Escrevo-te, mesmo que não me leias
Hoje fizeste-me falta, como todos os dias. Mas hoje não foi só saudade, não foi só a vontade egoísta, não foi nenhuma dúvida sobre a água no refogado, nem daqueles cheiros que me devolvem ao teu colo. Hoje queria apenas partilhar contigo o bom dia que tive. As pessoas que vi, que ouvi, que falaram dos valores que me deste e da liberdade que me ensinaste a amar. A minha colega Elisabete, de história a tua disciplina favorita, organizou um painel de testemunhos sobre o 25 de abril. Terias gostado de estar lá, não só para falar como para ouvir Luísa Castel-Branco, Samuel, Maria do Amparo ou os combatentes do ultramar. O tempo passou por eles, estão porém fortes, lúcidos e vivos!
Foi um privilégio que tive esta manhã. Gostava de partilhar contigo, porque o que é bom não se deve desfrutar sozinho... foi também bom para os garotos!
Tenho de ti uma saudade louca!
sexta-feira, abril 22, 2016
quarta-feira, março 23, 2016
segunda-feira, março 21, 2016
O sol que há em ti.
As tuas mãos são um verso
de um poema de amor
os teus olhos são lume
o teu seio fervor
o teu olhar infinito
o teu sorriso luminoso
a tua boca é um lago,
onde me sacio, gostoso.
Teu corpo todo inteiro
um livro de poesia
que guarda, bem lá no meio,
um sol cheio de alegria.
Debaixo da tua pele
num arrepio infinito
há um sabor a mel
que se liberta num grito
Depois abraçados
mal cobertos com o lençol
é o teu olhar que brilha
à luz desse teu sol!
Se sol é luz infinita
é também vida e calor
Se o desejo em ti me agita
meu sossego é o teu amor...
quinta-feira, março 03, 2016
A morte de Rodrigo Lapa
![]() |
| Foto da página do Facebook: Até sempre Rodrigo Lapa |
num céu metalizado
Um alerta sobre o jovem
que não foi localizado
Uma mãe nas noticias
sem muito ar de sofrer
Não sabe onde está o filho
Mas também não quer saber
Há alguém preocupado
que o procura sem cessar
Uma foto na internet
Há um rosto a divulgar
Rapaz jovem, como outros
Com uma mãe e com um pai
Que depois do almoço
Para a sua escola vai
Só quem nunca teve 15
quem não foi adolescente
é que não sabe a energia
que na altura invade a gente
Estamos sempre a descobrir
Coisas novas sobre nós
Às vezes queremos companhia
Outras queremos ficar sós
Somos gente a crescer
estamos em terra de ninguém
Já não somos criancinhas
E nem adultos também
Quando o rapaz vai crescendo
Vai a voz engrossando
Vai fazendo muita asneira
Uma vez de quando-em-quando
O amor e a paciência
Nunca faltam aos nossos pais
E àqueles que nos amam
Nós pedimos sempre mais
O amor é um valor
Que distingue a humanidade
Quem o outro não amar
Não é gente de verdade
Há pais de coração
Que nos amam como filhos
Que nos ajudam a safar
Quando estamos em sarilhos
Mas aqui não foi o caso
E isso custa a entender
Onde está o amor de mãe
No coração desta mulher?
Tem o filho já sem vida
A poucos metros de casa
Vai disfarçando a coisa
enquanto o amante baza?
Foge o tipo pró Brasil
Depois de morto o rapaz...
Mulher, era o TEU FILHO
Como tu foste capaz?
Acredito que nascemos
todos para a felicidade
Mas ao ouvir esta história
não sei se será verdade
Espero não estar a ser injusto
Com ela nem com ninguém
Mas uma mulher assim
Estraga a palavra Mãe!
terça-feira, março 01, 2016
Sal (a Cristina Abreu)

Na boca nos olhos na pele
O mar frio e salgado
Corais intensos desafios
Abismos não explorados
Areia que o Sol afaga
Ardente como um beijo
Molha-se em cada vaga
Num vai-vém de desejo
São esses olhos teus
Num sorriso sensacional
Forte intenso, feito vida
Temperado com esse Sal
Há um segredo escondido
P'ra quem quer saber (a)mar
Já diz o mestre antigo
Nele tens de mergullhar
O amor em cada dia
Cria felicidade e paz
Nos momentos de alegria
A cada abraço que dás!
1 de Março 2016
Alexandre
terça-feira, fevereiro 02, 2016
A pedra
Havia no largo da aldeia uma pedra onde o meu avô se sentava
Havia, no mesmo largo,um bebedouro onde a bestas bebiam
Havia mais acima um chafariz, de água férrea e fresca.
A água do chafariz era guardada no corredor escuro
Numa talha de barro, da qual nos servíamos num púcaro de alumínio
Em pequenas mas saborosas doses.
As cabras que passavam no largo da aldeia não podiam beber no chafariz das bestas
As cabras bebiam na ribeira durante a pastagem
Mal eu sabia a lição que estava a aprender:
Alguns contentam-se com a pouca água que conseguem
Os que querem ou precisam de beber mais têm de ir para longe
Porque o grande bebedouro está reservado e só as bestas de lá podem beber
E o meu avô, sentado na pedra, já tinha visto isto tudo!
sexta-feira, novembro 27, 2015
São bonitas as palavras

São bonitas as palavras
São como as mais belas flores
Poesia e fantasia
São como um jardim de amores
São bonitas as palavras
São singelas, saborosas
Duras como diamante
São suaves como rosas
São bonitas as palavras
acredita meu amor
são expressão dos ideais
não tem preço o seu valor
São bonitas as palavras
que mais te posso dizer?
Que saciam a vontade
a quem as sabe comer.
São bonitas as palavras
acredita no que digo,
as mais belas que conheço
são as que eu troco contigo!
Savinien - 2015
quinta-feira, novembro 26, 2015
Magia
Ainda me lembro, princesa
da manta que colocaste no ginjal
naquela noite de Lua Cheia
Lembro-me dos teus pés nus
dançando...
dançavas contigo
dançavas para mim
dançavas comigo
Eterno abraço
Eterno beijo
Estranha magia
O desejo
Que cresce quando se cumpre
Que não se sacia
Eu, tu, silenciosa melodia
Nos teus olhos
A noite brilha
mais que o dia
E era só noite
Eras só tu
E tudo era... magia!
terça-feira, novembro 17, 2015
Tatuagem
Nas minhas mãos acolho o teu sorrisoTorna-se tatuagem no meu peito
num traço tão suave como preciso
ilustro o envolvimento mais perfeito
Da boca cai apaixonado beijo
tombando no teu ombro de mansinho
pelas costas vai descendo o meu desejo
confesso ao teu ouvido bem baixinho
Não escondas por medo teu pensamento
Não prendas no silêncio o teu sentir
Que tudo se constrói num só momento
Num mesmo coração se estão a unir
Comungando num mesmo sentimento
Corpos que na paixão se vão fundir.
Alexandre de Oliveira
sexta-feira, julho 10, 2015
O Príncipe do Mar Cantou (para Isabel Lopes)
Fiz um conto para me embalar
Fiz com as fadas uma aliança.
A deste conto nunca contar.
Mas como ainda sou criança
Quero a mim própria embalar.
Estavam na praia três donzelas
Como três laranjas num pomar.
Nenhuma sabia para qual delas
Cantava o príncipe do mar.
Rosas fatais, as três donzelas
A mão de espuma as desfolhou.
Nenhuma soube para qual delas
O príncipe do mar cantou.
Natália Correia
Não há tempo para quem ama
Não há amor menor
À amizade se chama
A mais pura forma de AMOR
Cresceste rosa bonita
De menina a mulher
Celebra em cada dia
A Magia de viver
Mas como em pequenina
Conta histórias de embalar
Ouvindo o canto bonito
Do belo Príncipe do Mar
Tu, jovem donzela,
como laranja no pomar
És inspiração mais bela
ao príncipe no seu cantar
Um dia, sem que tu esperes,
Num Verão ensolarado
Encontrarás aos teus pés
Um Príncipe Enamorado
E com esse teu sorriso
Que tudo faz iluminar
Vais ouvir essa cantiga
Do teu Príncipe do Mar
Feliz aniversário, Isabel!
do teu sempre admirador e amigo,
Alexandre
terça-feira, julho 07, 2015
Era feliz e não sabia
Belíssima foto do meu primo João Caetano.
Ao olhá-la regresso num momento a um passado sempre presente na zona do
pinho da Beira Baixa. Essa terra maravilhosa de azeite e rezina, de
gente de trabalho, de sacrifício, mas também de alegria e fraternidade.
Cheira-me na pele os caminhos, o pó e o xisto, as uvas morangueiras
brancas a saber a fumo-do-comboio, cheira-me a azeite em cru no caldo
verde de batata migada e o peixe de rio bem frito em molho de cebolada a
saber a picante.
Lembro-me de, em pequeno, jantar à luz do petromax que impregnava a ceia de aromas diferentes e de ir dormir aconchegado pela minha mãe que soprava o pavio do candeeiro a petróleo.
Lembro-me das azeitonas pretas das oliveiras, e das caganitas de cabra que - para menino da cidade - eram muito parecidas.
Lembro-me de ouvir a minha avó Maria a chamar as cabras: Moucha, Chibaneca e Marmeleda... E o meu avô Artur, sisudo, trazendo um regador carregado de figos...
Belos tempos de menino no Casal da Ribeira em que, como diz Drummond de Andrade, eu era feliz e não sabia!
Lembro-me de, em pequeno, jantar à luz do petromax que impregnava a ceia de aromas diferentes e de ir dormir aconchegado pela minha mãe que soprava o pavio do candeeiro a petróleo.
Lembro-me das azeitonas pretas das oliveiras, e das caganitas de cabra que - para menino da cidade - eram muito parecidas.
Lembro-me de ouvir a minha avó Maria a chamar as cabras: Moucha, Chibaneca e Marmeleda... E o meu avô Artur, sisudo, trazendo um regador carregado de figos...
Belos tempos de menino no Casal da Ribeira em que, como diz Drummond de Andrade, eu era feliz e não sabia!
quinta-feira, junho 04, 2015
No lugar em que nos amávamos havia uma árvore
No lugar em que nos amávamos
e só a Lua conhecia
no ar havia o cheiro
de flores e maresia
Havia nos nossos lábios
silêncios e segredos
nos nossos beijos trocados
findavam os nossos medos
Havia um pássaro louco
com uma asa partida
havia um ninho de cuco
e uma rocha fendida
Havia dedos e línguas
havia pele na pele
e da zona fendida
jorrava o leite e o mel
Havia naquele sítio
fora do tempo e do espaço
a linguagem secreta
que se aprende com um abraço
Era tudo efémero
como a vida da gente
que se torna infinita
no amor que se sente
E havia,
No lugar em que nos amávamos,
Uma árvore...
e só a Lua conhecia
no ar havia o cheiro
de flores e maresia
Havia nos nossos lábios
silêncios e segredos
nos nossos beijos trocados
findavam os nossos medos
Havia um pássaro louco
com uma asa partida
havia um ninho de cuco
e uma rocha fendida
Havia dedos e línguas
havia pele na pele
e da zona fendida
jorrava o leite e o mel
Havia naquele sítio
fora do tempo e do espaço
a linguagem secreta
que se aprende com um abraço
Era tudo efémero
como a vida da gente
que se torna infinita
no amor que se sente
E havia,
No lugar em que nos amávamos,
Uma árvore...
quarta-feira, fevereiro 18, 2015
Sou Portugal a Cantar
Eu sou povo marinheiro
Sou sorriso de
criança
Sou sangue na
bandeira
Sou verde e sou
esperança
Sou desejo sem
vontade
Sou vontade sem
desejo
Sou poeta sem defesa
Sou amante sou um
beijo
Sou Luísa na calçada
Sou Monstrengo a
voar
Sou Agostinho na
lota
Sou um pescador no
mar
Sou Pessoa, sou Ary
Catarina na terra
dura
Sei que não vou por
aí
Sou facho a arder na
noite escura
Sou memória, sou
história
Sou mesa que não tem
pão
Sou mais uma mãe que
chora
Sou um fado canção
Sou revolta em braço
armado
Sou cravo no cano
negro
Sou ceifeira e
operário
Sou fila de
desemprego.
Mas sou palavra
Em peito aberto
Sou um mundo todo
inteiro
Sou livre
Não alimento
Os Vampiros do
dinheiro
Sou luta
Sou futuro
Sou um corpo que
avança
Sou o sonho colorido
Nos olhos de uma
criança
Sou Horta, sou
cantoneiro
Sou versos de uma
canção
Sou um grito
verdadeiro
Sou bater do coração
Sou professor
Sou varina
Sou emigrante de
além-mar
Trago na voz os
poetas
Sou Portugal a
cantar!
quinta-feira, setembro 04, 2014
Não faz sentido semear a flor para a cobrir de terra!
Estas flores que a vida semeia nos nossos corações,
estes anjos que nos ensinam a amar depressa,
amar sempre, a cada instante, amar o momento e a vida,
a não fazer planos... e a amar o futuro.
Ah... partiu-se dentro de mim o cristal puro que definia criança
Ah... nasceu em mim a revolta a inconformidade sem esperança
Não faz sentido semear a flor para a cobrir de terra!
Por mais que acredite, por mais que tente... não faz sentido.
Ah... mas a magia das fadas, pega nestes sorrisos, nesta força,
nestes exemplos de vida... faz estrelas novas no firmamento.
É nesta certeza que o amor é eterno que vos sinto brilhar como estrelas,
no segredo da noite no meu coração...
E durante o dia, mesmo sem as ver, sei que estão sempre aqui!
Uma flor regada com lágrimas
é uma estrela que brilha para sempre
dentro do nosso coração!
estes anjos que nos ensinam a amar depressa,
amar sempre, a cada instante, amar o momento e a vida,
a não fazer planos... e a amar o futuro.
Ah... partiu-se dentro de mim o cristal puro que definia criança
Ah... nasceu em mim a revolta a inconformidade sem esperança
Não faz sentido semear a flor para a cobrir de terra!
Por mais que acredite, por mais que tente... não faz sentido.
Ah... mas a magia das fadas, pega nestes sorrisos, nesta força,
nestes exemplos de vida... faz estrelas novas no firmamento.
É nesta certeza que o amor é eterno que vos sinto brilhar como estrelas,
no segredo da noite no meu coração...
E durante o dia, mesmo sem as ver, sei que estão sempre aqui!
Uma flor regada com lágrimas
é uma estrela que brilha para sempre
dentro do nosso coração!
quinta-feira, julho 31, 2014
Sobre a solidão!
"eu nunca estou só, estou sempre comigo !!" (Dina Santos)
A inquietação que esta frase de Dina Santos causou em mim obrigou-me a escrever. Para mim a solidão é das mais terríveis das doenças, causa a pior das mortes - o esquecimento - e traz-nos o inferno em vida.
Acredito que existem três tipos de solidão: o sozinho no meu quarto, o sozinho na praia e o sozinho na multidão. Apesar de eu estar sempre lá, nos três casos, estamos realmente sem companhia.
O sozinho no meu quarto é terrível, significa que o meu lar está ocupado apenas por mim quando desejava os precisava de companhia.
O sozinho à beira mar é excelente, escolhi fugir de tudo e de todos para estar comigo no silêncio profundo da meditação.
O sozinho entre a multidão é o só de António Nobre, a mais inútil forma de viver, é o estar com toda a gente e não sentir irmandade com ninguém.
Esta frase, Dina Santos, fala de um só voluntário, consciente e meditativo.
Fundamental para a nossa felicidade é aceitar a nossa própria presença com amor e respeito. Os que valerem a pena quererão partilhar a nossa companhia.Buscar companhia não é o caminho. Como diz o meu velho mestre, Savinien, citando a filosofia ZEN: "Não caces borboletas, cuida bem do teu jardim"!
domingo, julho 20, 2014
A Loja do Sr. Fausto
![]() | |
| A Loja do Sr. Fauso (in Público) |
Passei-lhe à porta - que ficava a meio caminho entre a minha casa e a Escola Primária nº 44 - duas vezes por dia de segunda a Sábado, durante quatro anos. Ele continua na mesma: alto, cabelo puxado para trás, mas bem mais branco... usa óculos que não tinha... e assim como quem não quer a coisa faço umas contas rápidas: devo ter entrado naquela casa, pela última vez há cerca de 36 anos, mas ainda lhe sinto o cheiro.
Tenho a lágrima ao canto do olho, um aperto de saudade no coração, mas estou feliz... porque permanece em mim esse tempo de menino com mãe... e a saudade é um sentimento lindo: será a derradeira forma de te amar!
sexta-feira, julho 11, 2014
Concerto sem intervalo (a Margarida Moser)
(Picture from here)
Há melodia que invade
no movimento contínuo
de um arco
que sobre as cordas passeia
subindo e descendo
da esquerda para a direita.
Há música na pele, no papel
no metal, na madeira,
na crina de cavalo.
Há música, poema, melodia
toda inteira,
num concerto sem intervalo.
Há uma mulher que vibra
corda de mil arpejos
Há uma mulher que ensina
constrói sonhos e desejos.
E na melodia tocada,
quase em jeito de oração,
fica a memória gravada,
num instante para sempre
no nosso coração!
sexta-feira, julho 04, 2014
Estrelícia (a Vera de Sousa)
Estrela, luz, firmamento,
universo de sonhos cheio,
biologia, zoologia,
botânica, Estudo do Meio.
Uma frase, uma rima,
dois versos e um poema,
uma língua que se ensina,
numa redação com tema.
Contas do dia a dia:
o trabalho dividido,
o amor multiplicado,
o tempo subtraído,
o conhecimento somado.
Matemática, Português,
um dia de saber cheio,
repetir tudo outra vez,
e depois: brincar no recreio!
"Sê poeta, criativo,
sê um escritor, um artista,
copiar não faz sentido,
não queiras ser um copista!"
Muitos alunos te ouviram,
e de tudo o que aprenderam,
fizeram-se gente valorosa
e nunca de ti se esqueceram.
Doce flor da Madeira,
Ave do paraíso,
Professora a vida inteira,
Entre o choro e o riso.
Vera de Verdade
És parte de todos nós
Numa vaga de saudade,
partiste...
ficámos sós.
Há no entanto a força,
que sempre mostraste ter,
Mulher, luta, intensa,
resiste até poder.
Há uma lágrima caída
Na folha que estou a escrever,
Há mais uma estrela no céu,
que eu nunca vou esquecer.
Colega, mestre, amiga,
Pedagoga de eleição,
A tua história de vida
é derradeira lição.
Uma flor da Madeira,
de beleza singular,
uma vida toda inteira,
a aprender e a ensinar.
Os filhos que tu tiveste
guiaste-os pela tua mão
pelo caminho mais curto
que vai direito ao coração.
Celebremos a magia,
da mulher que não se esquece,
com um sorriso de alegria
em cada estrelícia
que floresce!
Alexandre de Oliveira (3 Jul 2014)
quinta-feira, março 27, 2014
Hoje é dia do Teatro.
Hoje é dia do Teatro. A Arte do Faz-de-conta e o melhor remédio para as tristezas da crise...
sábado, março 08, 2014
Dia da Mulher - 2014
O Dia Internacional da Mulher recorda a luta das mulheres por uma vida digna, socialmente reconhecida e com os seus direitos fundamentais devidamente respeitados. Recorda o dia em que, no ano de 1857, cento e trinta operárias morreram queimadas numa fábrica durante um protesto por melhores condições de trabalho. Era exigido às mulheres um horário diário de 16 horas e era-lhes pago cerca de um terço do que era pago aos homens pelo mesmo trabalho. Elas pediam a redução para 10 horas diárias. Para que esse dia e essa luta não sejam esquecidos continuamos a celebrar nesta data a condição feminina e os direitos conquistados pelas mulheres. Hoje, mais que nunca, é importante que não nos esqueçamos de como era e do que foi conquistado para que o passado não nos seja de novo imposto como querem os senhores das grandes finanças.
Recordo o belo poema "Mulher" de André Carvalho:
Mulher é um substantivo
que resiste às tempestades
que é feminino e altivo
e tão dado a liberdades
como ao amor mais cativo;
É uma linha num esboço
que curva no pescoço,
que se debruça nos seios
a mirar olhos alheios
e depois desenha o torso
perdido em devaneios
e novos rotundos enleios.
Mulher é água no deserto
que deixa os rapazes cheios
de sedes e de anseios;
é um lugar longe mas perto
onde uma cabeça pode
descansar sem receios.
Mulher é sextina, é ode
é quadra popular, é soneto
é uma canção tocada
por um jovem no coreto.
Mulher rainha por um dia
por toda a vida coroada:
quem a vê e quem a via
é cantada, celebrada
é pouco menos que nada
e um pouco mais que tudo,
é um vislumbre desnudo
num robe de seda pura.
Mulher é o querer, é o vício
é a resposta, é a cura,
é um momento propício
à beira dum precipício.
Mulher é uma aventura
uma guerreira e uma mãe
é um gesto de ternura,
é o porquê e o quem
e ao cair a noite escura
é uma mulher também.
André Carvalho
Recordo o belo poema "Mulher" de André Carvalho:
Mulher
que resiste às tempestades
que é feminino e altivo
e tão dado a liberdades
como ao amor mais cativo;
É uma linha num esboço
que curva no pescoço,
que se debruça nos seios
a mirar olhos alheios
e depois desenha o torso
perdido em devaneios
e novos rotundos enleios.
Mulher é água no deserto
que deixa os rapazes cheios
de sedes e de anseios;
é um lugar longe mas perto
onde uma cabeça pode
descansar sem receios.
Mulher é sextina, é ode
é quadra popular, é soneto
é uma canção tocada
por um jovem no coreto.
Mulher rainha por um dia
por toda a vida coroada:
quem a vê e quem a via
é cantada, celebrada
é pouco menos que nada
e um pouco mais que tudo,
é um vislumbre desnudo
num robe de seda pura.
Mulher é o querer, é o vício
é a resposta, é a cura,
é um momento propício
à beira dum precipício.
Mulher é uma aventura
uma guerreira e uma mãe
é um gesto de ternura,
é o porquê e o quem
e ao cair a noite escura
é uma mulher também.
André Carvalho
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