Há palavras que nos deitam na cama e nos aconchegam os lençóis!
Depois há outras, que também nos deitam na cama mas não nos deixam dormir
quinta-feira, outubro 07, 2010
quarta-feira, outubro 06, 2010
Outono

Chega o Outono secando as folhas,
doirando o verde que se vai escondendo.
As castanhas assadas anunciam o frio,
as noites longas, os dias curtos.
Os casacos pesados a esconder os corpos,
a alegria das primeiras chuvas
a cair lá fora,
enquanto me imagino à lareira,
que não tenho,
com uma manta sobre os joelhos a ler
O Livro de Cesário.
Gosto do Outono e das doces recordações
que dele me advêm!
No passado os aromas que deixaram marca.
E hoje o sorriso de quem me é tão especial!
quinta-feira, setembro 30, 2010
quarta-feira, setembro 29, 2010
sábado, setembro 25, 2010
Ora vá-se lá entender!

Ao saber que era infinito
o espaço mas limitado
fiquei um pouco aflito
com o que havida sido dito
eu que estava embaralhado.
Fui rever minha lição:
O infinito não tem fim
eu que aprendi assim,
ninguém me tira a razão,
seja mestre ou sabichão!
Vá se la entender
as tristes contradições
que nos põem nas lições
e devíamos aprender
Ora, vá-se lá entender!
segunda-feira, agosto 16, 2010
O Quinto Império - Fernando Pessoa
O Quinto Império
Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!
Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raíz --
Ter por vida sepultura.
Eras sobre eras se somen
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem.
Que as forças cegas se domem
Pela visão que a alma tem!
E assim, passados os quatro
Tempos do ser que sonhou,
A terra será teatro
Do dia claro, que no atro
Da erma noite começou.
Grécia, Roma, Cristandade,
Europa -- os quatro se vão
Para onde vai toda idade.
Quem vem viver a verdade
Que morreu D. Sebastião?
Fernando Pessoa, in Mensagem
quinta-feira, agosto 12, 2010
sexta-feira, julho 30, 2010
A Lojinha do Chinês

Comprei uma lanterna
na loja do chinês
fiquei admirado:
tinha instruções em Português.
Trocavam as palavras,
as letras e os sentidos
Se alguém quiser segui-las
Meus amigos, estão... perdidos!
As lojas chinesas
À nossa volta vão nascendo
Vai-se criando o mito:
Para onde vão eles morrendo?
Diz o padre da Freguesia,
O conservador e o coveiro:
"Chinês morto em Portugal?
Estou para ver o primeiro!"
Ao Sábado vou jantar
uma, outra e outra vez.
Com um sorriso a perguntar:
"Você queL comeL chinês?"
domingo, julho 18, 2010
Fado dos Contentores - Manuel Alegre
Já ninguém parte do Tejo
Agora olho e só vejo
Contentores contentores.
E do Martinho Pessoa
Já não veria o vapor
Veria a sua Lisboa
Fechada num contentor.
Por mais que busques defronte
Nem ilhas praias ou flores
Não há mar nem horizonte
Só contentores contentores.
Lisboa não tem paisagem
Já não há navegadores
Nem sol nem sul nem viagem
Só contentores contentores.
Entre o passado e o futuro
Em Lisboa de mil cores
O sonho bate num muro
De contentores contentores.
Por isso vamos cantar
O fado das nossas dores
E com ele derrubar
O muro dos contentores.
Manuel Alegre
Janete Frazão
segunda-feira, junho 28, 2010
Insónia
Disseste que me davas um nome...
terça-feira, junho 08, 2010
Sei de um rio...
foto recolhida aqui sem referência
Sei de um rio
que corre ligeiro no teu peito,
Que é bravio, indomado,
Insatisfeito.
Sei de um rio, fresco,
urgente,
onde sacio a minha sede,
onde sou verdade e sou gente.
Sei de um rio eterno,
sem tempo e sem bagagem,
Onde sou só marinheiro,
Onde o tudo é uma viagem!
Por mote de Ana Grichetchkine
quinta-feira, maio 20, 2010
Sísifo - Miguel Torga
Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
Sempre a sonhar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde com lucidez, te reconheças.
Miguel Torga
segunda-feira, maio 10, 2010
Esses olhos curiosos

Esses olhos curiosos
Que o mundo vão decifrando
São como os mares fogosos
Tão bravios quanto brandos
São como estrelas na noite,
alumiando o caminho escuro,
São lampejos de desejos
Projectados no futuro
Tudo aquilo que eu te digo
O mais que te posso dar
As coisas que eu te ensino
São histórias de encantar
Que me deram em menino
E hoje me fazem sonhar
Um olhar vale mais que mil palavras... ai é?
E um silêncio?
daqueles silêncios que são um suave enleio,
de palavras caladas mas proferidas em gestos,
e um sussurro que não é mais que vento
tocando ao de leve com o lábio na orelha.
E tudo aquilo que se diz sem dizer...
É que no teu olhar eu leio,
não o que tu escreves,
mas que eu quero ler.
Não são os olhar que enganam,
somos nós que nos enganamos neles.
Talvez seja a verdade mais crua:
Despem-te as palavras
e o olhar te deixa nua!
daqueles silêncios que são um suave enleio,
de palavras caladas mas proferidas em gestos,
e um sussurro que não é mais que vento
tocando ao de leve com o lábio na orelha.
E tudo aquilo que se diz sem dizer...
É que no teu olhar eu leio,
não o que tu escreves,
mas que eu quero ler.
Não são os olhar que enganam,
somos nós que nos enganamos neles.
Talvez seja a verdade mais crua:
Despem-te as palavras
e o olhar te deixa nua!
Nada mais inocente que um beijo...

Se há gesto que é inocente é o gesto de beijar,
aquela carícia que a gente, mesmo sem muito pensar
aprende naturalmente.
Simples e pleno de vontade, que mais tarde será desejo,
assim se tempera a ternura que cada um põe no beijo.
Rosto no rosto inocente, duas faces que se tocam,
ou bocas, lábios e línguas que num bailado se trocam.
Eu beijo desde menino, aprendi com a minha mãe,
um beijo dado com carinho é o melhor presente que se tem.
Muito começa com beijo, o beijo remata tudo,
E, quando a palavra não vem, o beijo é a forma mais elegante
de permanecer mudo!
segunda-feira, maio 03, 2010
O Fazedor de Chuva
Estava quente,
As gotas de suor corriam-te salgadas pela face
Essa tez de algodão macio e doce chocolate.
E nas tuas mãos o ferro quente, em brasa
Um movimente insistente numa ruga que não passa.
E eu, do outro lado do vidro, mirava-te
Com aquele sorriso patético que fazem os felizes.
A ayahuasca vibrou em mim, como um brado de clarim.
E de repente senti nas mãos um relâmpago que me atravessou
O coração, e na voz um grito de trovão que saiu mudo e sufocado,
Negro asfalto, passeio calcinado.
E quando, finalmente, saíste, para sanar esse calor,
Olhei para o céu e fiz chover.
Sentindo as grossas gotas que te cobriram,
Aproximei-me de ti e. olhando-te nos olhos, toquei ao de leve
Na madeixa negra dos teus cabelos molhados.
E os meus dedos transformaram-se, por magia,
na carícia suave de um desejo que fica sempre por satisfazer.
domingo, abril 18, 2010
Malvasia

Rubro néctar que aflora
Nos teus lábios de cetim
Desejo que se demora
Que arde dentro de mim
Pétalas da tua boca
Tocadas por minha mão
Palavras quedas e roucas
Nascidas em coração
O movimento dos dedos
Numa carícia enlaçados
Que a emoção faz tremer
Malvasia de segredos
Entre amantes partilhados
Na sinfonia do prazer!
terça-feira, abril 13, 2010
Sou
Eu vejo mais com o sentir que com os sentidos...
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