terça-feira, março 23, 2010

Sou como a papoila



Sou sangue quente
Em prado seco
Estival revolta
Da macia ternura.
Sou ópio,
Proibido,
Sou loucura...
Toque fugaz
Das pétalas dos meus dedos.
Sou vício, sou silêncio,
Vento que te sopra nos cabelos.

Sou Primavera em flor
sem andorinha.
Sou gestos de amores por inventar
Carícias em segredo
Fugidias,
Poema vermelho
No verde mar.

Serei assim,
Livre, enquanto me quiseres.
Tudo o que me dás cresce em mim.
Sou como a papoila:
Possuir-me é apressar-me o fim.

2 comentários:

Anónimo disse...

...que regressa, selvagem, em cada primavera, pintalgando o verde contínuo, até onde o olhar alcança...embriaguez dos sentidos, alucinogéneo, côr de vida e do amor....

Maria José disse...

Lindo poema,sem palavras além destas