quinta-feira, julho 31, 2014

Sobre a solidão!




"
eu nunca estou só, estou sempre comigo !!" (Dina Santos)

A inquietação que esta frase de Dina Santos causou em mim obrigou-me a escrever. Para mim a solidão é das mais terríveis das doenças, causa a pior das mortes - o esquecimento - e traz-nos o inferno em vida.  
Acredito que existem três tipos de solidão: o sozinho no meu quarto, o sozinho na praia e o sozinho na multidão. Apesar de eu estar sempre lá, nos três casos, estamos realmente sem companhia.
O sozinho no meu quarto é terrível, significa que o meu lar está ocupado apenas por mim quando desejava os precisava de companhia.
O sozinho à beira mar é excelente, escolhi fugir de tudo e de todos para estar comigo no silêncio profundo da meditação.
O sozinho entre a multidão é o só de António Nobre, a mais inútil forma de viver, é o estar com toda a gente e não sentir irmandade com ninguém.
Esta frase, Dina Santos, fala de um só voluntário, consciente e meditativo.
Fundamental para a nossa felicidade é aceitar a nossa própria presença com amor e respeito. Os que valerem a pena quererão partilhar a nossa companhia.Buscar companhia não é o caminho. Como diz o meu velho mestre, Savinien, citando a filosofia ZEN: "Não caces borboletas, cuida bem do teu jardim"!

domingo, julho 20, 2014

A Loja do Sr. Fausto

A Loja do Sr. Fauso (in Público)
E de repente, assim sem contar, recordo o cheiro do café moído de fresco da loja do Sr. Fausto. Eu era miúdo e levado pela mão da minha mãe íamos lá comprar a mistura de café. Eu, em silêncio, esperava aquele pacotinho azul de abas dobradas para dentro onde vinham 100g de línguas de gato - era dia de festa quando as comprava.
Passei-lhe à porta - que ficava a meio caminho entre a minha casa e a Escola Primária nº 44 - duas vezes por dia de segunda a Sábado, durante quatro anos. Ele continua na mesma: alto, cabelo puxado para trás, mas bem mais branco... usa óculos que não tinha... e assim como quem não quer a coisa faço umas contas rápidas: devo ter entrado naquela casa, pela última vez há cerca de 36 anos, mas ainda lhe sinto o cheiro.
Tenho a lágrima ao canto do olho, um aperto de saudade no coração, mas estou feliz... porque permanece em mim esse tempo de menino com mãe... e a saudade é um sentimento lindo: será a derradeira forma de te amar!

sexta-feira, julho 11, 2014

Concerto sem intervalo (a Margarida Moser)


















(Picture from here)


Há melodia que invade
no movimento contínuo
de um arco
que sobre as cordas passeia
subindo e descendo
da esquerda para a direita.
Há música na pele, no papel
no metal, na madeira,
na crina de cavalo.
Há música, poema, melodia
toda inteira,
num concerto sem intervalo.
Há uma mulher que vibra
corda de mil arpejos
Há uma mulher que ensina
constrói sonhos e desejos.
E na melodia tocada,
quase em jeito de oração,
fica a memória gravada,
num instante para sempre
no nosso coração!

sexta-feira, julho 04, 2014

Estrelícia (a Vera de Sousa)

 

Estrela, luz, firmamento,
universo de sonhos cheio,
biologia, zoologia,
botânica, Estudo do Meio.
Uma frase, uma rima,
dois versos e um poema,
uma língua que se ensina,
numa redação com tema.
Contas do dia a dia:
o trabalho dividido,
o amor multiplicado,
o tempo subtraído,
o conhecimento somado.
Matemática, Português,
um dia de saber cheio,
repetir tudo outra vez,
e depois: brincar no recreio!

"Sê poeta, criativo,
sê um escritor, um artista,
copiar não faz sentido,
não queiras ser um copista!"

Muitos alunos te ouviram,
e de tudo o que aprenderam,
fizeram-se gente valorosa
e nunca de ti se esqueceram.

Doce flor da Madeira,
Ave do paraíso,
Professora a vida inteira,
Entre o choro e o riso.

Vera de Verdade
És parte de todos nós
Numa vaga de saudade,
partiste...
ficámos sós.

Há no entanto a força,
que sempre mostraste ter,
Mulher, luta, intensa,
resiste até poder.
Há uma lágrima caída
Na folha que estou a escrever,
Há mais uma estrela no céu,
que eu nunca vou esquecer.
Colega, mestre, amiga,
Pedagoga de eleição,
A tua história de vida
é derradeira lição.
Uma flor da Madeira,
de beleza singular,
uma vida toda inteira,
a aprender e a ensinar.
Os filhos que tu tiveste
guiaste-os pela tua mão
pelo caminho mais curto
que vai direito ao coração.

Celebremos a magia,
da mulher que não se esquece,
com um sorriso de alegria
em cada estrelícia
que floresce!

Alexandre de Oliveira (3 Jul 2014)