segunda-feira, outubro 20, 2008

Pórtico

Cheguei sem me anunciar,
e morri à entrada do pórtico.

Levaram-me no enxurro as barcas
fendidas.

E tu, deste-me de beber
mas não me saciaste.

Profanei a vieira escondida no cálice
e o meu castigo foi pior que a morte.

A noite não tem plural.




quinta da regaleira (Sintra) foto de Pedro Prats

3 comentários:

Anónimo disse...

Onde andas? Fazes-me falta!

Anónimo disse...

LOL

Oblivio Denego disse...

Procurar compreender a alma dos poetas é um esforço improdutivo, mas inclino-me a considerar que o facto de viver é por si só um castigo suficiente para os que anseiam pela noite.

Que venha o dia para que mais passos sejam dados em frente, que carpir os mortos não os traz de volta.

Mas se a intensão do monarca for de simplesmente substituir o bobo, certamente encontrará público para o aplaudir!

O desgoverno está instalado, mas o bobo agradece a folga!

Desejo um bom serão