quinta-feira, outubro 03, 2013

Quinta-feira


Hoje é quinta-feira
Mais uma das quintas-feiras
Que deviam ficar por amanhecer

Cheira-me a despedida
Cheira-me a coragem
A tempo frio
A terra molhada

E há uma mãe que chora
Uma mulher que chora
E chora sozinha

Porque mulher é chão
Porque mãe é certeza,
Firmeza e segurança

E, acolhendo ao peito os dois filhos
Num abraço a três


São quatro a desejar
Que esta quinta-feira,
Simplesmente,
Não tivesse amanhecido!





domingo, setembro 29, 2013

Dói-me a chuva

A cada gota
condensada e cristalina
que tomba na terra fria
dói-me

Como se nu
sem ti
morresse a cada pinga

Memória
Eterna
Esperança que nada espera.

A chuva não me cai na pele
mas dói-me cada gota
que penetra a terra.

sábado, março 23, 2013

Lama da saudade



Na terra fêmea de vida
na água que molha e perfuma
na copa da alta pinheira
 na sombra da caruma

Nas mãos se faz escultura
nas gargantas e ravinas
nas mais sentidas caricias
nas costas envoltas em brumas

No silêncio por moldar
no cheiro a solo molhado
no tempo de desejar
no tempo chora passado

És mulher mãe menina
És lama de vida pura
És no silêncio a mina
És todo o mel da ternura

E eu mirando de longe
E eu a ver-te fugir
E eu só no horizonte

E a saudade que estou a sentir!

segunda-feira, março 18, 2013

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Que...

Não há mais longe que o que fica entre a vontade de fazer e o não poder! Não há maior silêncio que a indiferença perante o grito de quem sofre! Não há maior roubo que o da liberdade! Não há maior desperdício que amar sozinho! Não há maior dor que desistir de ser feliz!

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Semeámos hoje um poeta



Semeámos hoje um poeta
Podíamos tê-lo lançado ao vento
Para que as palavras voassem
E enchessem os cantos dos pássaros
Daquelas poesias ao desafio
Que soltava fluente na Serra Algarvia

Semeámos  hoje um poeta
Semeámo-lo na terra
A terra que lhe esculpiu as mãos
A terra que lhe deu de comer
A terra que conquistou e amou
Semeámo-lo hoje na terra
Porque os poetas não se enterram
Semeiam-se
Para que de novo brotem, cresçam
Para que as suas palavras
Voltem a dar sempre novo fruto.

Semeámos hoje um poeta
O adeus não lhe dizemos
Calamos no peito e sorrimos
Porque prevalece a memória
Da poesia, do homem e da história
Que fecha um capítulo
Mas fica ainda muito para contar!


Alexandre de Oliveira
 




sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Sabes, Lua?




Sabes, Lua?
Há quem te veja uma rocha fria
No céu estrelado.
O pálido reflexo do astro rei.
Planeta anão subjugado
Preso em gravidade de tal lei.

Há quem te veja como
A mãe dos bichos
A quem à noite choram os animais
Lacrimejantes olhares em ti fixos
Ignorando que tu, Lua, és muito mais.

Tens no ventre uma brasa imensa
O branco não é mais que liquefeito
néctar de amor que cai no peito
Do amante que soltou vontade intensa
Corpo Lua que ama e não pensa.

Como és fiel amante minha
Todas as noites visitas o meu céu,
Egoísta sou se pensar que tinha
Todo o teu amor devoto ao meu.

Não és de ninguém, formosa Lua
És mulher amante em fogo cru
Sem pudor no céu passeias nua
Visitando em sonhos meu corpo nu.


Tal como o peito de mulher
Frio ao olhar, ao toque quente
Quem um dia ousar te tocar
Nos dedos sentirá como és ardente.
E os poetas que sabem como és
Desejam descobrir esse calor
Colocam humildemente a teus pés
As mais belas palavras de amor!



domingo, janeiro 27, 2013

Let me fly to the moon!



Tenho à janela a luz da Lua
Intensa, branca, pura

Tenho à janela a luz da Lua
feminina, cheia e bela

E, se não me seguram, 
vou abrir os braços
e voar ao encontro dela!