quarta-feira, julho 11, 2012

Lamento

Lamento que a voz me seque na garganta a mesma garganta com que podia gritar a todos para que todos ouvissem que a dor que me aflige não é só minha não nasceu dentro de mim mas moeu moeu dentro de mim um caminho para dentro transformando-se num lamento e um lamento é isso fundo morto e enterrado molhem-me a garganta com vozes acordes de mil outras gargantas toando mantras vivos reproduzidos em  mil outras gargantas cuspindo palavras de ordem e saliva aos muros e aos homens fardados que se alinham adiante de mil outras gargantas sedentas de sangue vivo de sangue de vida mil outras gargantas de vida que não se afogam no lamento mas actuam e rompendo um silêncio gritam um lamento que já não é o meu já não é o nosso que o nosso lamento morreu!