terça-feira, maio 20, 2008

Vertigem

Ainda ontem caí aqui
de um balão,
Caí da Lua,
bati no chão,
fiz um poema,
uma criança,
uma menina,
para o seu irmão.

Caí de pé,
como um pinheiro,
eu não sou rico
não tenho dinheiro,
mas tenho vida,
um coração,
tenho sonhos novos,
fechados na mão.

Tenho um país
ao qual pertenço,
tenho ideias,
sei o que penso,
mas não consigo
é ser feliz,
fecho os olhos,
ao que se diz.

Busco o silêncio
na rua escura,
faço de conta,
vivo a loucura.
Pelas esquinas
passo apressado,
vejo as meninas,
fico excitado.


De coxas fartas,
cinturas finas,
meias de renda,
mostram maminhas,
estou a ficar velho,
vai-se o tesão,
e ainda ontem,
vivia a paixão

Passa-se o tempo
os anos me atingem,
caio de novo,
nesta vertigem,
Depois da Lua,
de onde vim,
vou cair na rua,
quando for o fim. 


Alexandre de Oliveira (Na Queda de Cyrano) 

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