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quarta-feira, setembro 20, 2006

Ditado Árabe

Sabendo como eu gosto de histórias orientais, a Raquel enviou-me este velho ditado árabe:

واحدئيس الوزراء هو الحاكم الفعلي للبلاد. البرلمان الإسباني م

قسم الى مجلسين واحد للأعيان ( وعدد أعضاء يبل عين و واحد للنواب و عدد نتائج
الانتخابات نائب . نتائج الانتخابات الأخير مباشرة من أصبحت الشعبسنوات، بينما
كل سنوات، بينما يعين عنتخاباتضو من مجلس الأعيان و ينتخب الباقون من الشعب
أيضاً. رئيس الوزراء و الوزراء يتم تعيينهم من قبل البرلمان اعتماداً على نتائج
الانتخابات النيابية . أهم الأحزاب الإس أصمقسم الى مجلسين واحد للأعيان ( وعدد
أعبحت الشعببانية يتم ماعية و تعيينهمللأعيان


Vale a pena pensar nisto...

quinta-feira, setembro 07, 2006

O Homem que caminhava à chuva

Um conto chinês diz que, num dia de chuva cerrada, um homem caminhava à chuva em passos lentos e descansados. Um outro homem passou por ele apressado e perguntou-lhe:
- Olha como chove! Porque não andas mais depressa?
- Porque lá a frente também chove! - respondeu o primeiro homem.

terça-feira, setembro 05, 2006

A Vida Como Ela É - Nelson Rodrigues


O rico e o pobre são duas pessoas.

O soldado protege os dois.

O operário trabalha pelos três.

O cidadão paga pelos quatro.

O vagabundo come pelos cinco.

O advogado rouba os seis.

O juiz condena os sete.

O médico mata os oito.

O coveiro enterra os nove.

O diabo leva os dez.

E a mulher engana os onze.

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Porque - Sophia de Mello Breyner Andresen

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN



Como estas palavras me tocam cá no fundo.
Porque é preciso coragem para ser diferente,
porque o mundo não aceita toda a gente.
Porque neste mundo estão muito frios os corações,
mesmo deste povo que, no Natal, só sms enviou 750 milhoes!

terça-feira, dezembro 13, 2005

Natal

Quente guardado em segredo
nesse misterioso berço,
menino que vais nascer
que eu não sei se mereço.

Pudesse aplanar teu mundo
excluir todo o mal,
Dar-te de presente o futuro
numa manhã de Natal.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Vi(R)agens


Passo, passo, passo
viagem dura que faço

sempre, sempre, sempre
não parar, seguir em frente

volta, volta, volta
não volta, voltar é derrota

Perna, pé, agita a mão
olhos em frente, bate o coração

E a gente sente,
não parar
Cada etapa é um novo começar.

Cada etapa é uma viagem,
Cada curva é uma viragem!

Para o Pedro

quarta-feira, novembro 30, 2005

Aos olhos de tua mãe

Os teus olhos de menino
Já há muito os perdeste
Levados no turbilhão
Desta vida que escolheste

Pessoas passam por ti
Umas fingem não te ver
Outras olham-te de frente
Temendo o que lhes vais fazer

Mas em ti ainda vive
Essa alma de menino.
Aos olhos de tua mãe
Serás sempre pequenino.

E mundo todo inteiro
Não balança com a razão
Esse amor tão perfeito
Que ela tem no coração


O tempo passa certeiro
Sem nunca voltar pra trás
Se quisesses tu mudavas
Mas nem vês se és capaz


Tanta dôr e sofrimento
Tanto tempo sem dizer
É na ausência da notícia
Que mais a fazes sofrer

Quem te vê a vaguear
Pelas ruas sem destino
Não consegue imaginar
Como foste em pequenino

Talvez olhando pra ela
Nos olhos do coração
Sintas o amor que guarda
Para pôr na tua mão

domingo, novembro 27, 2005

Em ti se guarda a vida

Mulher de olhos profundos,
com um coração sem fim,
ouve as singelas palavras
que vêm do fundo de mim.

Toda a vida é pra viver,
não é pra pensarmos nela,
só vivendo cada instante,
a descobrimos tão bela.

Não podemos ser sozinhos,
essa é nossa condição.
Não podemos dar as ordens
pra dentro do coração.

O coração é um cego louco
Que só ama quem ele quer,
E o amor é mais profundo,
quando a alma é de mulher.

Agarra, então, essa magia,
vive o amor sem medida,
Sorri com doce alegria,
Pois em ti se guarda a vida!

Para a Ana...

quarta-feira, novembro 23, 2005

Vermelho sobre Areia

Vermelho sobre Areia
Há, sobre a areia da praia,
uma flor vermelha
de encarnado sangue.

É discreta no tamanho,
invisível a quem passa,
distraído ou mais distante.

Mas, quem lhe desvenda o odor
de intenso perfume,
sente as cores da flor,
queimar-lhe os olhos como lume.

São estas pétalas carmim,
sobre a branca areia quente
a mais verdadeira prova,
do desejo que anima a gente!

Oh, flor vermelha caída,
sozinha na areia molhada.
És a prova mais eterna,
dessa paixão saciada.

Lê-se nas pétalas escuras,
que no calor do desejo,
te entregaste na loucura,
e tudo começou com um beijo!

Depois das outras loucuras,
regressa a paixão maioral.
Memória da rosa vermelha,
que plantaste no areal!

quarta-feira, novembro 16, 2005

Memória - Carlos Drummond de Andrade

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, novembro 14, 2005

Memória




Não recordo, não me lembro, não conto nenhuma história.
Sem amor, sem sentimento, sem derrota nem vitória.
Já não vivo, já morri, a permanência é ilusória.
Já nada tenho de ti, nem do cheiro a memória!

quarta-feira, novembro 09, 2005

Para sempre



13-05-1980 a 21-10-2005

Eras tão pequenino,
na palma da minha mão.
Coberto de penas fofinhas,
acelerado bater dum coração.

Esse olhar curioso,
um bico que parecia sorrir,
penas de brilho lustroso,
uma asita sempre a abrir.

Como ave de casa,
Sem muito por onde voar,
tinhas a alegria da vida
sem muito pra desejar.

Amaste, tiveste filhos,
ficaste perto de nós.
Foi numa noite de outono,
que nos deixaste sós.

Ah, ave linda sem par,
voa com majestade,
por esse céu aberto,
pleno de Liberdade!

sexta-feira, novembro 04, 2005

Dois

Um mais um, dois!
Dois corpos...
Duas formas,
encaixe perfeito,
Peito no peito.
Ventre no ventre.
Coração bate,
Coração sente,
Segunda vez,
Outra vez,
Outra e sempre,
primeira vez.
A um tempo carinhoso
suave, quente, gostoso...
A outro tempo, mais rápido,
embalado, sequiso.
Torna-se, depois violento,
apaixonado, furioso.
E é sentimento trocado,
num liquido saboroso.
Dois abriram porta,
dois entraram no quarto,
dois se deitaram cama,
dois olhos em dois olhos,
duas almas juntas...
São só um quando se ama.

quarta-feira, novembro 02, 2005

Os dois cães

Um aluno, curioso, chegou ao pé do professor, que estava muito pensativo, e perguntou-lhe:
- Em que pensa?
- Penso que eu, como todo o ser humano, tenho dentro de mim dois cães. Um deles é bom, amigo, procura a paz, a harmonia e a felicidade de todos. O outro é mau, cruel, egoísta, incita a discórdia e a confusão, é intolerante e orgulhoso. Estes cães estão em permanente luta um com o outro...
- E qual deles ganha? - Perguntou o aluno.
O professor olhou-o nos olhos e disse:
- Aquele que eu alimentar!

domingo, outubro 09, 2005

O Escorpião e a Rã

Arde a floresta num fogo
incêndio cru e violento,
fogem os animais em espanto
em busca de salvamento.

Correm até ao rio,
mas param na sua margem,
Quem não sabe nadar,
acaba aqui a viagem.

Um escorpião em desespero
pede ajuda à meiga rã
se ela não o socorrer
estará morto pela manhã.

"Tomas-me por parva a mim,
que te conheço de gingeira?
Antes da viagem acabar,
matas-me à tua maneira!"

"Não sou louco a tal ponto,
também gosto de viver...
Se te fizer algum mal,
também eu vou morrer"

O coração amolece
e rã, toda ternura,
dá boleia ao escorpião
e começa a aventura.

Nada a rã até ao meio
do rio que os vai salvar
sente uma picada nas costas
e não quer acreditar!

Seu corpo envenenado
vai ao poucos parando
e afunda-se nas aguas
estão-se os dois afogando!

"Oh escorpião traçoeiro,
assim vamos morrer!"
"É assim que eu sou...
E nada posso fazer"

O Cinema













O Cinema, conta histórias.
O Cinema cria ou aviva certas memórias.
O Cinema tem movimento desde que nasceu
mas só ganhou cor e som quando cresceu.
O Cinema pode ser doce ou amargo,
salgadinho ou picante.
É a um tempo secreto,
sensual e estimulante.
Mas para ser inteiro,
falta ao Cinéma a magia,
que nos trás à vida o cheiro!

sexta-feira, outubro 07, 2005

O dia em que a Terra parou

Estava tudo perdido mas ninguém se importava
Ninguém estava contente com a vida que levava
Mas houve uma altura em que tudo mudou
Foi num certo dia em que a Terra parou

Um político cumpriu tudo o que prometeu
Mesmo as velhas promessas que o povo esqueceu
E sentiu-se tão bem que o seu cargo deixou
Foi na manhã do dia em que a Terra parou

Um artista de circo escorregou e ao cair
Viu pela primeira vez o público a sorrir
Bateram-lhe palmas mas ele morto ficou
Foi na tarde do dia em que a Terra parou

E a mulher do padeiro que dormia de dia
Passou a faze-lo de noite como lhe competia
Recordo a alegria com que o padeiro ficou
Na noite do dia em que a Terra parou

Parecia que a vida ia toda mudar
Que todo mundo podia enfim festejar
Mas a Terra moveu-se e de novo rodou
E acabou o dia em que Terra parou.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Um passo mais

Segui na noite
Por entre os becos
Fugindo sempre
Dos mesmos medos

Lutar por ser
Querer viver
Meter na vida
A fantasia da alegria

Na beira do abismo
Um passo mais
Um passo a mais
Um passo de mais!

terça-feira, outubro 04, 2005

Ter loucura sem ser doida

Há quanto tempo foi?
Há quanto tempo foi que te deixaste ir na loucura sem ser doida?
Estava o Sol exactamente no mesmo sítio,
E no ar havia os risos de gente que já cá não está.
Há quanto tempo foi?
Há quanto tempo foi que a porta se fechou,
E tu de pé eras maior que o mundo todo?
E os tons de azul, o silêncio e os cheiros inundavam o ar,
E as bocas se aproximaram, muito devagarinho para se beijar?
Há quanto tempo foi?
Há quanto tempo foi que a janela se fechou,
E a cama testemunhou a loucura de estar ali,
Completamente,
Um do outro... como se nada mais existisse senão nós?
Não seria isso ter loucura sem ser doida?
Há quanto tempo foi?
Que os nossos corpos se tocaram, se sentiram, se amaram,
E no suave mumúrio da voz,
dissemos pela primeira vez, "nós"!
Há quanto tempo foi?
Há quanto tempo foi que vivemos sem leis fatais,
Que não quisemos entender, apenas amar e viver?
É bom ser inteligente e não entender!
É bom quando para nós o amar é viver,
É bom quando sentimos que a vida nos corre nas veias,
Quando sentimos que o coração quer rebentar,
Quando o desejo cresce, um no outro até aos momentos finais,
E no momento do prazer, toda a alma dizer: "Quero mais. quero mais"?
Há quanto tempo foi?
Há quanto tempo foi que celebramos a vida, a alegria e o amor?
Há quanto tempo foi que a porta se fechou pela última vez,
e o cheiro da pele molhada se dissipou no ar?
Não preciso de entender, vivi e sei que foi verdadeiro,
Recordo cada momento, cada sentimento, sem último e sem primeiro!
No momento em que nos amavamos mais ninguém podia amar,
Porque todo o amor do mundo, do mais discreto ao mais profundo,
Estava lá connosco, no ar.
Há quanto tempo foi?

segunda-feira, outubro 03, 2005

Corpos - No dia do Eclipse Solar

Meu corpo quente em que te encostas
Teu corpo frio em contraste com o coração
Teu interior feminino onde arde a paixão.

Deslizas suave sobre mim,
Numa dança que nos embala, atrasando o fim.
Uma entrega total,
Corpo sombra, corpo luz.
Nesse aroma intenso que nos invade e seduz.

Um movimento firme, uma boca que morde
Um abraço apertado, mão que agarra forte.

Com o grito surdo que só nós ouvimos
gritamos a magia que nos corpos sentimos
A pele larga a loucura, numa paz que acalma,
E numa magia contemplamos dentro dos olhos a alma.

Este é o momento supremo em que a vida faz sentido
Quando este corpo que tenho está fundido contigo!