Apeteceste-me hoje tanto tanto que o dia se arrastou sem
oriente nem norte que a vida me negou um flamejo de sorte e me deu um murro no
estômago desenhando impossíveis nas margem do meu caderno onde escrevo
devagarinho o desejo eterno por satisfazer por te ver por te sentir por te ter
por te desenhar a ponta do nariz com a minha língua por sublinhar com os meus
dedos as duas curvas dos teus segredos os altos e visíveis e os outros ainda
mais secretos e mais impossíveis e no meio de tanto me apeteceres tive sede de
ti e de mim de um cocktail mágico fluído nacarado embutido vertido e convertido
que na língua se pendura que na boca perdura que no nariz se demora e nunca nos
deixa nunca se vai embora e caí no chão chorando a saudade que me afoga sem me
matar que a saudade nunca se mata mas mata-nos sempre e no meio do choro solto
e da melodia tardia do meu pranto só me apetecia dizer-te em agonia que hoje
apeteceste-me tanto tanto!
sábado, agosto 17, 2019
quinta-feira, agosto 08, 2019
Dia mundial do Gato - três gatos que me encheram de vida.
Neste dia mundial do gato a homenagem a três gatos que me marcaram a vida.
Eu devia ter cerca de 6 anos quando a minha mãe entrou em casa com um gato bebé lindo, magrinho que Deus o dava. Ele estava debaixo de um carro, faminto e abandonado, minha mãe levou-o para casa. Era tão magro e fraquito que o meu pai lhe pôs o nome de Fuinha, vou o meu primeiro amigo silencioso, com uns olhos verdes enormes e um paciência notável para me aturar. O Fuinha esteve connosco cerca de quatro anos, mas por essa altura começaram os problemas com o senhorio e os meus pais tiverem de se desfazer do gato, para tristeza de todos. Foi levado por um amigo para uma quinta no Algarve, o Algarve era tão longe e inacessível para mim como a Nova Zelândia. Muito mais tarde fui ao Algarve pela primeira vez, dentro d emim a saudade era tão grande que cada gato listrado que eu via pensava se seria ele... Sonho que teve uma vida longa e feliz e que tem um prole vasta que ainda hoje faz companhia a outras crianças por terras algarvias.
Decorria o ano de 2000, era Junho, e Portugal disputava em casa o campeonato da Europa de Futebol, no relvado Figo fazia as delicias dos adeptos. Portugal, contra todas as probabilidades ficava em primeiro do grupo, seguido da Roménia afastando dos quartos de final as poderosas seleções da Inglaterra e da Alemanha. Na rua uma ninhada de gatos, alheios a isto tudo, tinha nascido no dia dos meus anos., no dia mundial da criança. Eram seis, cada um com um padrão diferente, a minha mãe foi-se apaixonando por um deles. Um gatito malhado, com barba à Errol Flynn, e a elegância própria dos felinos de alta linhagem. Era um senhor vagabundo, daqueles que deliciosamente nos rouba o coração à primeira troca de olhares. Foi para nossa casa ainda a beber leite, adaptou-se bem e como era louco por bolas ganhou o nome da vedeta nacional e passou a chamar-se Figo Manuel. Eu reclamei, adorava o filme "O Gato que veio de espaço" e queria que ele se chamasse cósmico. Mas o bicho não largava a bola e não mostrava qualquer interesse pelo espaço sideral e assim lá tive de aceitar que o meu irmão peludo se chamasse Figo. É um senhor gato, ainda hoje com 19 anos feitos é um senhor gato, já não tem os 12 quilos de outrora, naquela altura em que a vizinha tinha um cão que ao vê-lo nunca mais quis sair de casa. O Figo nunca foi um animal de estimação, foi e é o meu irmão peludo, viveu connosco as alegrias e as tristezas, as ausências, as perdas, o luto. É um sobrevivente, seguro de si, meigo, inteligente, há quem diga que só lhe falta falar, mas acho que só nunca o fez porque arranjou sempre maneira de nos dizer o que queria sem precisar de falar. Quando a minha mãe partiu sentiu-lhe a falta como nós. Nunca recuperou da sua ausência como nós, ainda hoje se deita aos pés da cama, no mesmo sitio de sempre, e quando a porta se abre vem rapidamente ver se é ela, não disfarçando o desapontamento por não ser. O meu irmão peludo.
Eu devia ter cerca de 6 anos quando a minha mãe entrou em casa com um gato bebé lindo, magrinho que Deus o dava. Ele estava debaixo de um carro, faminto e abandonado, minha mãe levou-o para casa. Era tão magro e fraquito que o meu pai lhe pôs o nome de Fuinha, vou o meu primeiro amigo silencioso, com uns olhos verdes enormes e um paciência notável para me aturar. O Fuinha esteve connosco cerca de quatro anos, mas por essa altura começaram os problemas com o senhorio e os meus pais tiverem de se desfazer do gato, para tristeza de todos. Foi levado por um amigo para uma quinta no Algarve, o Algarve era tão longe e inacessível para mim como a Nova Zelândia. Muito mais tarde fui ao Algarve pela primeira vez, dentro d emim a saudade era tão grande que cada gato listrado que eu via pensava se seria ele... Sonho que teve uma vida longa e feliz e que tem um prole vasta que ainda hoje faz companhia a outras crianças por terras algarvias.
Hoje a casa é partilhada com a Sky, uma gata branca e surda com manias de vedeta, que tanto me apaixona como desespera. Uma gata que é amor e ciúme, sossego e fúria, calma e inquietação. Uma caçadora que observa e age. Uma guardiã de espíritos, uma condutora de almas. Sempre alerta, sempre próxima, sempre connosco. A Sky é a minha primeira gata, provavelmente a última, é-me amor felino, interesseiro e racional, é-me instinto e prazer, é-me companhia na noite, é-me carinho de dia. A Sky é dona da casa e permite-nos que co-habitemos com ela. A Sky é, talvez, exactamente como eu seria se nascesse gata.
terça-feira, julho 16, 2019
ECLIPSE
No silêncio cúmplice da noite
Altiva no céu, tão majestosa
O astro redondo, esburacado
Alma que grita silenciosa!
Luz do sol distante te ilumina
Vestida de prata estás vaidosa
Um sorriso alegre de menina
A maré que sobe caprichosa
Acerca-se hoje do teu ventre
Uma sombra que não permanece
É como um convite que diz "Entre"
E no ponto alto acontece
Não há nada que nos desconcentre
Um abraço e a noite desvanece.
quarta-feira, junho 26, 2019
A chuva de Junho
Chove em Junho
As sardinhas estão na brasa
Mas apetece-me castanhas
Chove em Junho
Na praia vou ao mar
Com duche antes e depois
Chove em Junho
Na Polónia estão 40 graus
Aqui está frio...
E chove em Junho!
As sardinhas estão na brasa
Mas apetece-me castanhas
Chove em Junho
Na praia vou ao mar
Com duche antes e depois
Chove em Junho
Na Polónia estão 40 graus
Aqui está frio...
E chove em Junho!
sábado, março 30, 2019
Entre os Flamingos
Entre os Flamingos
Pernas compridas imensas
Um rubor de inocência
Um vermelho de desejo
A elegância de um estar
A saudade da ausência
A promessa de um beijo
As asas ameaçam voar
Desvendando a natureza
E inventando caminhos
Na loucura de te amar
Quase tive a certeza
Que te vi entre os flamingos!
quinta-feira, março 21, 2019
Escrevi-te um poema na Lua

Foi na suave luz da Lua
Que te escrevi um poema
Que falava em ver-te nua
E tinha O AMOR por tema
Entre sonhos e desejos
Esse poema escrevi
Enfeitei-o com uns beijos
Que eu recebi de ti
No momento em que te vi
Cativaste o meu olhar
E tudo eu faço por ti
Numa história de encantar
Hoje sei que descobri
O que quer dizer AMAR!
Sumo de Laranja - 1988
quinta-feira, janeiro 24, 2019
Desprendo-me

Desprendo-me de ti
como uma gota de orvalho
que nas manhãs cálidas de Primavera
cessa a sua existência
Num último passeio
pelo teu corpo
nascido nos teus olhos
sou brilho e inocência
Deslizo suavemente
nos cantos da tua boca
pelo teu pescoço
sem urgência
Depois, atrevido, passeio
inquieto e gaiato
na curva lisa do teu seio
ah... impaciência
Fugindo
na esquina dos rins
Sou tentação
que imprudência.
Ah... por montes
e vales secretos
Eu me passeio
com a tua conivência
Das coxas para os joelhos
Das pernas para os pés
Sou gota que perde
Eficiência
E no fim, já cansado
vejo surgir nos teus olhos
uma outra gota
com a mesma transparência
Há agora no chão molhado
O que resta da fragrância
Há quem lhe chame amor
Eu chamo-lhe: resiliência!
quarta-feira, novembro 21, 2018
Caçador de sonhos
Adormeces aqui no meu abraço
Cai a noite sobre os dias risonhos
Adormeces vencido de cansaço
Na noite acordas caçador de sonhos
Na noite escura não andas sozinho
Perdido nas sombras de becos medonhos
Enquanto sonhas inventas caminho
Porque tu és um caçador de sonhos
Brincas saltando todo o santo dia
Momentos parados são enfadonhos
Não há limites para a rebeldia
Tua luz alegra rostos tristonhos
Vives espalhando a tua alegria
E a ti te chamam: caçador de sonhos!
domingo, novembro 18, 2018
Guardas no fundo dos olhos!

Há na paisagem o cheiro a verde
O verde selvagem que guardas no fundo dos olhos
Debaixo das pedras cinzentas
brincam os duendes, namorando as fadas.
como eu te namoro a ti...
paisagem mais romântica eu nunca vi!
As folhas douradas, memórias do passado,
são desejos futuros ainda por inventar.
Uma música Celta inunda o ar...
Dança o sentimento que não sei definir
No sentir intenso de uma flor a abrir!
O néctar perfumado que me molha os dedos
em carícias mergulhados nos teus segredos
e um beijo inventado nas bocas revoltas
Abres as asas e voas - e voas - e voltas!
O frio nevoeiro o vale encheu
E nos olhos cúmplices a vontade nasceu..
As línguas cruzadas e um doce tremor
Quando um beijo se de funde, sorri o amor!
quarta-feira, outubro 24, 2018
Pianoforte
No quarto da mansarda já esquecida
Um piano chora sob os seus dedos
Em cada nota uma oração de vida
Nas pausas ela esconde os seus segredos
Suave a melodia que se escuta
Entre gotas de chuva dissolvida
Atormentada alma em fogo exulta
Um corpo de mulher gerando vida
Dedos são martelos tocando um sino
Gritando sem parar o seu clamor
Num voo que se expande como um hino
Liberdade sem dono nem senhor
Um intenso desejo em desatino
E rendida aos caprichos do amor
sábado, outubro 06, 2018
Há no teu beijo

Há no teu beijo um silêncio
dos olhos que os meus encontram.
Um olhar de segredos,
que os nossos lábios não contam.
Há no teu beijo um desejo,
que fica por saciar.
Quando trocamos o beijo
há melodia no ar.
Há no teu beijo o sol
com o seu intenso calor
nas pétalas da tua boca
suave promessa de amor.
terça-feira, setembro 25, 2018
Há palavras que são muros, há palavras que são pontes.
Há palavras
que são muros
Há palavras
que são pontes
A Inveja é
muro, ergue-se entre as gentes
A
desconfiança, outro, e a xenofobia,
O medo, a
cobardia, não gostar dos diferentes.
Há palavras
que são pontes, que ligam corações,
Solidariedade,
amizade, e a filantropia
Que é assim
uma alegria de fazer boas ações.
Há palavras
que são muros, como a fome e a guerra
E o
desespero, obscuro, de uma mãe que se lança
Ao mar. por
não estar segura em terra
Há palavras
que nos vêm pela boca dos profetas,
Palavras que
nos consolam,
Nas horas
triste e desertas.
Há palavras
que são pontes, como amor e amizade
Pontes que
vencem muros:
Fé,
esperança e caridade.
terça-feira, setembro 11, 2018
Não dirás de mim uma só palavra

Não dirás de mim uma só palavra
após a minha morte.
Não voltes a dizer o meu nome,
não me prendas a ti.
Não quero ser-te uma memória.
Deixa-me ser-te silêncio,
apenas isso.
Que eu te seja na saudade,
derradeira forma de amar.
sexta-feira, agosto 03, 2018
Fala-me da rosa
Fala-me da rosa
Fala-me do silêncio em que as pétalas dançam
E do perfume que fica nos dedos
O macio aveludado do gesto
no mais belo dos segredos
Fala-me da rosa
Da melodia do sentir
da espera que atormenta
no momento que está para vir
Fala-me da rosa
terça-feira, julho 24, 2018
Allegro con spirito
Silêncio,
prelúdio do beijo
melodia doce
que me enleia,
desejo.
Salpicam
notas de tinta,
lágrimas a saber a mel,
um sentir
gravado
nas folhas de papel.
Cantar-te
em voz aberta,
melodia em clave de sol
da coxa meio encoberta
pelo branco do teu lençol.
Murmuro
ao teu ouvido:
"todo o meu ser pulsará"
enquanto me alongo contigo
num toque em
clave de Fá!
Para que a melodia
faça sentido em Mi menor
Tens de me dar
uma nota
do acorde
Si Maior!
Não há limites na música
não há línguas
nem fronteiras,
há apenas emoções
intensas
e verdadeiras
segunda-feira, junho 25, 2018
Teus pés
Teus pés são gotas cristalinas
chuva de Verão
penetram suavemente
a terra quente
como quem voa
como quem dança
na ausência
do corpo
tudo é gesto e elegância
no sentir que me despertas
és a minha companhia
nas horas mais desertas
nas secretas fantasias
quero ser caminho
onde andes livremente
mas não pises os sentimentos
que deposito na tua frente
no teu altar sagrado
há uma pedra fendida
onde dançam encantados
os doces mistérios da vida.
Savinien (2018)
Foto: Olivia Bell (ThebellSisters.com)
terça-feira, março 27, 2018
Le Rouge... Beltrame!
Le Bleu
Le Blanc
Le Rouge
Le Rouge... Beltrame!
A bandeira francesa tem azul
como os uniformes dos polícias
Como Beltrame!
A bandeira francesa tem branco
como as mãos nuas de quem se entrega
Como as de Beltrame!
A bandeira francesa tem vermelho
como o sangue dos que morrem inocentes
Como Beltrame!
Naquela noite uma
mulher jantou com a sua família
Graças a Beltrame!
Mas a mulher de Beltrame
jantou sozinha
Morreu Beltrame!
Toda a vida que se dá por amor
permanece no amor para sempre
Até sempre, Beltrame!
domingo, março 25, 2018
Manto de Estrelas
O espaço fecundo do teu ventre
gera palavras bonitas
numa ode inspirada
onde tu choras e gritas
Quero beber cada letra
no vinho tinto maduro
que serves de madrugada
Num quarto forrado de escuro
Quero descobrir-te
mulher, no teu corpo de lua
num gesto simples despir-te
e depois contemplar-te nua
Os dois no mesmo segredo
Nesta conversa sem fim
Onde impera o desejo
e cresce fora de mim
Deitado a teu lado,
teus aromas me revelas
vou roubar-te um beijo
Sob um manto de estrelas
Noite de mil poemas
e um texto corrido
embala-me neste meu sono,
que hoje eu sonho contigo
Subscrever:
Mensagens (Atom)









