão é das mais terríveis das doenças, causa a pior das mortes - o esquecimento - e traz-nos o inferno em vida.
Acredito que existem três tipos de solidão: o sozinho no meu quarto, o sozinho na praia e o sozinho na multidão. Apesar de eu estar sempre lá, nos três casos, estamos realmente sem companhia.
O sozinho no meu quarto é terrível, significa que o meu lar está ocupado apenas por mim quando desejava os precisava de companhia.
O sozinho à beira mar é excelente, escolhi fugir de tudo e de todos para estar comigo no silêncio profundo da meditação.
O sozinho entre a multidão é o só de António Nobre, a mais inútil forma de viver, é o estar com toda a gente e não sentir irmandade com ninguém.
Esta frase, Dina Santos, fala de um só voluntário, consciente e meditativo.
Fundamental para a nossa felicidade é aceitar a nossa própria presença com amor e respeito. Os que valerem a pena quererão partilhar a nossa companhia.Buscar companhia não é o caminho. Como diz o meu velho mestre, Savinien, citando a filosofia ZEN: "Não caces borboletas, cuida bem do teu jardim"!
domingo, julho 20, 2014
A Loja do Sr. Fausto
![]() | |
| A Loja do Sr. Fauso (in Público) |
Passei-lhe à porta - que ficava a meio caminho entre a minha casa e a Escola Primária nº 44 - duas vezes por dia de segunda a Sábado, durante quatro anos. Ele continua na mesma: alto, cabelo puxado para trás, mas bem mais branco... usa óculos que não tinha... e assim como quem não quer a coisa faço umas contas rápidas: devo ter entrado naquela casa, pela última vez há cerca de 36 anos, mas ainda lhe sinto o cheiro.
Tenho a lágrima ao canto do olho, um aperto de saudade no coração, mas estou feliz... porque permanece em mim esse tempo de menino com mãe... e a saudade é um sentimento lindo: será a derradeira forma de te amar!
sexta-feira, julho 11, 2014
Concerto sem intervalo (a Margarida Moser)
(Picture from here)
Há melodia que invade
no movimento contínuo
de um arco
que sobre as cordas passeia
subindo e descendo
da esquerda para a direita.
Há música na pele, no papel
no metal, na madeira,
na crina de cavalo.
Há música, poema, melodia
toda inteira,
num concerto sem intervalo.
Há uma mulher que vibra
corda de mil arpejos
Há uma mulher que ensina
constrói sonhos e desejos.
E na melodia tocada,
quase em jeito de oração,
fica a memória gravada,
num instante para sempre
no nosso coração!
sexta-feira, julho 04, 2014
Estrelícia (a Vera de Sousa)
Estrela, luz, firmamento,
universo de sonhos cheio,
biologia, zoologia,
botânica, Estudo do Meio.
Uma frase, uma rima,
dois versos e um poema,
uma língua que se ensina,
numa redação com tema.
Contas do dia a dia:
o trabalho dividido,
o amor multiplicado,
o tempo subtraído,
o conhecimento somado.
Matemática, Português,
um dia de saber cheio,
repetir tudo outra vez,
e depois: brincar no recreio!
"Sê poeta, criativo,
sê um escritor, um artista,
copiar não faz sentido,
não queiras ser um copista!"
Muitos alunos te ouviram,
e de tudo o que aprenderam,
fizeram-se gente valorosa
e nunca de ti se esqueceram.
Doce flor da Madeira,
Ave do paraíso,
Professora a vida inteira,
Entre o choro e o riso.
Vera de Verdade
És parte de todos nós
Numa vaga de saudade,
partiste...
ficámos sós.
Há no entanto a força,
que sempre mostraste ter,
Mulher, luta, intensa,
resiste até poder.
Há uma lágrima caída
Na folha que estou a escrever,
Há mais uma estrela no céu,
que eu nunca vou esquecer.
Colega, mestre, amiga,
Pedagoga de eleição,
A tua história de vida
é derradeira lição.
Uma flor da Madeira,
de beleza singular,
uma vida toda inteira,
a aprender e a ensinar.
Os filhos que tu tiveste
guiaste-os pela tua mão
pelo caminho mais curto
que vai direito ao coração.
Celebremos a magia,
da mulher que não se esquece,
com um sorriso de alegria
em cada estrelícia
que floresce!
Alexandre de Oliveira (3 Jul 2014)
quinta-feira, março 27, 2014
Hoje é dia do Teatro.
Hoje é dia do Teatro. A Arte do Faz-de-conta e o melhor remédio para as tristezas da crise...
sábado, março 08, 2014
Dia da Mulher - 2014
O Dia Internacional da Mulher recorda a luta das mulheres por uma vida digna, socialmente reconhecida e com os seus direitos fundamentais devidamente respeitados. Recorda o dia em que, no ano de 1857, cento e trinta operárias morreram queimadas numa fábrica durante um protesto por melhores condições de trabalho. Era exigido às mulheres um horário diário de 16 horas e era-lhes pago cerca de um terço do que era pago aos homens pelo mesmo trabalho. Elas pediam a redução para 10 horas diárias. Para que esse dia e essa luta não sejam esquecidos continuamos a celebrar nesta data a condição feminina e os direitos conquistados pelas mulheres. Hoje, mais que nunca, é importante que não nos esqueçamos de como era e do que foi conquistado para que o passado não nos seja de novo imposto como querem os senhores das grandes finanças.
Recordo o belo poema "Mulher" de André Carvalho:
Mulher é um substantivo
que resiste às tempestades
que é feminino e altivo
e tão dado a liberdades
como ao amor mais cativo;
É uma linha num esboço
que curva no pescoço,
que se debruça nos seios
a mirar olhos alheios
e depois desenha o torso
perdido em devaneios
e novos rotundos enleios.
Mulher é água no deserto
que deixa os rapazes cheios
de sedes e de anseios;
é um lugar longe mas perto
onde uma cabeça pode
descansar sem receios.
Mulher é sextina, é ode
é quadra popular, é soneto
é uma canção tocada
por um jovem no coreto.
Mulher rainha por um dia
por toda a vida coroada:
quem a vê e quem a via
é cantada, celebrada
é pouco menos que nada
e um pouco mais que tudo,
é um vislumbre desnudo
num robe de seda pura.
Mulher é o querer, é o vício
é a resposta, é a cura,
é um momento propício
à beira dum precipício.
Mulher é uma aventura
uma guerreira e uma mãe
é um gesto de ternura,
é o porquê e o quem
e ao cair a noite escura
é uma mulher também.
André Carvalho
Recordo o belo poema "Mulher" de André Carvalho:
Mulher
que resiste às tempestades
que é feminino e altivo
e tão dado a liberdades
como ao amor mais cativo;
É uma linha num esboço
que curva no pescoço,
que se debruça nos seios
a mirar olhos alheios
e depois desenha o torso
perdido em devaneios
e novos rotundos enleios.
Mulher é água no deserto
que deixa os rapazes cheios
de sedes e de anseios;
é um lugar longe mas perto
onde uma cabeça pode
descansar sem receios.
Mulher é sextina, é ode
é quadra popular, é soneto
é uma canção tocada
por um jovem no coreto.
Mulher rainha por um dia
por toda a vida coroada:
quem a vê e quem a via
é cantada, celebrada
é pouco menos que nada
e um pouco mais que tudo,
é um vislumbre desnudo
num robe de seda pura.
Mulher é o querer, é o vício
é a resposta, é a cura,
é um momento propício
à beira dum precipício.
Mulher é uma aventura
uma guerreira e uma mãe
é um gesto de ternura,
é o porquê e o quem
e ao cair a noite escura
é uma mulher também.
André Carvalho
domingo, fevereiro 02, 2014
Um conto sobre sacrifício individual por amor aos outros.
Conta
uma antiga lenda Maori, da Nova Zelândia, que certo dia o pai de todas as
árvores “Tane ma huta” começou a ficar preocupado com as suas filhas, pois
estavam a definhar e morrer, pois os vermes da terra atacavam-lhe as raízes.
Preocupado,
foi falar com o seu irmão “Tane hoka hoka” o pai de todas as aves e explicou
que se não se resolvesse o problema em breve as árvores morreriam todas, e no
solo despido as aves do céu com as suas coloridas asas e o seu espírito alegre
e livre, também não teriam condições de sobreviver. Era, portanto preciso que
alguma ave ajudasse a resolver o problema.
O
pai de todas as aves falou. Explicou a situação e perguntou:
- Pássaro
Tui, aceitas a tarefa de comer os vermes da terra, abdicando do céu para que
todas as árvores e todos pássaros possam sobrevier?
O
Pássaro Tui olhou para o fundo da floresta, onde os raios de sol mal penetravam
e viu o chão húmido e frio onde teria de viver para sempre, e tremeu. Não
respondeu e foi-se esconder!
Perguntou
então à Garça Pukeko :
-
Aceitas tu ir viver para o chão da floresta?
-
Não quero molhar os pés! – Respondeu a garça.
Virou-se
então para, Pipi whar auroa, o Cuco, mas estes respondeu:
-
Agora não posso, vou fazer um ninho para mim e para a minha família na árvore
mais bonita da floresta.
O
Pai de todas as aves, ficou triste, pois sabia que em breve não sobraria
nenhuma árvore onde os seus filhos pudessem fazer ninhos.
O
Pássaro Kiwi, disse:
- Eu
vou!
O
Pai de todos os pássaros disse-lhe:
-
Kiwi, tu o pássaro mais alegre, com as penas mais bonitas e o voo mais
encantador? Percebes que se fores vais perder as asas, ganhar pernas toscas e
robustas para revolver os troncos mortos. Perder esse bico maravilhoso que te
faz cantar tão bem e em troca ficar com um bico forte e grosso para perfurar as
cascas das árvores para ir buscar as larvas e os vermes, e no escuro da
floresta perderás todas as tuas cores, e nunca mais voarás ou verás mais do sol
que alguns raios que atravessem os ramos das árvores?
O
Kiwi olhou em volta, despediu-se do céu aberto, da brisa que vinha do mar, e da
luz do sol e disse:
- Eu
vou.
O
pai de todos os pássaros ficou muito feliz por resolver o problema, mas triste
por perder a ave mais bonita dos céus. E num acto de raiva castigou o Tui que
fugiu, e desde aí o Tui vive escondido da vista de todos. Castigou a garça, que
não queria molhar os pés a alimentar-se nos pântanos. E castigou o cuco, que ia
fazer o ninho, de modo a que nunca mais nenhum cuco fez ninho, e ainda hoje
andam a por os ovos nos ninhos dos outros.
E
para que o gesto do kiwi nunca mais fosse esquecido, contou esta história aos
homens para que a contassem aos filhos e netos. É por isso que ainda hoje na
nova Zelândia o Kiwi é amado por todos, e o seu gesto de abnegação por amor a
todos ainda é recordado aos mais novos!
quarta-feira, janeiro 15, 2014
Era uma vez.. o mar.
Conta-se que, há muito tempo, um homem que tinha muitas piscinas nunca tinha visto o mar. Um dia passeou o homem até uma praia e fascinou-se com a imensidão do oceano. Mergulhou nas suas águas, sentiu na pele o sal, embalou-se nas suas ondas, divertiu-se com os seus peixes. Gostou tanto do que experimentou que decidiu que havia de o ter para si, fez uma grande piscina onde colocou a água do mar, mas sem peixes, sem algas e sem sal.
quinta-feira, outubro 03, 2013
Quinta-feira
Hoje é quinta-feira
Mais uma das quintas-feiras
Que deviam ficar por amanhecer
Cheira-me a despedida
Cheira-me a coragem
A tempo frio
A terra molhada
E há uma mãe que chora
Uma mulher que chora
E chora sozinha
Porque mulher é chão
Porque mãe é certeza,
Firmeza e segurança
E, acolhendo ao peito os dois filhos
Num abraço a três
São quatro a desejar
Que esta quinta-feira,
Simplesmente,
Não tivesse amanhecido!
domingo, setembro 29, 2013
Dói-me a chuva
A cada gota
condensada e cristalina
que tomba na terra fria
dói-me
Como se nu
sem ti
morresse a cada pinga
Memória
Eterna
Esperança que nada espera.
A chuva não me cai na pele
mas dói-me cada gota
que penetra a terra.
condensada e cristalina
que tomba na terra fria
dói-me
Como se nu
sem ti
morresse a cada pinga
Memória
Eterna
Esperança que nada espera.
A chuva não me cai na pele
mas dói-me cada gota
que penetra a terra.
sábado, março 23, 2013
Lama da saudade

Na terra fêmea de vida
na água que molha e perfuma
na copa da alta pinheira
na sombra da caruma
Nas mãos se faz escultura
nas gargantas e ravinas
nas mais sentidas caricias
nas costas envoltas em brumas
No silêncio por moldar
no cheiro a solo molhado
no tempo de desejar
no tempo chora passado
És mulher mãe menina
És lama de vida pura
És no silêncio a mina
És todo o mel da ternura
E eu mirando de longe
E eu a ver-te fugir
E eu só no horizonte
E a saudade que estou a sentir!
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