quarta-feira, março 24, 2010

Só pra dizer que T'amo! (usando o Dinossáurio)


Se eu tivesse um dinossáurio
Daqueles pesados, enormes…
Escrevia-te um soneto
Enquanto dormes.

E das rimas que assim fizesse,
Pelo fontanário ortográfico,
Encher-te-ia a horta do coração
De tráfico.

Eu e os outros pretendentes
Como vínculos num engarrafamento
Esperávamos a nossa vez
Com paciente enervamento.

Porque tu és muito linda
És de todas a mais bela,
És assim como um cruzamento
Entre a Erva e a Cinta dela.

E depois de ter as rimas
Vou meter-lhe a melancia
Escolho um tema bem fixo
Que a malta até curtia

Faço depois a barba,
Ponho vaselina no cabelo,
Ponho Colónia no sovaco,
Tiro do nariz o pêlo.

Quando tiver a fazer a cena,
Uso um soquete bacano,
Assim como uma mistura,
Meio português-brazuca-angolano.

Vou dizer que és minha Dama
E serei pra sempre o teu Damo.
E fiz isto para ti,
Só pra dizer que t'amo!

terça-feira, março 23, 2010

Sou como a papoila



Sou sangue quente
Em prado seco
Estival revolta
Da macia ternura.
Sou ópio,
Proibido,
Sou loucura...
Toque fugaz
Das pétalas dos meus dedos.
Sou vício, sou silêncio,
Vento que te sopra nos cabelos.

Sou Primavera em flor
sem andorinha.
Sou gestos de amores por inventar
Carícias em segredo
Fugidias,
Poema vermelho
No verde mar.

Serei assim,
Livre, enquanto me quiseres.
Tudo o que me dás cresce em mim.
Sou como a papoila:
Possuir-me é apressar-me o fim.