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quarta-feira, maio 28, 2008

Orfeu

Orfeu que tocava lira
apaixonou-se por Eurídice,
que era uma menina gira
foi o que ele me disse.

A paixão é passageira
só o amor é eterno
Euridice arranjou maneira
de ir parar ao inferno


Orfeu foi lá buscá-la
tudo fez para o conseguir
O Hades ao entregá-la
Gritou-lhe: Hades cá vir!

Veja a história toda aqui

segunda-feira, maio 26, 2008

domingo, maio 25, 2008

Meu Portugal

Tinha na mão uma rosa encarnada
Olhos de marinheiro envelhecido
De quem muitas lutas tinha vencido
De quem fez da vida uma longa estrada

Tinha nos cabelos o vento Norte
Tinha a sua frente o mar infinito
rasgou o véu do céu com alto grito
tremeu o mundo todo ao brado forte

Já foi grande majestoso e bonito
Hoje é sombra do que já foi um dia
De todo o bom que foi só sobra o mal

Deserto, estéril, pobre e maldito
um triste monstro em longa agonia
que fizeram de ti, meu Portugal?



sexta-feira, maio 23, 2008

Canção de embalar




Eu canto para que durmas pequenina
Eu canto para ti esta canção
olho esse rosto que me ensina
a ver a vida com o coração.

Canto para que a noite seja boa
canto baixinho para te acalmar
Toda esta paz e este silêncio
são uma melodia de embalar

Canto quando lá fora chove
Canto para ti com alegria
Quando os teus olhos se fecham
abrem portas ao sonho do novo dia

Agora que tu dormes em sossego
Eu vou saíndo de mansinho,
Deixo-te no teu aconchego,
e vou eu dormir no meu cantinho...

terça-feira, maio 20, 2008

Já não sei a que sabe a lua

Já não sei a que sabe a Lua,
lembro-me vagamente de a ter provado,
num olhar embevecido que trocámos no teu carro.
Lembro-me claramente que sabia
a qualquer coisa que eu conhecia,
qualquer coisa amarela,
ou castanha talvez fosse
era canela?
talvez fosse arroz doce...
Mas lembro-me de sentir que era molhado,
o gosto que da Lua em ti eu tinha provado,
vês como o tempo já passou?
Como pode alguém esquecer a que sabe a Lua?
Mas eu esqueci... e a culpa, é tua!

Placebo

Para uma doença que se não tem,
a melhor cura é o medicamento que não cura nada.

Vertigem

Ainda ontem caí aqui
de um balão,
Caí da Lua,
bati no chão,
fiz um poema,
uma criança,
uma menina,
para o seu irmão.

Caí de pé,
como um pinheiro,
eu não sou rico
não tenho dinheiro,
mas tenho vida,
um coração,
tenho sonhos novos,
fechados na mão.

Tenho um país
ao qual pertenço,
tenho ideias,
sei o que penso,
mas não consigo
é ser feliz,
fecho os olhos,
ao que se diz.

Busco o silêncio
na rua escura,
faço de conta,
vivo a loucura.
Pelas esquinas
passo apressado,
vejo as meninas,
fico excitado.


De coxas fartas,
cinturas finas,
meias de renda,
mostram maminhas,
estou a ficar velho,
vai-se o tesão,
e ainda ontem,
vivia a paixão

Passa-se o tempo
os anos me atingem,
caio de novo,
nesta vertigem,
Depois da Lua,
de onde vim,
vou cair na rua,
quando for o fim. 


Alexandre de Oliveira (Na Queda de Cyrano) 

sexta-feira, maio 16, 2008

A Chama

Quem acendeu a vela que trazias,
que te iluminava o olhar
e te fazia sorrir perante a vida?

Quem te deu essa chama,
que aquece quem te conhece,
e encheu os teus filhos de vida?

Quem te deixou usar a chama,
te convenceu que era tua
que te deixou partilhá-la?

E num momento sem sentido
a tomou de volta
e decidiu apagá-la?

O único conforto que tens,
agora que não tens chama,
é sentir o calor dela,
em toda a gente que te ama...

domingo, maio 11, 2008

Areal



Chega-te a mim com a tua boca
chega-te a mim com o teu sorriso
chega-te a mim,
eu não quero, mas preciso.

Preciso de ti, do teu olhar,
do sorriso desses lábios,
e do profundo do teu mar.

Foge de mim menina,
corre pelos campos fora,
foge da loucura do momento
e do desejo que nos devora.

Se te entregas em meus braços,
se me sacias de beijos,
acrescenta-se o fermento
que nos activa os ensejos.

Menina no areal,
vais brincando vais correndo,
e eu olhando-te de longe,
sinto a ternura crescendo!

O jogo das damas

Preto e branco
lado a lado
num tabuleiro deitado

mexe foge
mexe foge
mexe foge até mais não

comer... deixar-se comer
tempo, pausa,
decisão

come uma
come outra
vai andando até ao fim

mas só se faz uma dama
com outra em cima de mim.

quinta-feira, maio 08, 2008

Receita para uma sopa de peixe (picante)

Não se esqueça de sair cedo.
Pesque o peixe,compre a massa,
o tomate, a cebola, o tomilho,
uns pézinhos de salsa,
louro sem pau que o pau faz mal ao coração,
uma pitadinha de salva,
coentros e açafrão.
Coloque tudo numa panela,
se não tiver tacho,
ter tacho é sempre preferível,
pelo menos eu acho.
Quando o peixe estiver de barriga
vire-o ao contrário,
examine-lhe bem os olhos,
a boca, se tem aspecto ordinário,
e por fim o rabo, que nestes belos animais
se chamam "barbatanas caudais"
verifique o vermelho das guelras,
não se esqueça do picante --- Nota, isto é importante!!

Coloque tudo a ferver a começar pela cebola,
mas antes disso deite:
no fundo do tacho um fio de azeite,
Agora sim a cebola.
Espere que fique loura,
ponha a folhinha de louro,
pra lhe fazer companhia,
Ahh! E um dente de alho,
quase que já me esquecia.
Espere que refogue, se for do sul,
ou que estruja o estrujido,
palavra mais forte,usada no norte.
E quando estiver tudo lourinho,
pegue no picante e ponha um bocadinho --- Nota, isto é importante!

Ponha a cenoura e os tomates,
e um raminho de coentrão,
é que ao contrario de outros pratos,
aqui os tomates entram... (pausa drámatica)

Na refogada tomatada,
ponha os lombos da pescada,
Mas se a pesca foi do baril,
use antes. que fica melhor,
uns cubinhos de tamboril.
Ponha um pouco de vinho,
sal a gosto e especiarias,
Esprema a velha aguardente,
das garrafas meio vazias,
Espere que a fervura levante...
Quando estiver bem fervido
ponha um pouco de picante --- Nota, isto é importante!

Sirva tudo bem quentinho,
em prato fundo e com colher,
um garrafa de vinho,
e uma bonita mulher.
Coma sem fazer barulho,
tente não salpicar tudo,
Se não tiver mais conversa,
lance aquele olhar mudo!
À sobremesa morangos, acompanhados de espumante.
E no resto da noite ponha um pouco de picante --- Nota, isto é que é importante!

quarta-feira, maio 07, 2008

O Desejo

Ela disse-me: O teu desejo...
Mas não me disse qual era,
desejo a paz no mundo,
um belo dia de sol,
ter o jantar à minha espera.
Desejo ver Portugal
com titulo de campeão,
desejo ter um bom futuro
jogar nos concursos todos
e ganhar um dinheirão.
Desejo esquecer-me do mau,
desejo lembrar-me do bom,
Ser lembrados pelos amigos
Desejo saber dançar
E cantar sem saír do tom.
Desejo que todos se animem
Desejo que todos se amem,
Desejo que sejam felizes.
Desejo que a Triumph
continue a surpreender
Com a escolha das actrizes.
Mas qual seria o desejo
por trás de tão aventureira,
insinuante, atrevida e provocante
pergunta que eu lhe fiz:
"A sopa de peixe estava picante"?
E chegou-lhe a mostarda ao nariz.

domingo, maio 04, 2008

A minha canção da primavera

Doce rasgo nessa carne a que pertenço
Como um rio desaguo no teu mar
O passado não é mais que uma história
Que um dia os poetas vão cantar

Lábios, asas, a soprar sobre as colinas
Ventos quentes num país de liberdade
O sol rasga pelas frestas das cortinas
Pinceladas de amor e de verdade

E lá fora há o riso das crianças
Flores do campo em silvestre animação
Ancorado neste teu porto de abrigo
Sou maestro, sou batuta, sou canção

E na pauta dançam notas e poemas
Olhos doces vertem mel de mansinho
As nuvens enchem os rios e as represas
A Primavera ensina a todos o caminho.

sábado, maio 03, 2008

Adão e Eva

Adão e Eva eram dois
Ele era moreno e ela loira.
Tinham pouca roupa que não compravam em lojas de marca.
Adão ia trabalhar todas as manhãs numa mercearia,
mas o patrão não o deixava aproximar das maçãs
com medo que ele se engasgasse.
Eva ia à manicure que tinha uma serpente como bicho de estimação.
Um dia a serpente subiu-lhe por entre a folhagem e encheu Eva de veneno.
À noitinha, depois da sopa, Eva serviu-lhe uma gelatina de maçã
e Adão ficou com o caroço entalado.
E, a partir daí, passou a usar gravata para ninguém notar.

quarta-feira, abril 30, 2008

Confesso

"Tenho um enorme prazer em despir-te,
não tenho qualquer pressa em te ver nua"

Amo mais o caminho que a chegada
Amo o prato até o servir
o cozinhado até o provar
Amo a terra de onde nasce a árvore
e mais a árvore que o fruto,
prefiro colhê-lo que degustá-lo,
e degustá-lo que espremê-lo.
Amo a roupa que trazes vestida,
quero removê-la peça a peça,
no prazer de te despir,
mas tu nunca ficas nua
antes que eu adormeça.

domingo, abril 27, 2008

Furtivo

Rápido, incontrolável, nocivo.
Paciente, impaciente, passivo.
Olhos, toque, louco, activo.
Beijo, nua, boca, tua, furtivo.

quarta-feira, abril 16, 2008

Sou narcisista

Sou feio
tenho umas orelhas feias
sardas pelo corpo todo
até na ponta do... nariz.
Tenho o cabelo revolto
já tenho o esqueleto solto
sou mais branco que o giz.
Mas gosto de ser assim,
gosto de como vivo,
gosto de como penso,
ou seja: gosto de mim.
Há quem me chame Narciso
mas está bem enganado
é que eu tenho mais juizo
e em vez de usar o lago
vejo-me antes ao espelho
e se me lograr cair,
vou cair do outro lado.

segunda-feira, março 31, 2008

Fogo

crepita a minha pele
quando te vejo.
e tu sorris discreta neste jogo
nada já disfarça o meu desejo
que me consome a alma
como um fogo.

Morder

abre a boca
como me abriste
um dia o coração
coloca no meu pescoço
a palma da tua mão
olha-me nos olhos
até ceder
oferece-me um beijo,
como quem me vai morder.