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quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Tempo



Quis ser todo tempo
ter todo o tempo
ter tempo

Quis ser meio-dia
na tua paixão
mas não passei das seis e meia

Quis fazer de um segundo
a síncope de um coração
na urgência de viver

Cala em teus olhos esta dor
e esta certeza.

o Amor é tudo,
mais que tudo
o Tempo é amor.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

O Salto

Abri as asas do medo
uma rocha nua
O luar fremente
beijos sentados no banco da frente
linguagem crua

A ave gritou
voando alto
Eu olhei para ti
E apanhei-a num salto.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

domingo, fevereiro 08, 2009

Só Deus tem os que ama


James Byron Dean, nasceu a 8 de Fevereiro de 1931 em Marion (Indiana).

Não há muros,
nem portas nem janelas,
que me abrandem a vontade de viver.

Não há curvas nas estradas, que me façam morrer.

Porque o meu corpo que aqui está,
que trato com mil cuidados, é o caixão
em que tenho os meus sentimentos guardados.

Liberto-me do corpo exangue,
que pode ir para o inferno,
porque o amor que tenho é de um viver eterno.

E Deus olha para mim,
e há um dia em que me chama,

porque amar é divino, e só Deus tem os que ama!

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Vida de Marinheiro (a João Aguardela)





Quantos bares ficam ainda por navegar
neste cinzento molhe de onde partes
Recolhe-te hoje o Caronte
na sua barca das Artes

Levas o grito na garganta
um canto com harmonia
Levas o peito liberto
da terminal agonia

As Tágides levam-te ao largo
em nós deixas a lembrança
de um acordeão que toca
enquanto o cantor dança.

O músico tem a alma por fora
do corpo que os pais lhes emprestam
E na suprema composição
deixam-nos presos à saudade
enquanto por fim se libertam.


A João Aguardela (1969/2009)

terça-feira, janeiro 20, 2009

Os meus dedos

Ergui para ti palavras
sulcando no teu ventre
estradas nuas
arroio fugaz, impertinente
e fecho as minhas mãos
nas tuas.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Chamas de loucura

Chamas de loucura
árvores centenárias
moralidades inúteis
fogueira do ciúme.

Beijos rasgados
toques urgentes
carnes quentes
dedos de lume.

E no fim as searas
os momentos de ternura
sentimentos livres
que tu chamas de loucura.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Pórtico

Cheguei sem me anunciar,
e morri à entrada do pórtico.

Levaram-me no enxurro as barcas
fendidas.

E tu, deste-me de beber
mas não me saciaste.

Profanei a vieira escondida no cálice
e o meu castigo foi pior que a morte.

A noite não tem plural.




quinta da regaleira (Sintra) foto de Pedro Prats

Lua (a Catarina Chaves)

Escuro veludo preto
véu da noite infinita
silêncio corpo mulher
olhar mudo que grita.
Negra saia pesada
lavrando o lado do peito
arado rasgando a terra
num movimento perfeito.

O suor denuncia o teu esforço
molha o teu camiseiro
no teu ventre fecundo
corre um rio inteiro.
Por fora a negra mulher
que se veste e actua.
Dentro de ti está a estrela
que brilha mais do que a Lua.

sábado, outubro 04, 2008

Há momentos que são para sempre

Podíamos falar das mãos,
que acariciam e amam.
Podíamos falar dos olhos
que no silêncio cúmplice
a sua energia emanam.
Podíamos falar das coxas
longas, e bem torneadas.
Podíamos falar das bocas
num milhão de beijos seladas.
Podíamos trocar de cheiros,
de pele, de sentir, de ser.
Podemos não falar desse momento,
mas não o podemos esquecer.

quinta-feira, outubro 02, 2008

O erro de Pandora

E de mansinho vou descobrindo
pelos teus gestos e silêncios
o que as palavras não dizem.

Aprendo a conhecer os teus cheiros,
a profundidade do teu olhar,
e os segredos que proteges.

O teu baú secreto,
que desejo ver aberto,
mas tal intento demora.

Teus olhos o meu alento,
o meu maior tormento
o teu erro de Pandora.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Curiosidade divina

Não é uma comédia de Dante
É a curiosidade constante
de quem tudo quer saber

Que compromete a existência
tudo em nome da ciência
e nem se importa de morrer

Fez um buraco no chão
pôs à roda um protão
que com outro vai colidir

Curiosidade sem perigo:
Teria Eva um umbigo?
Isso queria eu descobrir!

domingo, setembro 21, 2008

O Bonzão do Higgs

Tenham cuidado amigos
com o que querem saber
sem avaliar os perigos
do que pode acontecer

Façam chocar os protões
até ficarem partidinhos
ou fazem o papel de Deus
ou vão todos prós anjinhos

Eis que me apresento,
nesta altura de tormento
em que querem por-me a nu.

Se não fosse eu um Bonzão,
para que me deixassem da mão,
dava-vos um chuto no cu!

Big Bang (agora é que é...)

Dizem que chamar ao princípio de tudo "BIG BANG" é um exagero de linguagem, pois não houve nenhuma explosão. Agora sim, corremos o risco de ter o BIGGEST BANG jamais imaginado. O que houve no princípio do tempo foi uma expansão do espaço, um alastrar da energia e mais tarde da matéria ocupando o vazio. Impelidos pela força escura do universo, pequeníssimas partículas criaram o que existe, absolutamente tudo.
Há quem diga que esta experiência de simulação do BIG BANG pelo CERN é de um risco terrível. pois mexe com forças que podem estar fora do nosso controlo. Estaremos à beira de atingir aquele momento supremo em que descobrimos que a curiosidade matou o gato?

sexta-feira, setembro 19, 2008

Não há ondas no teu mar

Não faças poemas rumorosos
com metáforas refinadas
de ondas cinzeladas
e acácias de papel.
Não inventes cores e tempestades
nem aves azuis de saudades
que tu pretendias ter.
Se escreveres, escreve a calmía
de um vento que nada bule
sem uma gota agitar,
porque eu vi, no fundo dos teus olhos,
que não há ondas no teu mar.

segunda-feira, setembro 15, 2008

O Amor não se faz na carne

Não vos podem tirar de mim
deste pacto de sangue e alma que nos liga
fui pai de coração
não fui mãe de barriga
mas o amor não se faz na carne.

Plantei em vós sementes
de sonhos que queria ter,
recebi de vós os frutos
frescos, doces, maduros
que nunca sonhei colher.

Hoje há pontes criadas
espaços no meu coração
poemas que se escrevem sozinhos
quadros pintados à mão.

Não há limites para o sonho
estando juntos a sonhar.
Podem querer que nos afastemos
mas nós não vamos deixar!

Quadros, fotos, poemas,
futebol e carrocel...
E todo o mundo que nasce
de uma folha de papel.

Guardo na escrivaninha
um molho dos vossos papeis,
e gostava que soubessem
que gosto de vós... pincéis!


Aos meus queridos pincéis

quarta-feira, setembro 10, 2008

A sucessão dos momentos

Nem madrugadas
nem amanhecer
nem demorados banhos quentes
de espumas cúmplices
e fragrâncias orientais.

Apenas corpos e olhos
e palavras.
Muitas palavras
desenhadas com as mãos
com os pés
e com o coração.

Trocadas com a boca
com a língua,
temperadas de saliva
de lágrimas
de sentimentos.

Todo o amor
se constrói
na sucessão dos momentos.

Feliz aniversário

terça-feira, setembro 02, 2008

Nau

Simples nuvem se desprende
dos olhos que correm livres
entre os escolhos enternos
do pensamento.

Construí do nada,
do Ás de Paus, da carta marcada
o envelope que te enviei.

Soerguido na espuma das ondas
apaga-se tudo de mau.
Eu sou rei, tu és nau.

sexta-feira, agosto 22, 2008

quinta-feira, agosto 21, 2008

Quase te sinto o cheiro

És enorme e escura
és fria e dura
e ninguém sabe os limites da tua crueldade

És filha da ambição
és mãe da desolação
e és em tudo contrária à liberdade

Neste tempo sem Deus nem amor,
de violência e futuro incerto,
nunca a Europa te teve tão perto.

Petróleo, corrupção e dinheiro...
Estás lá longe, na Georgia
e eu quase te sinto o cheiro.