domingo, julho 20, 2014

A Loja do Sr. Fausto

A Loja do Sr. Fauso (in Público)
E de repente, assim sem contar, recordo o cheiro do café moído de fresco da loja do Sr. Fausto. Eu era miúdo e levado pela mão da minha mãe íamos lá comprar a mistura de café. Eu, em silêncio, esperava aquele pacotinho azul de abas dobradas para dentro onde vinham 100g de línguas de gato - era dia de festa quando as comprava.
Passei-lhe à porta - que ficava a meio caminho entre a minha casa e a Escola Primária nº 44 - duas vezes por dia de segunda a Sábado, durante quatro anos. Ele continua na mesma: alto, cabelo puxado para trás, mas bem mais branco... usa óculos que não tinha... e assim como quem não quer a coisa faço umas contas rápidas: devo ter entrado naquela casa, pela última vez há cerca de 36 anos, mas ainda lhe sinto o cheiro.
Tenho a lágrima ao canto do olho, um aperto de saudade no coração, mas estou feliz... porque permanece em mim esse tempo de menino com mãe... e a saudade é um sentimento lindo: será a derradeira forma de te amar!

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